Renata Cristine de Oliveira
Renata Cristine de Oliveira nasceu em 10 de maio de 1977, em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais. Filha de Jair e Maria Aparecida, guarda no peito a gratidão pelo amor, apoio e ensinamentos que recebeu desde a infância. É irmã de Roberta, por quem nutre profunda admiração pela resiliência, e tia de Alice e Davi, duas crianças que enchem a família de alegria. Renata namora com Júlio César, companheiro escolhido para dividir sonhos e projetos.
A infância de Renata foi marcada por brincadeiras e por experiências que se tornaram vivências valiosas. Desde cedo, os livros ocuparam um lugar central em sua vida: não foram apenas passatempo, mas janelas para mundos e ideias. Ainda menina, foi tocada por O Pequeno Príncipe, obra que deixou marcas e ensinamentos que atravessariam o tempo. O lugar preferido na escola era a biblioteca, que frequentava com gosto, assim como a biblioteca municipal da cidade.
Na adolescência, Renata teve o primeiro encontro transformador com Vygotsky, ao ler Pensamento e Linguagem. Mesmo tendo apenas 14 anos na primeira leitura, a ideia das zonas de desenvolvimento lhe soou potente: entendeu, na sua intuição, que o aprender se dá com a presença do outro, que a mediação aproxima o potencial ao real. Ao refletir sobre quem compunha suas zonas de desenvolvimento proximal, pensou, carinhosamente, em sua mãe, seu pai, sua irmã e em todas as pessoas que a ajudaram a crescer.
O Magistério foi um espaço decisivo: ali, a professora Patrícia Melo apresentou Vygotsky sob outra luz e amplificou o interesse de Renata pelo autor. Mais tarde, na graduação, a professora Joana percebeu seu fascínio e incentivou seu aprofundamento. Outro nome que marcou sua formação foi a professora Puríssima, de Português, cuja maneira de ensinar despertou e consolidou o gosto pela leitura e pela escrita — processos que se revelariam fundamentais para sua carreira acadêmica e profissional.
Estudou do Pré-escolar (iniciando em 1983) até concluir o curso Técnico em Magistério de 1º grau na Escola Estadual Senhora de Fátima, em 1994. Foi no ambiente do Magistério que nasceu, de forma mais clara, o desejo de cursar Psicologia. Em 1995, prestou vestibular e ingressou no curso de Psicologia da Universidade do Estado de Minas Gerais / Fundação Educacional de Divinópolis, formando-se em 1999. Foi uma das alunas mais jovens da turma, fato que não a impediu de buscar a excelência: estudiosa e persistente, enfrentou com responsabilidade o desafio de se firmar num curso exigente, ganhando o respeito e o reconhecimento dos colegas e professores.
A vocação pela Psicologia Escolar surgiu em diálogo com o Magistério. Renata sempre pensou a escola para além do planejamento de aulas: imaginava maneiras de facilitar o processo de ensino e aprendizagem, de identificar e superar bloqueios, de envolver famílias e de articular ações com a equipe escolar. Essa sensibilidade acompanhou suas escolhas profissionais e acadêmicas.

Antes mesmo de concluir a graduação, buscou aprofundamento e formação complementar. Em 2001, concluiu especialização em Psicopedagogia Institucional pela Faculdade de Educação São Luís. Em 2003, formou-se especialista em Saúde Pública pela Universidade do Estado de Minas Gerais / Fundação Educacional de Divinópolis. Posteriormente, em 2012, concluiu especialização em Educação Inclusiva pela Universidade Cidade de São Paulo; em 2015, especialização em Formação Pedagógica para Profissionais da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais; e, em 2023, especialização em Neuroaprendizagem pela Faculdade Metropolitana. Em 2025, finalizou a especialização em Neurociências e Comportamento, reforçando seu compromisso com as evidências científicas e a formação contínua. Ainda em 2025, concluiu formações em Terapias Cognitivo-Comportamentais Contextuais pelo Centro de Estudos Avançados de Psicologia e pela Ello.
Foi mestra em Educação, Cultura e Organizações Sociais pela Universidade do Estado de Minas Gerais / Fundação Educacional de Divinópolis, concluindo o mestrado em 2008. Seu trabalho de dissertação abordou o adoecimento docente — tema sensível e relevante — e contou com o apoio e a abertura de gestores que acreditaram na importância de transformar pesquisa em prática. A direção de Arminda, então na primeira gestão como secretária de Educação, foi exemplarmente acolhedora, permitindo que Renata realizasse entrevistas e estudos que se tornaram a base de ações posteriores.
A trajetória profissional de Renata é marcada por múltiplos desafios e por uma busca contínua de impacto social. Entre 2000 e 2007, atuou na Indústria Brasileira de Fogos Samonte Ltda., no setor de Recursos Humanos e Gestão de Pessoas — um período de grande aprendizagem, em que Sr. Odil foi apontado como um profissional que muito a orientou. Foi uma experiência significativa em uma empresa que estava na vanguarda, com um setor de gestão de pessoas inovador para a época.
No campo da saúde pública, Renata atuou na Fundação de Saúde “Dr. José Maria dos Mares Guia”, entre 2010 e 2014, onde coordenou o Setor de Psicologia. Nesse período, participou ativamente de programas estaduais, como Viva Vida (com atenção à saúde da criança, saúde sexual e reprodutiva, prevenção e diagnóstico do câncer de mama e de colo do útero) e Hiperdia (com foco em hipertensão e diabetes). A equipe, sob a coordenação, realizou importantes iniciativas de cuidado integral e criação de redes de suporte. Recorda com carinho a ida a Porto Alegre com o Dr. Eugenio Vilaça e a Priscila, uma experiência que ampliou horizontes e práticas.

O reconhecimento de gestores foi uma constante. O Dr. Vilmar Filho apostou e investiu na equipe, acreditando na proposta de inovação na atenção às condições crônicas. O apoio institucional permitiu a implementação de laboratórios de inovação e novos arranjos de cuidado, nos quais Renata teve papel de destaque e aprendizado. Ao longo desse percurso, sempre valorizou a oportunidade de vivenciar a saúde coletiva em ação, de trocar saberes com estagiários e profissionais e de construir processos que fortalecessem o autocuidado e o empoderamento dos usuários.
Desde 2006, Renata integra a Secretaria Municipal de Educação de Santo Antônio do Monte, atuando nas escolas e nos Centros Municipais de Educação Infantil. Sua atuação ganhou uma expressão particular com a idealização, coordenação e execução do Projeto Socioemocional SER, iniciado em 2022, enquanto ocupava a direção do CEMAP no período pós-pandemia. O Projeto SER visa desenvolver habilidades socioemocionais — autoconsciência, autonomia, autoconfiança, empatia, integração social e tolerância — fundamentais para o bem-estar e o desenvolvimento das crianças.

A primeira intervenção do Projeto SER ocorreu na escola Marlene Miranda, que na época funcionava em salas emprestadas da escola estadual Padre Paulo. Renata foi pessoalmente dialogar com a direção, com as professoras e com a coordenação pedagógica, mapeando vulnerabilidades e definindo estratégias de intervenção. A lembrança de uma atividade realizada em uma turma do primeiro ano permanece como um marco: durante uma roda de conversa, uma roleta com emoções foi usada como gatilho para que as crianças compartilhassem experiências. Uma menina, tomada pela tristeza, pediu colo; a turma se mobilizou e abraçou a colega, oferecendo acolhimento e alívio. A cena foi decisiva: mostrou o potencial transformador do projeto e confirmou em Renata a convicção de que seu trabalho fazia sentido.
A partir desse primeiro momento, o Projeto SER expandiu para outras escolas, incluindo a escola Amâncio Bernardes, e, ao final do ano, já havia sido realizado em todas as escolas e SEMEIs do município. Em seguida, Renata retornou ao ponto de partida com novas demandas identificadas, e apresentou o Projeto NeuroAprender — uma iniciativa que estimula atenção, concentração, memória, percepção visual, coordenação motora e habilidades de raciocínio. O NeuroAprender também foi pensado para fortalecer as habilidades socioemocionais, criando oportunidades para o falar e o sentir, e alinhando práticas de atenção psicopedagógica com necessidades contextuais. Ela nutre um sentimento muito bonito de gratidão pela secretária de educação, Arminda Cabral, por acreditar na força transformadora dos seus projetos e abrir espaços para implantação.
O Projeto SER e o NeuroAprender chamaram a atenção de profissionais de outras cidades, que procuraram conhecer a metodologia e as dinâmicas aplicadas. No entanto, Renata sempre ressaltou que a operacionalização do projeto deve ser personalizada: cada comunidade escolar tem demandas específicas e exige adaptações cuidadosas para que o trabalho seja significativo e contextualizado. Em sua prática, a escuta profunda das professoras, das famílias e da rede de apoio tornou-se um princípio orientador.
O modo de trabalhar de Renata privilegia a criação de projetos a partir do que se observa em campo: não traz modelos prontos; constrói soluções com base nas necessidades locais e envolve outros profissionais para dar substância às ações. A participação ativa da equipe e da comunidade é condição para que as iniciativas se sustentem e se ampliem. Esse princípio — de que nenhum projeto avança sem pertencimento coletivo — permeia sua trajetória profissional.
Renata também acumulou experiência em coordenação e em atendimento à população. Em momentos em que coordenou programas, não deixou de atender individualmente, por acreditar que a prática e a gestão precisam dialogar para qualificar as propostas. Ao sair de uma instituição, deixou protocolos e documentos organizados para facilitar a continuidade do trabalho por parte de quem viesse depois — atitude que reflete seu compromisso com a responsabilidade institucional e com o dever cumprido.
Ao longo da carreira, enfrentou escolhas que demandaram equilíbrio e priorização. Em dado momento, optou por sair da Fundação de Saúde para dedicar-se ao meio acadêmico e a outros projetos, reconhecendo a necessidade de reorganizar seu tempo e foco. O gesto foi acolhido por gestores que agradeceram seu trabalho e enfatizaram que as portas permaneceriam abertas para futuras colaborações.
Profissionalmente, Renata foi uma referência em diferentes espaços: na indústria, na saúde e na educação. Em cada ambiente, procurou perceber a cultura organizacional antes de propor mudanças, dialogando e apresentando novas possibilidades alinhadas à realidade local. Ao final de projetos apresentados na indústria, por exemplo, recebeu o retorno positivo de gestores — como o Sr. Odil, Fernando e Priscila — que reconheceram o valor das propostas desenvolvidas.
No âmbito acadêmico, desde 2014 Renata integra o corpo docente e orientador de estágio do Centro Universitário UNA, lecionando disciplinas como Desenvolvimento Humano, Psicologia e Educação, Trabalho, Carreira e Gestão. Foi professora homenageada em 2015, 2016, 2017, 2019, 2020 e 2023, e escolhida como paraninfa em 2018. Participou de diversas bancas examinadoras, contribuindo para a formação de uma nova geração de profissionais.
Seu reconhecimento público inclui prêmios e honrarias: o Prêmio “Dr. José de Magalhães Pinto” (2008), a Honra ao Mérito (2009), o Prêmio “Maria Angélica de Castro” (2011), Moções de Aplauso (2012) e a distinção “Melhores do Ano” em 2025. Tais reconhecimentos são frutos de um trabalho consistente, pautado pela ética profissional, pela dedicação aos estudos e pelo compromisso com o bem-estar coletivo.
Renata resume sua prática em um princípio simples: estudar para além da teoria, levando o conhecimento para o manejo prático, personalizado e acolhedor. Para ela, o estudo sem interiorização corre o risco de permanecer apenas no campo das ideias; por isso, busca sempre transformar a teoria em cuidado sui generis, adequado a cada pessoa que acolhe. Cada especialização foi pensada como parte de um momento profissional, alimentando caminhos distintos — da psicopedagogia à saúde pública, da inclusão à neuro-aprendizagem.
A experiência nos programas estaduais e na Fundação de Saúde mostrou a importância de integrar atendimento, coordenação e educação em saúde. Em momentos de implantação de inovações, a participação de estagiários e a articulação com a rede de apoio foram estratégicas para ampliar o alcance das ações e fortalecer o autocuidado dos usuários. Ver transformações concretas foi, para Renata, a confirmação do sentido de sua escolha profissional.
Seu olhar voltado para a comunidade a levou a valorizar a divulgação dos feitos não como autopromoção, mas como forma de inspirar outras pessoas. Recebeu profissionais de outras cidades que levaram orientações e adaptações para suas realidades, sempre ressaltando a necessidade de personalização das dinâmicas.
Em meio à intensa vida profissional, Renata conserva hábitos e práticas que nutrem seu equilíbrio: dedica tempo à família, aprecia cafés da tarde, passeios pela cidade e pela fazenda, e valoriza a simplicidade das trocas afetivas. Considera a vida uma missão que se descobre caminhando — uma dádiva pela qual agradece diariamente, em orações espontâneas ao fim do dia, reconhecendo aprendizados e buscando aprimorar o amanhã.
Renata compartilha ainda o desejo de, um dia, registrar suas vivências em um livro que reúna dinâmicas e relatos de sua prática profissional. Pensa em um trabalho sensível, ético e jornalisticamente conduzido, com olhar que alcance leitores diversos. Embora, no momento, prefira não sobrecarregar-se com novos projetos, admite que traçar um plano organizado permitiria, em prazo razoável, a concretização desse sonho.
A mensagem que deixa aos jovens é de esperança e perseverança: “Acreditem que é possível realizar sonhos. Procurem aproximar de si pessoas que potencializem suas metas e não desistam diante das adversidades. Transformem obstáculos em desafios que fortalecem e edificam a trajetória.”
Com 25 anos de atuação profissional, Renata Cristine de Oliveira consolida uma trajetória marcada pela curiosidade, pelo compromisso com o estudo contínuo e pela vocação de transformar realidades. Seu legado é feito de projetos que tocam pessoas, de práticas que acolhem e educam, e de uma fé serena que a acompanha em cada novo dia.

