Juarez Faustino
Juarez Faustino nasceu em 21 de novembro de 1945, em Santo Antônio do Monte (MG). Caçula de sete irmãos, filho de Vicente e Xanduca, teve uma infância simples, marcada pela luta diária e pela perseverança. Ainda menino, caminhava descalço pelas estradas, vendia balas e engraxava sapatos para guardar dinheiro e ajudar nas pequenas despesas. Desde cedo revelou prudência, disciplina e senso de responsabilidade: enquanto os colegas gastavam o que ganhavam, ele sempre poupava, aprendendo na prática o valor do trabalho e da economia.
No dia 19 de novembro de 1969, Juarez conheceu o grande amor da sua vida: Maria Clarice Silva Couto. O primeiro encontro foi casual — ele passou de moto pela rua onde Clarice estava, e eles se olharam. Pouco tempo depois, começou o namoro, que aos poucos se fortaleceu e se transformou em encontros e cartas apaixonadas. Namoraram por três anos, ficaram noivos por mais dois e se casaram em 21 de dezembro de 1974, com cerimônia civil na casa dos pais dela, João Narciso e Judite, e celebração religiosa na Igreja Nossa Senhora da Guia, em Divinópolis. O sogro, João Narciso, teve papel especial na vida de Juarez: a relação entre eles era marcada por confiança, respeito e afeto paterno.
Para os sogros, Juarez era mais que genro, era um verdadeiro filho, valorizado pelo caráter admirável e pela forma como cuidava da família. A lua de mel foi em Araxá, e desde então Juarez e Clarice construíram uma vida a dois pautada no respeito, na união e na fé. Dessa união nasceram os filhos Fernanda, Leandro e Fabiana.
O casal também viveu a dor da perda precoce da filha Cinara, falecida aos 4 meses, experiência que fortaleceu ainda mais o laço entre os dois. Juarez começou sua trajetória profissional de forma simples: revendendo gado, comprando animais e investindo em pequenas criações. Foi sócio do senhor Antônio Teixeira, de quem se tornou amigo e parceiro leal. O dinheiro obtido com o comércio de carvão foi reinvestido na fazenda, alavancando os negócios. Visionário, foi um dos pioneiros no município a adotar técnicas modernas no campo, introduzindo ordenha mecanizada, inseminação artificial e genética de gado holandês, além da mecanização com tratores. Esse olhar inovador fez dele referência no agronegócio local, inspirando fazendas vizinhas e atraindo empresas para dias de campo, palestras e exposições em sua propriedade. Juarez também teve papel ativo na comunidade rural: foi membro fundador da cooperativa de crédito Credimonte e atuou por mais de nove anos como presidente do Sindicato Rural. Leandro desde os 12 anos, participava de exposições agropecuárias, levado pelo pai para que ele aprendesse o valor do trabalho no campo. ara os filhos, Juarez foi exemplo de amor, disciplina e generosidade. Apesar das responsabilidades, sempre transformava o trabalho em momentos de aprendizado e prazer: levava-os para ver o nascimento de bezerrinhos, para ordenhar vacas ou subir em tratores. Era rígido no olhar, mas doce nas atitudes.
Preocupava-se em dar liberdade de escolha: incentivava os estudos, apoiava decisões profissionais e nunca impôs a sucessão na fazenda, desejava que fosse escolha dos filhos. A fé era alicerce da família: rezavam juntos, especialmente o terço, e Juarez jamais tomava decisões sem antes pedir a Deus orientação. Leandro lembra, que recentemente, quando voltaram no médico e viram os exames com os resultados muito bons, perguntaram se não havia algo, mesmo que fosse experimental que fizessem com que o pai voltasse a ativa e o médico disse que pelo que havia vivido teria mais de 150 anos, cada ano produziu muito mais que qualquer outra pessoa, e era que este feito, merece muito respeito. Juarez acompanhou com alegria a formação das famílias dos filhos. Fernanda dedicou parte da vida à fazenda, mas tem como paixão as viagens e o contato com novas culturas, hoje ela e a esposa, Dra. Alessandra, cuidam da Fazenda Esperança. Leandro, está à frente da fazenda FAGRO, e também na direção do sindicato rural, casado com Lorena, é pai de João, nascido no mesmo dia do aniversário de seu avô João Narciso, além de Vitor e de um terceiro filho a caminho. Fabiana, casada com Fernando André, é mãe de Benício, e segue próxima da fazenda, conciliando a vida familiar com a missão de honrar o legado do pai. Juarez sempre esteve presente nos momentos importantes, como os casamentos dos filhos, e nos netos sempre viu a continuidade de sua história.
Com o tempo, os filhos assumiram responsabilidades das fazendas; Nova Esperança e FAGRO. Juarez era visto como líder nato, respeitado e confiável. Sabia que prosperar não era apenas enriquecer, mas dar sustento e oportunidade a outros.
Clarice, sua esposa, resume sua vida em uma palavra: amor. O amor que superou dificuldades, que se multiplicou nos filhos e netos, que fez da família sua maior alegria. *Fabiana: “Procurem fazer o que gostam. O segredo do sucesso é transformar o trabalho em prazer, como nosso pai fazia. Ele nos ensinou que a vida vale a pena quando é vivida com amor e leveza.” Fernanda :* “É preciso pagar o preço da escolha. Nosso pai foi um guerreiro, nosso herói. Ele nos ensinou que fé e valores são fundamentos de qualquer vida e de qualquer negócio.” Leandro: * “Família é a base de tudo. Respeitem as origens e não deixem para trás as raízes, mesmo em tempos de tecnologia. No campo aprendemos o valor da espera, da natureza e da simplicidade.” Juarez Faustino foi mais que um agricultor e criador de gado. Foi um dos precursores do avanço do agronegócio em Santo Antônio do Monte, cuja influência se estendeu a Lagoa da Prata e diversas outras cidades.

Homem de poucas palavras e muitas ações, deixou como herança não apenas terras e empreendimentos, mas, sobretudo, um patrimônio de valores, fé, amor e exemplo de vida. Seu legado continua vivo na família, na fazenda, nas histórias contadas e no respeito conquistado ao longo dos anos. Para todos que o conheceram, Juarez Faustino permanece como símbolo de trabalho, liderança e esperança. E no final desta reportagem, a jornalista Mônica Garcia, dirigiu-se até o Sr. Juarez Faustino, para cumprimentá-lo e dizer que ouviu da sua família sobre o seu legado e ele olhou o horizonte como se agradecesse à Deus, fez um semblante que esboçava um sorriso enquanto os olhos brilhavam refletindo a beleza de um horizonte que só ele viu e disse então; então tá bão! Então tá bão, uai.

