HONRA AO MÉRITOPersonalidades

Dr. Marcos André Bernardes de Menezes

Dr. Marcos André de Menezes, psiquiatra, nasceu em 1º de janeiro de 1946, em Lagoa da Prata (MG). É filho de Elza Bernardes de Menezes e de Antônio Júlio de Menezes Filho, e irmão de Ana Maria de Menezes, historiadora. Tornou-se o primeiro médico natural da cidade a exercer a profissão em sua terra natal. Até então, Lagoa da Prata já havia recebido outros profissionais da medicina, mas vindos de outras localidades.

Em 1970, casou-se com Clara Maria, natural de Belo Horizonte, formada em Ciências Biológicas e professora universitária. Clara nutria um carinho especial por Lagoa da Prata desde a juventude, quando, em suas viagens de trem rumo a Araxá, sempre se encantava ao passar pela cidade e sentia o desejo de um dia viver ali. Hoje, ambos desfrutam da aposentadoria, celebrando uma união de 55 anos de casamento. Dessa história nasceram três filhos, entre eles Mônica, que seguiu os passos da mãe na História Natural e Ciências Biológicas, e depois também da medicina, onde hoje atua como clínica em Lagoa da Prata.

A trajetória da família tem raízes inspiradoras. O pai de Dr. Marcos André, vindo de uma origem humilde em Pitangui, conquistou a formação em Medicina na década de 1940, fruto de muito esforço e determinação. Naquele tempo, os cargos públicos não eram preenchidos por concurso, mas por nomeações. Foi assim que recebeu um convite para trabalhar no Triângulo Mineiro, em caráter de urgência, diante da falta de médicos na região.

Saiu de viagem às pressas, porém no caminho a jardineira (carro da época) quebrou, e ele precisava comparecer na cidade na manhã do dia seguinte, no entanto o mecânico comunicou que o conserto demoraria e indicou que fosse a uma vila que passava o trem para o Triângulo. Nessa vila ele se hospedou em uma pensão para aguardar até a hora de pegar o trem, quando o proprietário percebeu que na ficha ele havia escrito a profissão que era de médico pediu que fosse ver sua filha, pois estava doente e não havia médico na localidade. Foi assim que ele conheceu Elza Bernardes de Menezes. E foi ali mesmo, no cuidado, que nasceu o afeto. Elza se tornou sua primeira paciente… e seu grande amor. A consulta virou presença constante. O cuidado, em casamento. Dr. Marcos André conta que o avô ao desconfiar que o médico estava gostando de sua filha, e pediu que a avó comprasse um presente de agradecimento. Ela comprou um quadro que os médicos usavam muito na época, o quadro de “Cristo Médico”, presente dado por ela como agradecimento, permaneceu por anos no consultório. Mais tarde, passou de pai para filho, e de filho para neta — símbolo de uma vocação que atravessa gerações. Na década de 40, Lagoa da Prata era uma cidade pequena, seus pais estavam com dificuldades financeiras, seu pai falava que tinha dois tipos de clientes, os que não podiam pagar e aqueles que eram parentes. Dessa forma então se mudaram para Belo Horizonte na busca por melhorias. Ele era pequeno ainda, depois que cresceu começou a trabalhar como jornalista, fazia revisão, e continuou estudando, pois queria fazer medicina. Lembra que sua história está ligada com a do pai, ambos precisaram de muito esforço para realizarem o sonho de se tornarem médicos. Seu pai foi o primeiro médico a morar em Lagoa da Prata. Já ele, cursou medicina se formando em 1971, até então não havia ainda ninguém nascido na cidade de Lagoa da Prata que houvesse se formado em medicina. Se especializou em psiquiatria, começou a clinicar em Belo horizonte. Após alguns anos clinicando resolveu voltar para faculdade para cursar Filosofia, mas diz que não é uma profissão, filósofo é para pensar. Começou a escrever um livro de romance, porém não tem a pretensão de concluir, tem o desejo apenas de escrever e quer continuar até o fim de sua vida. Nos anos 80, ainda em Belo Horizonte começou a atender pelo SUS, exercia um cargo dentro da Secretaria de Saúde de auditor do Ministério da Saúde. Quando veio a reforma psiquiátrica, uma mudança grande na psiquiatria, ele foi nomeado coordenador estadual de saúde mental, para promover a mudança nos atendimentos psiquiátricos no estado de Minas Gerais. O Ministério da Saúde o emprestou para Secretaria Estadual de Saúde para montar um serviço de auditoria médica onde trabalhou por um tempo. Foi diretor de doenças não transmissíveis, superintendente de epidemiologia, substituiu o secretário de saúde representando-o em algumas ocasiões, depois voltou para Lagoa da Prata, queria curtir sua terra natal. Teve uma época que se candidatou ao conselho municipal de saúde e trabalhou muito nos hospitais de psiquiatria do estado. No Centro Hospitalar de Barbacena, não clinicava, mas analisava o que poderia ser mudado, um trabalho que deu muito certo. Trabalhou também na adequação dos Hospitais de Hanseníase. Fez parte da comissão para acabar com a FEBEM (Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor), ver o melhor destino para as crianças, fez um projeto para a FEBEM da cidade de Bom Despacho, na década de 80. Percorria todo o estado, adora Minas Gerais, fazia palestras. Tem muitos títulos de agradecimentos das cidades onde esteve. Em Lagoa da Prata foi presidente do Conselho de Saúde. Montou a Defesa Civil e foi eleito diretor. Foi médico da polícia militar em Belo Horizonte, depois foi transferido para Bom Despacho. Tem orgulho de ter sido o primeiro médico natural de Lagoa da Prata, poder ver escrito no quadro de formatura que ficou exposto no saguão da faculdade com a foto dele, a primeira vez que um médico formado natural de Lagoa da Prata, lhe ascendeu a chama do pertencimento e daí a certeza de que voltaria às suas origens para apreciar uma vida que até então o aguardava para ser vivida. Exerceu a profissão por mais de 40 anos. Durante o período em que atuava na Secretaria de Saúde, Dr. Marcos André viveu um episódio marcante que o despertou para uma urgência inaceitável: Lagoa da Prata não contava com um pronto-socorro. Certa vez, sua filha caçula sofreu um acidente e machucou a cabeça. Ao perceber que não havia atendimento de urgência disponível na própria cidade, sentiu, como pai e como médico, o peso da omissão pública. A partir daquele dia, iniciou uma mobilização determinada pela criação do serviço — uma luta marcada por resistências políticas, mas sustentada por sua convicção de que a saúde é um direito e não uma promessa. Mais adiante, já como coordenador estadual de saúde mental, garantiu a implantação do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em Lagoa da Prata — uma conquista que significou dignidade e acolhimento para tantas famílias. Por onde passava, seja nas secretarias, nos auditórios ou nas salas de reunião, Dr. Marcos levava consigo um olhar atento às necessidades do interior mineiro. É apaixonado pela história de Minas Gerais, e acredita que conhecer suas raízes é também uma forma de cuidar — com respeito, consciência e visão de futuro. Lembra que na época para implantar o CTI no hospital, ele foi contra, pois não tinha médico de CTI para assumir, não fazia sentido, e por que o valor a ser gasto era muito alto, se fizesse o CTI não haveria orçamento para ser feito mais nada na cidade, assim seria um risco muito grande. Quando foi eleito delegado regional da saúde procurou dar continuidade, porém a cidade não tem condições de manter financeiramente. Quando atendia no consultório dizia para a secretária que ninguém poderia sair da clínica sem ser atendido por falta de dinheiro, exercia a medicina por amor a profissão e as pessoas. Ficou uns 3 meses atendendo no CAPS sem remuneração, pois o médico na época adoeceu e não havia ninguém que pudesse substituir, então ele ficou até que a prefeitura conseguir um novo profissional. No conselho falava que teriam que pensar primeiro na população, quando se procura atendimento no SUS já está fragilizado, por não ter recurso e por estar com dor. Diz ser um grande defensor do SUS, sempre priorizou esses atendimentos, nunca deixou de atender no sistema público para atender na clínica particular. Nunca atuou diretamente na política, não gosta de exercer a política como cargo, mas gosta de se envolver na política por ser parte da sociedade, tem o candidato dele e faz campanha, pensa ser importante se posicionar, ter as convicções políticas. Adora futebol, torce pelo atlético, dizia quando era adolescente que era capaz de viver 1 dia sem água, 1 semana sem comida, mas não viveria 1 hora sem futebol. Também jogava, chegou a assinar contrato como jogador, e aos 16 anos era o goleiro em um time amador de Belo horizonte, o técnico do time o levou para assinar o contrato com outro time, então perguntou ao treinador se ele era bom mesmo, e o treinador disse que ele não era tão bom, porém podia aprender e melhorar, entretanto o que ele tinha de melhor era a postura dentro do time, isso não daria para aprender. Depois acabou desistindo, tinha que ir para outra cidade, foi ficando mais difícil. Uma viagem inesquecível quando foi para Lisboa, com a esposa. Adora a história, e no contexto mundial considera a cidade mais importante do mundo, pensa ter sido sorte do Brasileiro ter recebido a cultura de Portugal. Nesta viagem reviveu a memória do seu pai, que adorava Portugal, sentiu uma emoção indescritível, achou que iria morrer, tamanha foi a emoção. Ama a comida mineira, como o tutu de feijão, a galinhada, cebolinha, frango com quiabo, costelinha, entre outros, porém não gosta de cozinhar. Gosta muito de tomar um chopp, beber o whisky black and white, pois lembra a juventude dele. Adora música. Tem um quarto de música, com toca disco e LPs, toca fita, fita virgem.  Tem o primeiro disco do Martinho da Vila e do Jessé, pensa ter sido o melhor cantor do Brasil, ele gravou 17 vezes um coro, para fazer cada voz separada. Indica como boa leitura o livro “O nome da rosa” de Umberto Eco, é apaixonado por esse livro, e livros de Fernando Pessoa e Saramago. A mensagem que deixa aos jovens entrando no mercado de trabalho é para se prepararem e lerem bastante, o livro ensina muito, ler com olhar crítico pois livro também erra, a leitura traz o conhecimento.

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É também uma passarela artístico-cultural onde o poder da criação tem liberdade para apresentar todas as suas nuances.

As causas sociais e filantrópicas também são prioridade da idealizadora desta revista, sobretudo o autismo, que se tornou uma luta de causa e de vida!