HONRA AO MÉRITOPersonalidades

CARLOS AUGUSTO – RESTAURANTE VARANDAS

Carlos Augusto — Uma história construída pela fé, pelo trabalho e pela perseverança

Há histórias que não podem ser contadas apenas pelos lugares onde uma pessoa chegou. É preciso voltar ao começo, olhar para as dificuldades enfrentadas, para as mãos que ajudaram a construir o caminho, para as escolhas feitas quando quase não havia opções e, principalmente, para a fé que sustentou cada passo. A história de Carlos Augusto é assim: uma trajetória marcada por desafios, trabalho, generosidade, empreendedorismo e uma confiança profunda em Deus.

Carlos nasceu em 1985, em Belo Horizonte. De sangue, são seis irmãos. Mas sua família sempre foi muito maior do que os laços biológicos. Sua mãe, Natalina, tinha um coração tão grande que, ao longo da vida, acolheu e criou outras doze pessoas. Assim, aquela família chegou a ser formada por dezoito filhos. Antes mesmo de Carlos nascer, sua mãe já havia acolhido outras pessoas para criar.

O pai, Aulerino, esteve pouco presente na criação dos filhos. Quem verdadeiramente sustentou a família afetiva e emocionalmente foram sua mãe e sua avó, Dona Eva, carinhosamente chamada de Mãe Eva. Natural do Norte de Minas, Dona Eva viveu 114 anos e deixou uma marca profunda na vida de Carlos. “Minha avó foi uma das senhoras mais antigas da cidade. Eu só conheci ela como Dona Eva. A gente chamava de Mãe Eva, porque ela era a nossa segunda mãe.”

Embora tenha nascido em Belo Horizonte, Carlos chegou a Lagoa da Prata aos 13 anos. A mudança representou muito mais do que uma troca de cidade. Foi o início de uma nova etapa de sua vida e o começo da construção da história que hoje ele considera sua.

Sua infância foi marcada por muitas dificuldades. A mãe, que não sabia ler nem escrever, precisou trabalhar muito para sustentar os filhos. Trabalhou em casas de família e em empresas, buscando todas as alternativas possíveis para colocar alimento dentro de casa. O alcoolismo do pai agravava ainda mais a situação familiar.

Carlos ainda guarda na memória momentos em que a mãe precisava lutar para conseguir dinheiro até mesmo para comprar comida. E foi justamente diante da escassez que ele aprendeu uma das maiores lições de sua vida: dividir. Sua mãe tinha pouco, mas conseguia fazer daquele pouco algo muito maior.

A Sociedade São Vicente de Paulo foi uma das instituições que ajudaram sua família naquele período. Quando Carlos tinha aproximadamente sete ou oito anos, já buscava as cestas básicas destinadas à família. Como não tinha dinheiro para pagar o transporte, muitas vezes conseguia passar pela roleta porque os responsáveis já o conheciam. Pegava a cesta e voltava para casa carregando, literalmente, um pouco de esperança para toda a família.

Também houve períodos em que a comida era uma verdadeira conquista diária. Dona Eva buscava nos açougues pedaços de carne que seriam descartados, as chamadas “muxibas”. Era aquilo que chegava à mesa. Fritava-se, misturava-se com farinha e, para aquela família, aquilo era uma refeição preciosa. Café com farinha e sopões oferecidos por padres também fizeram parte daquela infância. Carlos se lembra até hoje do sabor da carne de soja.

Foram tempos difíceis, mas também foram tempos que moldaram seu caráter. Ele cresceu vendo a mãe dividir o pouco que tinha com quem precisava. E, mesmo sem possuir recursos, ela acolhia pessoas. Ainda hoje, segundo Carlos, sua mãe continua abrindo as portas para quem precisa de um lugar para ficar.

Talvez por isso ele tenha aprendido tão cedo que riqueza não é apenas aquilo que se possui, mas também aquilo que se consegue oferecer.

Carlos começou a trabalhar muito jovem. Aos 11 ou 12 anos, já buscava formas de ganhar seu próprio dinheiro. Em Belo Horizonte, vendia biscoitos, mexericas e café na porta do Hospital Eduardo de Menezes. Montava sua pequena banca e descobria, desde cedo, sua capacidade de enxergar oportunidades. Também vendeu espetinhos e começou a experimentar o empreendedorismo muito antes de saber que aquela palavra definiria parte de sua vida.

Quando chegou a Lagoa da Prata, aos 13 anos, estudou no Chico Rezende. Sua mãe já possuía uma casa no bairro Industrial. Carlos, entretanto, queria viver na cidade e construir sua própria história.

Foi ali que conheceu uma realidade ainda mais dura. Naquela época, o lixão de Lagoa da Prata era aberto e recebia crianças, adolescentes e adultos que buscavam dali o sustento. Carlos passou a trabalhar no local, separando PET, papelão, plástico, latinhas e garrafas. O caminhão chegava e uma multidão corria em direção ao lixo em busca de algo que pudesse ser vendido. “Parecia como se a gente estivesse cavando ouro.”

Cada pedaço de material encontrado tinha valor. Cada latinha, cada garrafa, cada pedaço de plástico poderia representar algum dinheiro no fim do dia.

Carlos separava os materiais e vendia para compradores, entre eles Chiquinho.

O lixão também guarda lembranças curiosas. Caminhões de empresas como Trevinho e Embaré chegavam ao local. Carlos e os outros trabalhadores encontravam iogurtes, requeijão, caramelos, pedaços de pão de queijo e restos de refrigerante. Hoje, olhando para trás, ele sabe que algumas daquelas coisas poderiam representar riscos. Mas, naquele momento, a fome falava mais alto.

Não havia malícia. Havia necessidade.

E, apesar de toda a dureza, ele também se recorda daquele período com ternura. Havia amizade, companheirismo e sonhos compartilhados. Muitas das pessoas que trabalharam naquele lixão conseguiram mudar suas vidas. Alguns se tornaram pedreiros, construíram suas casas, compraram carros e seguiram outros caminhos. Carlos também seguiu.

Aos 17 anos, tornou-se pai. O nascimento do filho, Carlos Augusto, aconteceu de maneira inesperada e trouxe uma responsabilidade enorme para um rapaz ainda muito jovem. A gravidez era de gêmeos, mas de alto risco. Uma das crianças não sobreviveu ao oitavo mês. Carlos Augusto nasceu prematuro, com 1,985 quilo, justamente na mesma data de nascimento do pai.

Carlos acompanhou de perto os primeiros momentos do filho. Ficou no hospital, acompanhou seu tratamento e foi ele quem deu o primeiro banho no menino. A paternidade despertou nele um senso ainda maior de responsabilidade.

Sua trajetória profissional continuou sendo construída por tentativas, oportunidades e muita disposição para trabalhar. Passou por diferentes atividades, até chegar ao universo das rifas, experiência que lhe ensinou sobre vendas, comunicação e relacionamento com as pessoas.

Sua primeira experiência aconteceu quase por acaso. Foi convidado por Pardal para trabalhar em uma rifa. Inicialmente, seria cozinheiro, até aprender como funcionava o negócio. Com a orientação de Jair, um amigo que conheceu em Lagoa da Prata, fez suas primeiras vendas. Naquele primeiro dia, conseguiu vender cinco rifas e recebeu o equivalente a quatro e meia. Mais do que o dinheiro, descobriu seu potencial de venda.

Depois vieram novas experiências profissionais. Trabalhou na Embaré, onde começou em atividades pesadas na obra. Naquele período, era chamado de “Tatu-Bolinha”, porque trabalhava cavando buracos e saía coberto de poeira.

Até que um dia fez uma oração e pediu a Deus uma oportunidade. No dia seguinte, recebeu a notícia de que seria levado para dentro da empresa para ajudar na montagem de racks de leite em pó. Ele acredita que aquilo não foi coincidência.

Na Embaré, Carlos demonstrou que não esperava simplesmente que as oportunidades chegassem. Quando faltava alguém em determinada atividade, ele se apresentava. Se precisava ajudar a lavar materiais, ele ajudava. Se precisava montar cargas, estava presente. Até que surgiu uma vaga para operador de empilhadeira. Carlos conquistou a oportunidade.

Ele nunca esqueceu as pessoas que fizeram parte daquele caminho: Marco Aurélio, Fabinho, Nair, Diomedes, Cristina e tantos outros que lhe deram oportunidades e contribuíram para sua trajetória. A empresa deixou de ser apenas um lugar onde trabalhou. Tornou-se parte de sua história.

Carlos chegou a sonhar com o dia em que poderia colocar seu próprio carro na vaga destinada aos chefes. Anos depois, conseguiu fazer muito mais do que isso: voltou à empresa como responsável por festas e serviços de alimentação. Chegou a realizar eventos de Natal, Ano Novo e festas de São João dentro do local onde um dia havia trabalhado.

O menino que olhava para aquela vaga de estacionamento e imaginava se um dia conseguiria chegar ali estava, anos depois, entrando pela mesma porta como empresário. Era a realização de um sonho que havia começado muito antes.

Depois do fim do relacionamento com a mãe de seu filho, Carlos continuou mantendo uma presença muito próxima na vida do menino. Quando o filho passou por um período emocional difícil e sentiu muito sua ausência, ele voltou para Belo Horizonte para estar mais perto dele.

Foi nesse período que trabalhou em restaurante e descobriu ainda mais talentos. Entrou para cuidar do estoque, mas rapidamente passou a atuar onde fosse necessário: cozinha, salada, churrasqueira, atendimento, copa e preparo de bebidas. Tornou-se uma espécie de “estepe” do restaurante. Onde havia uma necessidade, Carlos estava pronto para ajudar.

Essa característica acompanharia toda a sua vida profissional: nunca se limitar à função para a qual havia sido contratado.

Depois, voltou para Lagoa da Prata e trabalhou na Fashion, onde encontrou outro ambiente de aprendizado. Ali experimentou também o reconhecimento profissional por meio de premiações concedidas aos funcionários que se destacavam pela assiduidade, dedicação e bom desempenho.

Mas foi na fé que Carlos encontrou o eixo que passou a orientar suas escolhas. Ele escreveu uma carta para Deus. Nela, colocou seus sonhos: ter uma casa própria, um carro, uma moto, reconstruir sua vida familiar e ter seu próprio espaço de trabalho. Escreveu tudo detalhadamente e entregou aquele projeto de vida a Deus.

Para Carlos, o mais impressionante é que, com o passar dos anos, tudo aquilo foi acontecendo. Não no tempo que ele queria, mas no tempo que Deus determinou.

Foi nesse período que conheceu Shirley. O encontro aconteceu em meio às atividades e eventos que realizava. Depois vieram as conversas, a aproximação e, finalmente, o relacionamento. Shirley tornou-se sua companheira de vida e parceira em muitos dos sonhos que viriam a seguir.

Os dois começaram vendendo sanduíches. Moravam no bairro Industrial e, até tarde da noite, preparavam e entregavam os pedidos pela cidade. Era mais uma tentativa. Mais um começo. Mais uma porta.

Até que surgiu uma oportunidade inesperada no clube. Shirley trabalhava na limpeza e soube que o espaço seria reaberto depois da pandemia. Havia a possibilidade de alguém assumir a operação do local. Carlos quis tentar.

Mesmo sem garantias, apresentou seu trabalho, falou sobre sua experiência com cozinha, salgados e atendimento e colocou seu nome entre os candidatos. Havia outras pessoas interessadas. Ele achou que não havia sido escolhido. Continuou trabalhando com seus sanduíches. Até que recebeu a ligação: “Você foi selecionado.”

A oportunidade que ele tanto queria havia chegado. Investiu o dinheiro recebido ao final da safra da usina para iniciar o negócio. Comprou bebidas, preparou o espaço e começou.

Mas a pandemia ainda não havia terminado. Pouco tempo depois, novos casos de Covid-19 fizeram com que o clube precisasse fechar novamente. Todo o dinheiro investido ficou parado. Mais uma vez, Carlos poderia ter desistido.

Mas não desistiu.

Procurou trabalho em um restaurante, apresentou-se como alguém que entendia de cozinha e começou a trabalhar como auxiliar. Fazia o almoço, preparava sucos, atendia telefone, ajudava nas mesas e fazia tudo o que fosse necessário. Ao mesmo tempo, continuava acreditando que o clube seria reaberto.

Quando finalmente recebeu autorização para voltar, veio outro problema: a chuva. Foram quase 30 dias de tempo ruim. E quem iria a um clube em meio àquele cenário?

Carlos encontrou uma solução: criou uma galinhada para os sócios. A comida seria gratuita e cada pessoa pagaria apenas aquilo que consumisse. Cerca de 60 pessoas participaram. Aquele almoço mudou tudo.

As pessoas provaram seu tempero, conheceram seu trabalho e começaram a falar sobre ele. A galinhada virou tradição. Depois, o almoço passou a ter um preço acessível: cinco reais, depois dez, quinze, vinte. O cardápio foi crescendo e se aprimorando.

Aos poucos, os sócios começaram a retornar. O clube voltou a ter movimento. Carlos passou a oferecer almoços aos domingos, porções generosas, caldos e petiscos. Sua comida tornou-se conhecida e, principalmente, seu jeito de tratar as pessoas passou a ser uma das marcas de seu trabalho.

Ele acredita que não importa qual seja a condição financeira de quem entra em seu estabelecimento. Todos devem ser tratados da mesma maneira. É possível encontrar ali pessoas de diferentes classes sociais, famílias, trabalhadores, crianças, empresários, pedreiros e moradores da cidade. Para Carlos, todos são clientes, mas antes de tudo são pessoas.

Talvez seja justamente por isso que tenha construído tantos vínculos. Ele se emociona ao falar das crianças que frequentam seu espaço. Certa vez, uma menina da vizinhança recebeu dele uma simples bala e disse: “Você é o meu melhor amigo.” Para Carlos, aquilo teve um valor muito maior do que qualquer dinheiro.

Ele também se lembra de crianças que chegam procurando por ele, querendo contar novidades, conversar e receber atenção. São pequenos gestos que, para ele, representam uma das maiores riquezas que a vida pode oferecer.

O restaurante nasceu justamente desse caminho. Depois do trabalho no clube, Carlos e Shirley perceberam que as pessoas já procuravam sua comida. A clientela cresceu e eles decidiram abrir um restaurante próximo ao supermercado do Roberto.

Depois de aproximadamente um ano, surgiu uma nova oportunidade: o restaurante Varandas. Carlos foi conhecer o espaço. Olhou, pensou e decidiu acreditar. Shirley teve receio. Mas ele respondeu com a convicção que o acompanha desde menino: “Se Deus tem honrado a gente até aqui, Ele não vai abandonar a gente.”

O proprietário ainda tinha outras pessoas interessadas. Passaram-se dias, depois semanas, até que veio a pergunta: “Você ainda está de pé?” Carlos estava. E fechou o negócio.

Na semana de abertura, havia ainda o desafio do Carnaval. O movimento poderia ser incerto. Mas, no primeiro sábado, o restaurante lotou. No domingo, novamente cheio. As pessoas começaram a conhecer o novo espaço, reconhecer o trabalho de Carlos e Shirley e fazer daquele lugar uma extensão da própria casa.

Hoje, o restaurante representa muito mais do que um negócio. É uma família. Carlos conta que aproximadamente dez a doze famílias têm algum vínculo profissional com o empreendimento, além dos trabalhadores que chegam como freelancers nos finais de semana. Seu filho também trabalha ali.

A história familiar, que começou com dificuldades, hoje encontra uma nova forma de continuidade.

E Carlos não esquece de onde veio. Ele sabe que passou fome. Sabe que já teve vontade de ter um brinquedo e não pôde, que já desejou um videogame e não tinha dinheiro, que já comeu o que encontrava no lixão e que já trabalhou em condições difíceis.

Mas também sabe que nada disso lhe deu o direito de desistir ou de escolher o caminho errado. “Eu tive uma infância muito ruim. Mas isso me deu mais força para vencer, lutar e guerrear.” Essa talvez seja uma das frases que melhor resumem sua trajetória.

Carlos poderia ter usado as dificuldades como justificativa. Escolheu usá-las como combustível.

Hoje, além do restaurante, realiza pequenas recepções e eventos. Já serviu muitas famílias e pessoas conhecidas da região e descobriu no trabalho com alimentação mais uma maneira de exercer sua criatividade e seu talento.

Mas ainda existe um sonho: ter sua própria sede, seu próprio espaço, um lugar que seja definitivamente dele. E ele sabe que ainda tem muito a conquistar.

Porque, para ele, trabalho é cansaço e realização. É esforço e sonho. É queda e recomeço.

Quando perguntado sobre sua família, responde sem hesitar: ela é a base de tudo. Sobre a fé, também não hesita: “Deus é maravilhoso. Toda honra e toda glória são Dele. Tudo que eu tenho e tudo que eu sou, eu devo a Deus.”

Sobre o filho, Carlos Augusto, não precisa de muitas palavras: “É o amor da minha vida.” Sobre sua mãe: “Minha mãe é minha rainha. É meu mundo.”

E sobre a vida, talvez tenha encontrado uma das definições mais bonitas em sua própria trajetória. Para Carlos, a vida é feita de jornadas. Existem degraus que subimos e outros que precisamos descer. Existem momentos de medo, momentos de dificuldade e momentos em que tudo o que precisamos é de um abraço.

Às vezes, é preciso reconhecer um erro. Às vezes, pedir perdão. Às vezes, simplesmente continuar.

“A vida é viver, a vida é sonhar, a vida é crescer. A vida é tudo isso que a gente está vivendo hoje.”

E talvez seja justamente por isso que Carlos faça questão de registrar sua história. Porque ele sabe que um dia seus filhos, netos e bisnetos poderão perguntar de onde ele veio. E ele quer que saibam.

Que conheçam a história do menino que nasceu em Belo Horizonte, cresceu em meio a dificuldades, chegou a Lagoa da Prata aos 13 anos, trabalhou no lixão, vendeu coisas nas ruas, enfrentou a fome, tornou-se pai muito jovem, trabalhou em fábricas, restaurantes, rifas e usinas, descobriu seus talentos, empreendeu, caiu, recomeçou, encontrou Shirley, construiu uma família e transformou sua própria história por meio do trabalho e da fé.

Ele quer que saibam que não foi fácil. Mas foi possível.

E, quando fala aos jovens que estão chegando ao mercado de trabalho, sua mensagem nasce da experiência de quem aprendeu cedo que ninguém constrói uma vida de verdade sem perseverança.

Nenhum trabalho é fácil. Nenhum começo é pequeno. É preciso ter sonhos. É preciso ter foco. É preciso acreditar em si mesmo. E, acima de tudo, é preciso ter sabedoria.

Carlos lembra o pedido de Salomão a Deus: sabedoria. Para ele, essa é uma das maiores riquezas que um jovem pode buscar. Porque o salário pode ser alto ou baixo, mas, sem sabedoria, não se sabe o que fazer com aquilo que se conquista.

Ele também aprendeu que o tempo tem um valor que dinheiro nenhum consegue comprar. Já passou semanas longe de casa trabalhando, viajando e buscando melhores oportunidades. E sabe que, ao ganhar dinheiro, muitas vezes também se perde tempo com aqueles que se ama. E o tempo não volta.

Hoje, Carlos olha para trás e agradece até mesmo pelas dificuldades. Agradece pela fome que enfrentou, pelas oportunidades que surgiram, pelas portas que se fecharam, pelas pessoas que permaneceram e pelas que partiram. Agradece pela mãe, pela avó, pelo filho, por Shirley, pelos amigos, pelos companheiros de trabalho, pelas pessoas que acreditaram nele e, sobretudo, por Deus.

Aquele menino que um dia pedalava de bicicleta pelas ruas de Lagoa da Prata, voltando do trabalho, parava, ajoelhava-se e agradecia por mais um dia, tinha um sonho simples: ter uma casa naquela cidade.

Hoje, ele tem. A casa é simples, mas é dele. Tem seu carro. Tem sua moto. Tem sua família. Tem seu restaurante. Tem seus funcionários. Tem seus amigos. Tem sua história.

E tem algo que nenhum patrimônio é capaz de comprar: a certeza de que venceu sem esquecer quem era.

Carlos Augusto não chegou até aqui porque a vida lhe facilitou o caminho.

Chegou porque aprendeu a caminhar mesmo quando o caminho era difícil.

Porque entendeu que oportunidade não é algo que simplesmente aparece.

Muitas vezes, é algo que se constrói.

Porque descobriu que o pouco pode se tornar muito quando existe gratidão. E porque, desde muito cedo, aprendeu uma verdade que carrega até hoje: quando não há recursos, ainda pode existir coragem; quando não há respostas, pode existir fé; e quando tudo parece impossível, ainda é possível começar de novo.

Sua história não termina aqui. Porque Carlos ainda sonha. Ainda trabalha.

Ainda acredita. Ainda quer crescer. Ainda quer construir sua sede própria.

Ainda quer realizar novos projetos.

E talvez essa seja a maior beleza de sua trajetória: depois de tudo o que viveu, ele não olha para a vida como uma história encerrada. Ele olha para ela como uma nova oportunidade todos os dias.

Carlos Augusto é, acima de tudo, a história de um homem que transformou dificuldades em força, trabalho em dignidade, fé em caminho e sonhos em realidade.

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gabriel

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Consultor de Marketing digital. Design gráfico.