Cleide Costa Menezes
Cleide Menezes
Uma vida dedicada à educação, à família e ao amor pelo ser humano
Cleide Maria da Costa Menezes nasceu em Santo Antônio do Monte, no dia 16 de fevereiro de 1949, filha de Francisca Pinto da Costa e Antônio Rodrigues Costa. Orgulha-se de ter conhecido os avós, entre eles Cícero Indelézio de Sousa e Maria de Castro, a querida vovó Maricas, proprietários do antigo Hotel Santo Antônio, que já não existe mais. Sua infância foi marcada por ternura, curiosidade e aromas inesquecíveis — como o doce de goiaba preparado pela avó, no quintal cheio de árvores frutíferas.
Foi uma criança muito amada e paparicada, especialmente por ser a primeira neta. Recorda com carinho da boneca de louça trazida por seu avô de São Paulo, um presente que a fez sentir-se única. Ainda menina, era fascinada pelos patinhos e passava horas observando-os com encantamento.
Estudiosa e participativa, fez a catequese com dona Maria Lacerda, professora exigente que marcou sua formação. Cursou o ensino fundamental nas escolas Valdomiro de Magalhães Pinto, Dom Bosco e, mais tarde, no colégio Senhora de Fátima (hoje Chave do Saber). Desde cedo, demonstrava amor pela natureza e pelo ensino — plantava árvores e ajudava nas atividades escolares com entusiasmo.
Formou-se em Magistério e, aos 18 anos, foi convidada por dona Maria Angélico de Castro para lecionar nas classes anexas. Foi professora de inúmeras crianças que hoje se destacam profissionalmente. Mais tarde, passou em concurso público e foi lotada na Escola Amâncio Bernardes, iniciando uma trajetória brilhante na educação.

Com o primeiro salário, trabalhou na loja da dona Dalva e comprou uma estola de pele — lembrança que conserva até hoje com carinho. Na juventude, viveu tempos inocentes e românticos. Conheceu Eli, seu grande amor, quando tentava arrumá-lo para uma amiga, mas ele acabou declarando que queria mesmo era namorar com ela. Cleide tinha 14 anos.
Casaram-se em 13 de fevereiro de 1971, após oito anos de namoro e um de noivado. Tiveram quatro filhas: Roberta, Juliana e as gêmeas Mariela e Isabela. A família foi seu maior projeto de vida. Lembra com emoção da festa de 15 anos, organizada com sacrifício e amor pela mãe, e da toalha branca onde todos os convidados assinaram — uma lembrança preciosa de tempos que não voltam.
Em 1972, mudou-se para Virgínia (MG), acompanhando o marido, funcionário do Banco Nacional. Lá, trabalhou como orientadora educacional no Colégio Sagrado Coração de Jesus, instituição de grande porte e referência na cidade.
O nascimento inesperado das gêmeas foi um dos momentos mais marcantes de sua vida — uma bênção que chegou quando menos esperava, trazendo alegria redobrada. Anos depois, a família se mudou para Divinópolis, e Cleide seguiu atuando na educação, conciliando a profissão com os desafios familiares.
Mulher de fé, fez parte do Apostolado da Oração e, movida pela devoção, passou um dia inteiro em oração na igreja de São Judas Tadeu, em Belo Horizonte, pedindo pela aprovação da filha Roberta no vestibular da UFMG — e o pedido foi atendido.

Mesmo diante das dificuldades financeiras, especialmente quando o marido ficou desempregado, nunca perdeu a esperança. Com coragem e o salário de professora, sustentou a família e garantiu os estudos das filhas.
Detentora de uma trajetória exemplar no magistério, Cleide conquistou posições por mérito e concurso, sempre nos primeiros lugares. Foi diretora da Escola Amâncio Bernardes por dez anos, dirigiu também o IMAC e trabalhou na Superintendência Regional de Ensino e no órgão municipal de educação.
Após a aposentadoria, dedicou-se à Psicopedagogia, área que abraçou com paixão. Criou um espaço no shopping da cidade, onde atendeu inúmeras crianças com sensibilidade e compromisso, muitas vezes de forma voluntária. Desenvolveu trabalhos de ludoterapia e descobriu, através do brincar e do desenho, caminhos para curar feridas emocionais e resgatar a autoconfiança de seus pequenos pacientes.
Casos marcantes atravessaram sua trajetória — crianças que reencontraram o prazer de aprender, jovens que superaram traumas e famílias que voltaram a sorrir. Diagnosticou precocemente síndromes raras, como a Síndrome de Williams, e sempre manteve um olhar atento, ético e humano sobre cada história.
Hoje, mesmo após enfrentar problemas de saúde, continua a atender pontualmente em casa, movida pela vocação e pelo amor ao próximo. Valoriza abordagens que priorizam o equilíbrio emocional e a terapia comportamental, acreditando que cada criança tem dentro de si o potencial para se reerguer.
Para Cleide, a vida é uma construção constante. Acredita que é aqui, neste mundo, que o ser humano se aperfeiçoa e se molda todos os dias. Seu lema é simples e profundo: “Ser amanhã melhor do que fui hoje.”
Apaixonada por reunir a família, Cleide adora o tradicional frango de domingo, o pão de queijo e os bolos que saem de seu forno com o mesmo carinho com que ensinava seus alunos. Mesmo após a cirurgia cardíaca, mantém o hábito de cozinhar e de celebrar a vida, sempre cercada pelos que ama.
Festeira e cheia de energia, organizou memoráveis festas temáticas dos anos 60, com decoração impecável, boa música e alegria contagiante. Suas canções favoritas — Moon River, Love Me Tender e Bésame Mucho — continuam sendo trilha sonora de sua alma sensível e romântica.
E quando fala aos jovens, deixa uma lição que resume toda a sua caminhada:
“Tenham responsabilidade, perseverança e criatividade. A palavra de honra é o que define quem somos.”