HONRA AO MÉRITOMelhores Profissionais

Márcio José Gonçalves Pereira

Márcio José Gonçalves Pereira nasceu em Itapecerica, Minas Gerais, no dia 23 de abril de 1964. O mais novo de seis irmãos, veio ao mundo cercado por desafios desde os primeiros dias de vida. Seu pai, José Sinésio Pereira, funcionário público estadual e delegado fiscal coletor, faleceu em um trágico acidente automobilístico quando Márcio tinha apenas um mês e meio de idade. Conheceu o pai apenas pelas histórias contadas e pelas fotos antigas que guardam sua memória.

A sociedade de Itapecerica sempre se referiu a José Sinésio como um homem honesto, íntegro e profundamente religioso, um católico fervoroso e respeitado por todos. Essas lembranças, transmitidas por familiares e amigos, tornaram-se referências que moldaram o caráter de Márcio — uma figura paterna ausente fisicamente, mas sempre presente em valores e exemplo.

A mãe, Maria Imaculada Gonçalves Rosa, carinhosamente conhecida como Dona Dadá, foi uma mulher admirável. Morena, bela e de temperamento doce, era uma cozinheira de mão cheia, daquelas que transformavam o simples ato de cozinhar em um gesto de amor. Em sua casa, o almoço mais especial não era o de domingo, como na maioria das famílias, mas sim o do sábado — dia em que ela reunia todos os filhos para as tarefas domésticas e, enquanto limpavam e arrumavam a casa, ela preparava com carinho o almoço que unia a todos.

Dona Dadá tinha o costume de comprar a carne da semana no açougue da cidade, onde o açougueiro, em sinal de apreço, sempre lhe oferecia alguns “mimos” — cortes simples e pouco comuns, como coração de boi ou miolo —, que ela transformava em verdadeiros banquetes de afeto. Até hoje, o doce de figo é, para Márcio, uma lembrança viva e simbólica da mãe: um sabor que remete ao lar, à infância e à ternura dos gestos maternos.

Entre os irmãos, Márcio ocupa o lugar de caçula. São eles: Ariana, a irmã mais velha, que assumiu o papel de tutora e o criou com amor e firmeza; Márcia, Francisco, Júnior e Ricardo, todos formaram suas famílias e trilharam caminhos próprios, mas mantiveram sempre a união que caracteriza o legado de Dona Dadá.

Seu pai, por exercer um cargo público que exigia constantes viagens, percorreu diversas cidades de Minas Gerais. Em uma dessas idas e vindas conheceu Maria Imaculada, na cidade de Casa Branca, interior de São Paulo. José Sinésio havia sido casado anteriormente, mas não teve filhos. Após a separação, pediu transferência e foi designado para o sul de Minas, região próxima à divisa com São Paulo. Frequentava uma loja maçônica em Casa Branca, pois na cidade onde residia, São Sebastião, não havia uma. Foi ali que conheceu a mulher que se tornaria sua companheira e mãe de seus filhos.

Com a morte precoce do pai, a família permaneceu em Itapecerica. Graças à influência e ao prestígio que José Sinésio deixara tanto no Estado quanto na Maçonaria, a mãe conseguiu uma vaga como funcionária pública na repartição fazendária, o que lhe garantiu certa estabilidade para sustentar os filhos.

A infância de Márcio foi simples, mas marcada por valores sólidos e momentos de ternura. A ausência paterna e, mais tarde, a perda precoce da mãe, quando ele tinha apenas 13 anos, deixaram marcas profundas, mas também despertaram nele um senso precoce de responsabilidade e resiliência.

Em 1970, os irmãos deixaram Itapecerica e se mudaram para Divinópolis, em busca de melhores oportunidades. Foi lá que Márcio começou a trabalhar muito jovem — com apenas 13 anos de idade, ingressou na Siderúrgica Pains (atual Gerdau) como office boy, dando início a uma trajetória profissional que refletiria seu espírito determinado e incansável.

Sempre ousado e inconformado com a estagnação, Márcio se destacava por sua disposição em aprender e por sua vontade de crescer. Acreditava que o tempo não podia ser desperdiçado e que a verdadeira vitória estava em progredir com esforço e dignidade.

Dentro da siderúrgica, foi conquistando espaço e respeito, até alcançar cargos de confiança em uma empresa de grande porte, um feito que parecia inalcançável para quem havia começado tão jovem e em condições tão humildes.

Aos 22 anos, retornou para sua cidade natal, Itapecerica, trazendo consigo as lições de uma juventude batalhadora. A vida, até então, tinha sido feita de privações e superações, mas também de amizades verdadeiras e conquistas pessoais. Ele se recorda, com ternura, dos tempos em que frequentava com os amigos os fliperamas de Divinópolis — quando, sem dinheiro, esperava que os outros terminassem suas fichas para poder jogar. E quando finalmente recebeu o primeiro salário, fez questão de retribuir: fechou o fliperama e pagou todas as partidas para os amigos, celebrando, com generosidade, sua primeira vitória pessoal.

Naquele tempo, trabalhar na siderúrgica era sinônimo de prestígio e estabilidade. O salário era excelente — cerca de 12 salários mínimos —, e Márcio via naquele trabalho o reconhecimento por sua dedicação. No entanto, o coração o levou por outro caminho. Apaixonado por Norma, jovem moradora de Itapecerica, decidiu deixar o emprego em Divinópolis para viver mais perto dela.

O relacionamento com Norma começou quando ele tinha 17 anos e ela apenas 13. Um amor adolescente que amadureceu com o tempo e se transformou em uma história de vida. Namoraram por 11 anos, um relacionamento cheio de desafios, aprendizados e cumplicidade. Embora tenham enfrentado períodos de separação e incerteza, o sentimento permaneceu firme — um elo que o acompanharia por toda a vida.

Depois do término do noivado com Norma, Márcio viveu uma das fases mais desafiadoras de sua vida. Era um período de incertezas, de poucos recursos e de alma ferida, mas também um tempo de profundas lições e amadurecimento. Do acerto financeiro que fez em  Divinópolis, fez investimentos  que não foram bem-sucedidos, outros colocou nas mãos de pessoas erradas e um dia sentado em uma praça de Itapecerica, com apenas uma moeda de cinquenta centavos no bolso, que havia sobrado dessa fase da sua vida, ele comprou um doce de abóbora — o último prazer que o dinheiro lhe permitia naquele momento. Comeu devagar, saboreando cada pedaço, como se quisesse prolongar o sabor para além da dor que sentia. Aquele gesto simples simbolizava o início de um recomeço: o renascimento de um homem que aprenderia a transformar o pouco em muito, e o sofrimento em força.

O destino, generoso com os que perseveram, logo lhe trouxe um novo caminho. O pai de Norma, reconhecendo em Márcio um jovem de caráter, convidou-o para trabalhar com ele, mesmo após o fim do relacionamento com sua filha. Sem saber quanto ganharia ou o que faria, aceitou o desafio. Passaram-se sessenta dias sem salário — tempo suficiente para testar sua paciência e fé — até que uma reviravolta inesperada mudou o rumo de sua história. Em uma viagem a Marachá, ao ajudá-lo a colocar malas no carro, Márcio recebeu um pacote de dinheiro das mãos do sogro. Era o início de uma nova fase, marcada pelo reconhecimento de seu valor e pelo fortalecimento de laços que, mais tarde, se transformariam em uma relação familiar sólida e afetuosa.

A convivência e o trabalho conjunto fizeram com que Márcio e Norma reatassem. Dessa união nasceram não apenas uma família, mas também uma parceria de vida e fé. Norma, de personalidade serena e generosa, tornou-se o alicerce de sua caminhada.

Com o tempo, Márcio construiu uma carreira de respeito, sempre guiado pela ética e pelo exemplo herdado do pai que não conheceu, mas cuja presença espiritual o acompanhava em cada decisão. Dizia sentir sintonia com ele — um vínculo silencioso, forte e moral. Nos momentos difíceis, conversava com o pai em pensamento e, de alguma forma, sentia-se amparado pelas respostas que vinham do coração.

Aos 38 anos de idade, quando o filho mais velho, Márcio Júnior, passou no vestibular de Medicina, o pai decidiu que também era hora de voltar a estudar. Tinha interrompido os estudos na oitava série, mas o desejo de evoluir falou mais alto. Fez o EJA, prestou vestibular e foi aprovado no curso de Administração, formando-se com distinção. Norma, à época, queria que ele cursasse Direito, mas ele preferiu seguir o caminho que mais combinava com sua essência prática e estratégica.

Determinado e exigente consigo mesmo, Márcio sempre se destacou pelo perfeccionismo e pela dedicação. Cada tarefa era para ele uma missão — e cada desafio, uma oportunidade de provar que o esforço é o verdadeiro caminho do sucesso.

Com o passar dos anos, sua espiritualidade floresceu de forma mais profunda. Junto de Norma, tornou-se um casal ativo na igreja: foi ministro da palavra, do matrimônio, do batismo e das exéquias. Pregou inúmeras vezes, batizou, abençoou uniões e confortou famílias em despedidas. Era um homem de fé viva e atuação constante.

Com o tempo, sentiu o chamado para algo ainda maior e decidiu ingressar na Escola Diaconal, buscando o diaconato permanente. Estudou teologia e refletiu sobre o significado da entrega ao serviço divino. Quando estava prestes a receber o sacramento, sentiu a necessidade de uma pausa: o peso da responsabilidade o levou à reflexão. Procurou o bispo para partilhar suas dúvidas, e este, ao perceber a sinceridade de sua fé, aconselhou-o a cursar Psicologia antes de tomar a decisão definitiva. Disse-lhe que seria um ganho se todos os candidatos tivessem a mesma consciência e prudência.

Márcio seguiu o conselho. Distanciou-se um pouco das funções eclesiais mais intensas, mantendo-se como leigo atuante, mas disposto a se reinventar. Dedicou-se aos estudos com a mesma devoção que sempre teve pelo trabalho e pela fé.

E foi na Psicologia que encontrou sua verdadeira vocação — o propósito que unia razão, espiritualidade e amor ao próximo. Descobriu que o servir ao outro poderia ser também um caminho de cura pessoal.

Depois de 40 anos de trabalho em grandes empresas, com conquistas materiais, prestígio e estabilidade, percebeu que a felicidade não estava apenas nos resultados, mas no significado do que se faz. A virada veio aos 56 anos de idade, quando entendeu que sua missão era escutar, acolher e orientar pessoas. Ao ver um paciente recuperar o brilho nos olhos, sentia-se como um anjo aliviando dores invisíveis.

Iniciou-se na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que trabalha os comportamentos e pensamentos atuais do paciente para compreender a origem de suas dores. Com o tempo, porém, apaixonou-se pelo Humanismo e pelo Existencialismo, que colocam o ser humano no centro de sua própria cura. Acreditava que cada pessoa, mesmo diante da dor, possui dentro de si a força necessária para se reerguer.

Um dos casos mais marcantes de sua trajetória foi o de um jovem de 31 anos com sequelas graves de uma encefalopatia hipóxico-isquêmica neonatal — uma asfixia ocorrida no parto que comprometeu áreas cerebrais. A história inspirou sua tese de mestrado e o desafiou a criar protocolos de atendimento que devolvessem qualidade de vida ao paciente e à família. O processo exigiu sensibilidade, estudo e um profundo senso de humanidade.

Outros casos também o marcaram profundamente, como o de uma paciente que, durante a sessão, revelou intenção de suicídio. Márcio, amparado pela ética e pelo instinto de cuidado, conseguiu intervir a tempo. Acionou o psiquiatra e o SAMU, e a paciente foi internada em segurança. Hoje, está recuperada e mantém com ele laços de gratidão e amizade.

Para ele, a recompensa maior é ver o outro renascer. Saber que suas palavras e sua escuta puderam abrir portas para novas possibilidades é o que dá sentido à sua vida.

No exercício da psicologia, Márcio ampliou seu campo de atuação, prestando serviços à comunidade, em escolas, centros de saúde e instituições sociais. Um dos trabalhos que mais o tocou foi no Educandário São João Batista, que acolhe 120 crianças em situação de vulnerabilidade. Lá, desenvolveu ações voltadas à saúde emocional e à reconstrução de vínculos afetivos.

Atua também em Programas de Saúde da Família (PSF) em Engase e Rosário, prestando atendimento psicológico pela prefeitura, além de realizar um trabalho admirável em residências terapêuticas, como a de Cajurú, que acolhe pacientes diagnosticados com esquizofrenia.

Ver o progresso dessas pessoas — o primeiro sorriso, a retomada da fala, o simples gesto de escolher a própria roupa ou escovar os dentes sozinho — é, para ele, motivo de profunda realização. Acredita que cuidar do outro é enxergar o ser humano por trás da dor, e que toda existência, por mais sofrida que pareça, ainda pode florescer.

A psicologia, para Márcio, é um ministério da alma. Não a exerce por interesse financeiro, mas por amor. Diz que a maior recompensa é ver o paciente entrar cabisbaixo e sair leve, pronto para recomeçar. Para ele, o sucesso está em poder dar alta e dizer: “Você está bem, e quando precisar, estarei aqui.”

Em meio às conquistas profissionais e à descoberta de sua vocação na psicologia, Márcio construiu também o maior de todos os seus legados: a família. Casado com Norma, mulher de fé, serenidade e coração generoso, vive uma relação pautada no companheirismo e na admiração mútua. Juntos, formaram um lar sólido, onde o amor e o diálogo sempre foram os pilares mais firmes.

Em sua caminhada, Márcio viu a vida florescer também na geração seguinte. Seu filho Márcio Pereira Júnior uniu-se a Daminana Nunes, mulher de fé e serenidade, com quem partilha o mesmo propósito de vida pautado na espiritualidade e nos valores familiares.
Matheus Samambaia construiu sua família ao lado de Ana Carolina, e dessa união nasceu a pequena Maria Alice, netinha amada que trouxe ainda mais luz e alegria ao lar dos avós e um segundo netinho ou netinha já está a caminho.

Norma, por sua vez, foi a companheira de todos os momentos: das alegrias, das lutas e das pausas necessárias. Com seu jeito calmo e olhar compreensivo, soube ser a voz que o trazia de volta ao centro sempre que o excesso de zelo o afastava do descanso. Juntos, construíram uma família que reflete o equilíbrio entre fé, afeto e sabedoria.

Ao longo da vida, Márcio descobriu que o sucesso não está no acúmulo, mas na plenitude de cada gesto. Nunca buscou riqueza ou títulos por vaidade, mas sim o contentamento de servir com propósito. Diz que o maior tesouro que conquistou foi poder olhar para trás e reconhecer o quanto cresceu como ser humano — e o quanto pôde contribuir para o crescimento dos outros.

Entre seus pacientes, é lembrado como alguém que escuta com os olhos e fala com o coração. Costuma dizer que “ninguém é problema, todos são processo”, e que cada vida carrega em si um pedido silencioso de acolhimento.

Nos consultórios, nas salas de aula, nas igrejas e nas rodas de conversa, sua presença inspira confiança e esperança. Sua trajetória é um exemplo de como a fé e o conhecimento podem caminhar juntos, nutrindo a alma e iluminando o caminho daqueles que o cercam.

Mesmo após décadas de trabalho intenso, Márcio mantém a mesma simplicidade de quando começou — o menino que dividia o doce de abóbora e o jovem que retribuía aos amigos as fichas do fliperama continua presente no homem maduro que aprendeu o valor das pequenas alegrias.

Hoje, aos 61 anos, ele vive a vida com gratidão e serenidade. O tempo já não é para correr, mas para contemplar. Vê em cada paciente uma oportunidade de servir, em cada sorriso uma bênção, e em cada novo dia um presente divino.

É impossível falar de Márcio sem mencionar sua profunda espiritualidade. Mesmo sem ter seguido formalmente o diaconato, ele o vive em essência. Em cada palavra, em cada gesto de empatia, há algo de sacerdotal — uma vocação que transcende rituais e habita o cotidiano.

Para ele, a fé é o eixo da existência, e o amor é a força que a sustenta. “Não é o sofrimento que engrandece o homem, mas a maneira como ele o enfrenta”, costuma dizer. Essa visão, nascida da própria história, o transformou em um verdadeiro mensageiro de esperança.

Em Santo Antônio do Monte e nas cidades onde atua, Márcio é reconhecido como referência em psicologia humanista e símbolo de integridade e empatia. Seu nome está associado à confiança, à ética e ao acolhimento.

Sua biografia é o retrato de quem viveu com intensidade e fé, de quem amou, trabalhou e serviu sem medir esforços. É a história de um menino que perdeu o pai antes de conhecê-lo e a mãe ainda na adolescência, mas que fez da dor o impulso para crescer e iluminar caminhos.

Márcio José Gonçalves Pereira é, antes de tudo, um exemplo de humanidade. Um homem que compreendeu que a felicidade não é um destino, mas uma forma de caminhar. Que o verdadeiro sucesso é estar em paz com quem se é, e que o amor é a linguagem universal capaz de curar as feridas da alma.


🌿 Com esta biografia, celebramos a trajetória de um homem que soube transformar a vida em propósito, o trabalho em missão e a fé em movimento. Sua história inspira e emociona porque é, acima de tudo, verdadeira.

 

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gabriel

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Consultor de Marketing digital. Design gráfico.