Betho Leão
Roberto Carlos da Silva, conhecido por Betho Leão, apesar de ser o único filho que não tem o sobrenome Leão. Filho de Jorge Leão da Silva e Maria de Moura da Silva, eram primos e naturais da cidade de Arcos. Ele tem 6 irmãos. Nasceu na cidade de Lorena, em São Paulo, no ano de 1967.
Seu pai era trincheiro e participou da construção de muitas das rodovias no Brasil, motivo pelo qual cada filho nasceu em uma cidade diferente. Ele foi batizado em Aparecida do Norte, pelo padre Victor Coelho, que era amigo da família. Já os seus padrinhos são do exército.
Viveu a infância viajando de cidade em cidade. Estava com 7 anos quando o seu pai sofreu um infarto e logo após a cirurgia decidiu parar com as viagens e firmar residência em Arcos. Moraram no bairro Vila Boa Vista, lá quase tudo pertencia aos seus avós, os terrenos eram da família, o jardim da casa de uma tia avó virou pracinha. Betho foi criado naquela região, no centro da cidade.
Estudou no colégio Iolanda e no colégio Berenice. Concluiu a oitava série (Ensino Fundamental II) em Calciolândia. Conta que foi a melhor época da sua vida. A professora Dulce marcou sua trajetória, e hoje é uma de suas melhores amigas
Fez o segundo grau (Ensino Médio) na cidade de Formiga, no colégio particular . Saia todos os dias para ir para escola, junto ao amigo Rômulo e outros amigos de Calciolândia. Lembra como um tempo bem legal, em que fez grandes amizades. Pessoas muito importantes em sua vida, como Jala Pontal e Hélio Pacheco.
Quando começou a trabalhar às vezes ganhava um bom dinheiro, às vezes não, mas fazia tudo com muito amor. Os pais eram muito importantes para ele e o ajudavam muito. Os irmãos são muito próximos e a família muito unida.
Os amigos de infância são amigos até hoje. Ele coleciona amizades, vai conquistando amigos, mesmo aqueles com os quais não tem muito contato, ele cativa a lembrança e tem carinho. Às vezes se encontram por obra do destino.
Muito festeiro desde criança, morava próximo de familiares e juntos participavam de festas juninas, teatro, shows promovidos por uma professora chamada Marlene Rodrigues. Aos 13 anos de idade conheceu o amor da vida dele, a Celina Amorim de Carvalho. Quando fala dela, emociona-se e diz ser sua alma gêmea
Sempre foi de muitos amigos, a sua primeira festa, foi um evento Country no casarão da Ester.Logo depois começou a andar com uma turma muito boa, Alex Feitor, Michele filha do Valdir, hoje dona da Boutique Esfera, juntos formaram um grupo grande de amigos.
Promovia festas nas fazendas, casarões antigos, clubes, festas temáticas de circo, uma turma muito unida viajava junto. Chegaram a ir para Barretos em uma van e para a festa do milho em Patos de Minas.
As pessoas queriam que ele organizasse suas festas. Saiu uma matéria no jornal a respeito dele descrevendo-o como “o irrequieto que faz do interior de Minas a melhor festa do
século, quando organizou uma noite de superstição, mesmo não gostando do Halloween.
Ficou amigo de João Welington, não o largou mais. Começaram a fazer festas agropecuárias, ajudando na produção de artistas e montagem de camarins, tudo muito simples na época, usando cerca de bambu. Criou o clube do cavalo, que era uma barraca de concreto muito legal. Ganhou muito dinheiro com o “sopanhaque”, com os temas, os casarões de férias, tinha a Red House (casarão vermelho) no verão e a White House, (casarão branco) no inverno.
Duas amigas, Cláudia e Selma, o levaram para Morro de São Paulo, na Bahia. Ficou uns quatro anos na ilha, onde também fazia festas. Ficou amigo de Dudu Bertoline, que na época realizava o evento Santa Mãe Celina, que hoje é um mega fashion week.
Mesmo quando saiu de Arcos, a cidade nunca saiu dele. Morou em Ribeirão Preto por 15 anos trabalhando com moda, junto com a Ana Maria, conhecida por Ana Bico Fino. Foi para Goiás trabalhar com o Fabine, em Minas trabalhou com o Flávio (irmão da Ana), e em Brasília também, sempre no ramo da moda.
Na pandemia, em 2020 ele voltou para Arcos a convite de um casal amigos. Alugaram um haras para morar junto com esse casal, uma criança de 4 anos e 2 cachorros. Foi uma época muito boa.
Conheceu um empresário e ficaram amigos, iniciaram uma sociedade, hoje administra essa pousada, construída em parceria. Uma galeria, abriga a Pousada Quatro Estações que tem peças como, o globo do primeiro Rock in Rio, obras de arte, coluna da época do império, mobiliário do período da colonização. Sente-se muito feliz e ainda continua com as festas.
Lembra-se com carinho de uma festa: “Castelos dos Nobres”. Construiu um verdadeiro castelo na frente do Arcos Clube. Era festa à fantasia, temática medieval e de circo. Realizaram muitas festas: dentro de um parque de diversão, dentro do circo, com palhaços, globo da morte, trapezistas e ciclistas.
Quando morou na Bahia fez amizade com “um pouco do mundo”. Sentia que lá o mundo se encontrava: tinha amigos estrangeiros – israelitas, dinamarqueses, noruegueses, italianos, franceses, ingleses, americanos… conseguiu levar alguns para Arcos, o que foi uma sensação, nos anos de 2000 a 2002.
Era interessante receber gente do mundo inteiro em uma cidade pequena. Eles iam e continuam indo onde ele está e isso engrandece muito. Fala emocionado que o pai dizia: “meu filho, você é um menino diferente, porque você é desse jeito? Você já notou que as pessoas da família querem ganhar dinheiro e serem bem tratados e você é desse jeito?” e o apelidava de “pássaro preto”, e somente o amigo Fabrine conhece essa história.
Ele acredita que veio a este mundo para servir as pessoas. Ama receber e tratar bem as pessoas, amar e servir, é o seu dom. O dinheiro para ele é o necessário para ser feliz, no entanto é mais feliz vivendo com as pessoas que ama. A melhor para ele, são as pessoas, se tiver que escolher entre fortuna e pessoas, escolhe pessoas.
Tem um casal de amigos de Calciolândia que abriram a mansão deles para recebe-lo um lugar muito chique, o maior metro quadrado construído no bairro nobre de Arcos. Lá, fez o lançamento de um jornal chamado Perfil, foram anos circulando, sendo bem lido e o lugar bem frequentado.
Diz ser uma pessoa versátil: fez festas de casamentos, batizados, aniversários. Em tudo que podia ajudava. As senhoras que faziam consórcio gostavam de fazer festa temáticas e ele ajudava na decoração, como fez para Maria de Fatima do Ailton Roque.
Tudo para ele é intenso. Conta que teve três perdas que o impactaram muito: uma foi a de um sobrinho aos 21 anos de idade, o Caio; logo depois o pai veio a falecer, e recentemente, no dia das mães, sua mãe faleceu. Ficou muito abalado e ainda está de luto, mas tem buscado superar, sabe que ela está em um bom lugar e que ele foi um bom filho.
Recorda um dos dias mais felizes que foi o casamento da sobrinha Monique. Fica muito feliz com os casamentos dos sobrinhos, porém o que marcou mais foi sua mãe que estava sempre linda, naquelas ocasiões. Ele pode proporcionar o melhor para ela. Sempre conversava com a mãe, não queria tê-la perdido, algo que o abalou muito.
Quando perde um amigo é como se perdesse um irmão, e quem tem muitos amigos, acabam perdendo muitos também. A pandemia foi muito difícil, ele perdeu muitos amigos.
Sobre a religião, diz ser católico. Ama ir à igreja e sentir a presença de Deus. Foi uma das coisas que lhe deu forças em relação ao luto da mãe. Quando estava desesperado quem o ajudou foi uma amiga de fé, chamada Cintia Chicre. Ele ficou muitos dias trancado e isolado no quarto. Ela foi até ele, o colocou dentro do carro e o levou ao Santíssimo Sacramento. Disse que ele ficasse o tempo que quisesse e o esperou em um cantinho. Foi uma força que o amparou. Sente necessidade de buscar a Deus sempre é o seu esteio e a sua força.
Até Deus, em oração, ele vai sempre para agradecer e pedir para nunca o abandone, nem a seus familiares e amigos para que não fiquem na cama doentes e sofrendo, porque já perdeu amigos assim e pede para não deixar ninguém na solidão.
Há momentos de tranquilidade e horas de calmaria – já horas vagas ele não tem, pois vive intensamente – a vida dele é uma festa, nunca fica sozinho, sempre tem alguém por perto. Viu no Gana um grande amigo e diz ter sido presenteado com a presença dele em sua vida.
Sua comida preferida é a lasanha da Giovana Batista, tem que ser a dela. o pão de queijo e o doce de figo da Celina. Ama doce, todos os tipos de doce. O filme que recomenda foi o primeiro que ele viu no cinema “A árvore das folhas rosas”, ficou tão feliz que pulou nos braços dos pais, foi com os irmãos também e se emocionou. Outro filme que ama é o clássico “E o vento levou”.
Seu livro favorito é um que ganhou na infância. Mesmo não sendo novo, o marcou tanto que deu de presente para o filho do Dr. Holando e da Dra. Cristiane. Foi “O pequeno Príncipe”. A música de que mais gosta é “Leãozinho”, de Caetano Veloso, que os amigos cantam para ele.
Ele se define como um “menino muito levado”, mesmo assim nota que as pessoas gostam dele, principalmente os familiares e amigos. Veio a esse mundo para servir, aprendeu isso ainda criança e é uma pessoa feliz. Diz ser como um trecho de uma música ‘a minha vida é andar por este país’.
Para ele, a vida é estar sempre de bem consigo mesmo, com a força de Deus, ser sempre uma pessoa que acrescenta na vida de outra pessoa, não pode desembarcar de um trem sem deixar ao menos uma lembrança, não pode ser apenas uma bagagem dentro do trem, acha que vai ser essa lembrança eternizada, ele se sente assim e ama a vida.
A vida é acordar e ver um dia maravilhoso seja de sol ou nublado, saber que tem pessoas incríveis ao seu lado, ter a natureza e o amor de Deus. O mais importante é viver e não ter a vergonha de ser feliz.
A mensagem que deixa para os jovens no mercado de trabalho é que pensem em ser felizes, não importa o que façam. Não se preocupem com o que os outros pensam. A única coisa de que precisam cuidar é do seu nome, da sua vida e dos seus pais, honrando pai e mãe.


