Ana Raphaela Camargos Rossi –
Ana Raphaela Camargo Rossi nasceu em 8 de novembro de 1989, em Santo Antônio do Monte, filha de Ana Aparecida da Silva, a saudosa Nena, e de Gilberto Rafael da Silva. Sempre ouviu dos pais que foi uma filha muito desejada, mesmo tendo chegado antes do casamento, quando sua mãe já estava com cinco meses de gestação. Cresceu cercada de muito amor e carinho, e traz consigo a marca especial do numeral 8: nasceu no dia 8, sua irmã Flávia veio ao mundo em 8 de dezembro, quatro anos e um mês depois, e seus pais se casaram em 8 de julho. O número 8, considerado pela mãe como da sorte e símbolo do infinito, tornou-se um elo afetivo na família.
Na infância, viveu momentos inesquecíveis na roça dos avós maternos, Judite e João. A casa era um verdadeiro coração da família, ponto de encontro de parentes, vizinhos e trabalhadores do leite. A avó, sempre prendada, oferecia quitandas irresistíveis – bolos, pães de queijo e bolinhos fritos no forno a lenha construído no quintal. A mesa estava sempre posta, pronta para receber quem chegasse, e esse acolhimento marcou profundamente Ana Raphaela. Depois do falecimento da avó, o avô fez questão de manter o ritual: preparava quitandas e valorizava os encontros ao redor da mesa, até seus últimos anos de vida.
Do lado paterno, Ana Raphaela não chegou a conhecer o avô, mas convive até hoje com a avó Totonha, que, aos 91 anos, conserva o bom humor e a paixão por contar histórias. Ela se tornou uma guardiã da memória familiar, inclusive registrada em livros da cidade, especialmente pela tradição do bolinho de fubá frito, símbolo de afeto e convivência ao redor da mesa.

Na escola Senhora de Fátima, destacou-se como aluna aplicada e participativa: esteve à frente do teatro, da oratória e das representações de turma. Sempre gostava de organizar trabalhos e foi oradora na formatura da faculdade. Professores como tia Leila Borges, tia Nívea Normandia, Kelly, Luciene, Marilena e tia Tereza marcaram sua trajetória, deixando memórias afetivas de dedicação e incentivo.
A escolha pela Psicologia foi influenciada por vivências na APAE, onde sua mãe atuava como diretora, e pela admiração por profissionais como Virgínia, pioneira da área em Santo Antônio do Monte. Também foi amiga de Luíza, filha de Virgínia, que seguiu o mesmo caminho. No Ensino Médio, ao fazer um teste vocacional, recebeu o direcionamento que confirmou sua inclinação. Ingressou na PUC Arcos em 2007, formando-se em 2012, e logo concluiu a pós-graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental (PUC Divinópolis, 2013).
Desde muito jovem, demonstrava espírito de trabalho. Ainda criança, foi monitora no Castelinho e recebeu seu primeiro pagamento em 1999, experiência que lhe deu orgulho e senso de responsabilidade. Mais tarde, abriu um consultório de psicologia com uma amiga e iniciou sua jornada como profissional da saúde mental.
Paralelamente, deu vida a outro projeto: o Mascote Pet Shop. A ideia nasceu de uma conversa com uma amiga veterinária e do amor por seu cachorro Teo. Sem grandes estudos de mercado, mas com intuição e coragem, investiu no negócio, apoiada pela mãe, Nena. Começou com um pequeno banho e tosa, sem placa na porta, mas rapidamente conquistou a confiança da comunidade. O boca a boca foi seu maior marketing, e em poucos anos expandiu para dois pontos em Santo Antônio do Monte. Hoje, administra a Mascote ao lado do marido, Fabrine, que deixou uma carreira promissora na indústria para empreender com ela.
Ana Raphaela e Fabrine se conheceram ainda adolescentes, em uma festa de 15 anos em Arcos. Tornaram-se amigos, perderam contato por alguns anos e retomaram a relação depois que ele voltou da Espanha. O namoro engrenou naturalmente, e em 2018 se casaram. São pais de Clara, de personalidade forte e argumentativa, e João Rafael, um bebê alegre e ativo. Para Ana Raphaela, a maternidade é fonte de aprendizado diário e inspiração.
Outro legado precioso em sua vida é o Cerimonial Nena Silva, criado e conduzido com maestria por sua mãe. Nena, mesmo sem a profissão oficialmente nomeada em sua juventude, sempre teve o dom de organizar eventos com sensibilidade, atenção aos detalhes e uma capacidade nata de transformar momentos em memórias inesquecíveis. Ana Raphaela cresceu entre bastidores de festas, ajudando discretamente, aprendendo a lidar com imprevistos e observando o talento da mãe em coordenar equipes e acolher clientes.
Pouco antes de partir, Nena fez questão de preparar a filha para assumir o cerimonial. Pediu que ela trabalhasse em um casamento, insistiu para que fosse vista como responsável, e, depois, em um gesto simbólico e emocionante, enviou ao grupo da equipe uma mensagem oficializando a transição: a partir dali, a coordenação passaria a ser de Ana Raphaela. Esse presente, guardado até hoje, foi o selo de confiança de uma mãe que acreditava no potencial da filha.

Após sua partida, Ana Raphaela assumiu o cerimonial com coragem e determinação, preservando o legado materno e acrescentando seu próprio olhar jovem e inovador. Cada festa é para ela uma missão: transformar sonhos em realidade, coordenar fornecedores, alinhar expectativas e garantir que cada detalhe esteja perfeito, independentemente do tamanho do evento. Mais que organizar celebrações, Raphaela entende que conduz sonhos – tanto de seus clientes quanto o da própria mãe.
Em meio a tantos compromissos, encontra refúgio na família: gosta de cozinhar com o marido, viajar com os filhos e viver momentos simples, como passeios na praça ou idas ao parquinho. Para ela, a vida é breve e deve ser aproveitada nos detalhes, no que parece pequeno, mas é essencial.
Deixa como mensagem aos jovens que iniciam no mercado de trabalho que “desistir não é uma opção”, frase que ouviu em uma palestra de Mazé Doces e que carrega como lema. Para Ana Raphaela, ter propósito, persistir e acreditar são chaves para transformar sonhos em realidade. No Mascote e no Cerimonial, ela prova todos os dias que seguir em frente, mesmo diante das dificuldades, é a maior forma de honrar a vida e o legado de quem tanto a inspirou.