HONRA AO MÉRITOPersonalidades

Laiana Modesto

Há pessoas que passam pelos lugares. Outras deixam marcas. E existem aquelas que compreendem que pertencer é muito mais do que nascer em uma cidade: é escolher, todos os dias, trabalhar para que ela se torne melhor. É nessa última categoria que se encontra Laiana Modesto.

Sua trajetória revela alguém que sempre acreditou na força das pessoas, no poder das histórias e na capacidade da cultura de transformar comunidades. Antes dos cargos, dos títulos e do reconhecimento público, existia uma menina curiosa, inquieta e determinada, que descobriu muito cedo que a liderança não era um objetivo, mas uma característica natural de sua personalidade.

Nascida em 17 de outubro de 1995, em Lagoa da Prata, Laiana é filha de Sônia Cardoso de Miranda e Modesto e Demetrios Modesto. Carrega consigo duas raízes que moldaram sua formação: de um lado, a tradição da educação, representada por sua mãe, professora de Língua Portuguesa e Inglês; do outro, o espírito empreendedor e o profundo vínculo com a cidade, herdado da família paterna, tradicional na região do Cantinho de Ouro.

Foi justamente naquele bairro que nasceram as primeiras lembranças que até hoje ocupam um lugar especial em sua memória. Cercada por tios, primos, vizinhos e amigos que conviviam como uma grande família, viveu uma infância marcada pela liberdade, pelas brincadeiras ao ar livre e pela convivência genuína entre as pessoas — uma realidade que, segundo ela própria reconhece, tornou-se cada vez mais rara diante da transformação das relações humanas na era digital.

Enquanto muitas meninas preferiam brincar de boneca, Laiana se encantava pelas aventuras compartilhadas com os amigos. Gostava do skate, dos desafios e das brincadeiras que exigiam coragem. E, em meio àquele universo predominantemente masculino, aprendeu uma das primeiras lições que levaria para toda a vida: sempre que alguém dizia que ela não seria capaz, encontrava justamente ali o motivo para provar o contrário.

Essa disposição para enfrentar desafios acabou revelando, ainda na infância, uma liderança espontânea. Não era uma liderança construída pela imposição, mas pela iniciativa, pela coragem e pela capacidade de reunir pessoas ao seu redor.

A escola foi outro ambiente decisivo em sua formação. Depois dos primeiros anos na Estrelinha do Futuro, estudou no Colégio Nossa Senhora de Guadalupe, onde viveu boa parte da infância e adolescência. Entre tantos professores, guarda com carinho a lembrança da professora Tia Tuca, que enxergava nela um potencial que talvez nem a própria aluna ainda percebesse. Mais do que ensinar conteúdos, aquela educadora reconheceu uma menina capaz de conduzir grupos, assumir responsabilidades e inspirar outras pessoas.

Ser a irmã mais velha também contribuiu para fortalecer esse senso de cuidado. Ao lado de Lara e Vitor, construiu uma relação marcada pelo afeto, pela proteção e pela parceria. Em diferentes momentos da vida familiar, especialmente durante períodos delicados vividos pelos pais, assumiu, ainda criança, uma responsabilidade que normalmente pertence aos adultos. Sem perceber, desenvolveu uma sensibilidade que mais tarde se refletiria em sua forma de enxergar as pessoas e exercer a liderança.

Hoje, essa união permanece viva. Lara tornou-se sua parceira de trabalho no portal *Sou Mais Lagoa*, enquanto Vitor contribui com a visão analítica e financeira dos projetos da família. Cada um ocupa um lugar importante, formando uma estrutura baseada na confiança, na complementaridade e no amor.

Quando fala de si mesma, Laiana faz questão de separar a pessoa da profissional. Para ela, cargos são passageiros; aquilo que realmente permanece são as relações construídas ao longo da vida.Intensa, curiosa e profundamente interessada pelas pessoas, sempre encontrou satisfação em ouvir histórias. Talvez por isso tenha desenvolvido uma rara habilidade de escutar sem pressa, compreender diferentes perspectivas e estabelecer conexões verdadeiras. A comunicação, para ela, nunca foi apenas uma profissão. Tornou-se uma maneira de viver.

Ainda no Ensino Médio, graças à influência do professor de História Evaldo, descobriu duas paixões que caminhariam lado a lado durante toda a sua trajetória: a política e o jornalismo. Vinda de uma família com tradição na vida pública, as discussões políticas sempre estiveram presentes em sua casa. Mas foi na escola que compreendeu que política e comunicação são instrumentos inseparáveis de transformação social.

Enquanto muitos desacreditavam do jornalismo como carreira no interior, Laiana tomou uma decisão movida pela convicção. Ingressou na faculdade certa de que havia encontrado seu lugar no mundo.

Jamais esqueceu o primeiro dia de aula. Naquele momento, sentiu uma certeza difícil de explicar: estava exatamente onde deveria estar.

Ainda durante a graduação, iniciou sua trajetória profissional na Revista Official Chic. Foi ali que escreveu sua primeira grande reportagem, tendo como personagem o médico e intelectual Dr. Ciro dos Santos, uma das figuras mais importantes da história cultural de Lagoa da Prata.

Muito mais do que aprender técnicas de redação, aquela experiência lhe ensinou algo que carregaria para toda a carreira: escrever sobre alguém exige respeito, sensibilidade e responsabilidade.

Contar histórias nunca significou apenas relatar fatos. Significava compreender vidas.

Essa compreensão seria aprofundada durante sua passagem pela TV Integração, afiliada da Rede Globo em Divinópolis. Ainda estudante, conquistou uma vaga extremamente concorrida e passou a integrar uma das mais importantes escolas de jornalismo do país.

Na redação do G1 e da emissora, aprendeu o rigor da apuração, a responsabilidade da informação e a excelência na narrativa jornalística. Cobriu acontecimentos relevantes, produziu reportagens de grande repercussão e viu alguns de seus trabalhos alcançarem espaço em rede nacional.

Foi uma experiência transformadora.

Ao mesmo tempo em que confirmou sua paixão pelo jornalismo, também despertou uma inquietação. Percebeu que desejava ir além da missão de contar histórias. Queria ajudar a transformá-las.

Esse sentimento foi amadurecendo ao longo das experiências seguintes como assessora de comunicação em Japaraíba, Arcos e Lagoa da Prata.

Foi justamente da dificuldade em encontrar espaço profissional em sua cidade natal que nasceu uma de suas maiores realizações.

Em 2018, surgiu oficialmente o *Sou Mais Lagoa*.

Muito mais do que um portal de notícias, o projeto tornou-se um movimento de valorização da identidade local. Seu propósito era simples e, ao mesmo tempo, profundamente ambicioso: fazer com que os moradores redescobrissem o orgulho de viver em Lagoa da Prata.

O turismo, a gastronomia, o lazer, a cultura e os empreendedores passaram a ocupar espaço permanente na comunicação da cidade.

Mas Laiana queria mais.

O portal ultrapassou o ambiente digital e começou a movimentar fisicamente o município por meio de festivais culturais, eventos gastronômicos, ocupação de praças e iniciativas que aproximavam a população da arte.

Sem perceber, construía, passo a passo, o caminho que a conduziria à gestão pública.

Em 2022, recebeu o convite para assumir a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Lagoa da Prata.

Ali encontrou a oportunidade de transformar, em políticas públicas, tudo aquilo que acreditava desde a juventude.

Durante sua gestão, a cultura deixou de ser compreendida apenas como realização de eventos e passou a ser tratada como patrimônio, memória, identidade e desenvolvimento econômico.

Sob sua liderança, Lagoa da Prata alcançou pontuações históricas no ICMS Cultural e no ICMS Turístico, fortalecendo o acesso a recursos destinados à preservação da memória e ao desenvolvimento do turismo.

Espaços públicos foram revitalizados. A Estação Cultura ganhou nova ocupação. A orla da Praia Municipal recebeu importantes intervenções urbanísticas. O Cine Teatro Fausto Rezende iniciou um novo ciclo. O tradicional Museu começou finalmente a sair de décadas de abandono para se transformar em um moderno espaço de memória.

Ao mesmo tempo, a cidade consolidou um calendário cultural reconhecido regionalmente, fortalecendo eventos tradicionais como o Carnaval e o Réveillon, criando iniciativas inéditas, como a Festa do Rifeiro, e ampliando ações voltadas ao Congado, à literatura, à música, ao audiovisual e às manifestações da cultura popular.

Outro aspecto marcante de sua gestão foi a valorização da cultura urbana.

Grafiteiros, artistas de hip hop, skatistas e participantes das batalhas de rima passaram a encontrar espaço institucional para desenvolver seus talentos. O incentivo permanente fez surgir dezenas de novos artistas, demonstrando que investir em cultura significa, sobretudo, investir nas pessoas.

Essa mesma sensibilidade acompanha suas convicções pessoais.

Defensora da honestidade, da transparência e da justiça social, Laiana acredita que a política deve existir para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades. Sua atuação é marcada pela valorização das mulheres, da população LGBTQIA+, da cultura afrobrasileira e de todos aqueles que historicamente tiveram menos espaço para ocupar posições de protagonismo.

Sua visão de mundo também é profundamente influenciada pela arte.

Entre todas as referências que alimentam sua inspiração, poucas ocupam um lugar tão especial quanto Belchior.

A admiração pelo compositor cearense nasceu durante uma entrevista para a Revista Official Chic e transformou-se em paixão definitiva. Encantou-se pela profundidade de suas letras, pela defesa da América Latina, pela coragem de enfrentar as contradições sociais e pela maneira como transformava inquietações em poesia.

Não por acaso, escolheu tatuar uma de suas frases mais conhecidas: *”Amar e mudar as coisas me interessa mais.”*

Talvez essa seja também a frase que melhor sintetize sua própria existência.

Amar pessoas.Amar cidades.

Amar a cultura.

E acreditar, todos os dias, que mudanças verdadeiras começam quando alguém decide agir.

Ao olhar para o futuro, Laiana não fala de cargos. Fala de sonhos.

Sonha com uma Lagoa da Prata cada vez mais conhecida, mais valorizada e mais consciente de sua própria história. Sonha com uma juventude menos acomodada, mais ousada e mais preparada para assumir o protagonismo das transformações sociais.

Se um dia seus netos perguntarem quem foi Laiana Modesto, ela espera ser lembrada por uma única característica.

A coragem.

A coragem de escolher um caminho quando poucos acreditavam.

A coragem de defender aquilo em que acredita.

A coragem de enfrentar desafios sem esperar que o medo desaparecesse.

Porque, como ela própria costuma dizer, a vida acontece para quem tem coragem.

E sua trajetória demonstra que algumas pessoas não apenas vivem o tempo que lhes é dado.

Elas transformam o tempo em legado.

BATE-BOLA

Uma palavra que define sua infância:

Felicidade.

Um lugar:

A praia.

Uma lembrança inesquecível:

A comemoração dos 85 anos da minha avó.

Uma pessoa que inspira você:

Minha mãe.

Um livro:

Os Sonhos Não Envelhecem, de Márcio Borges.

Um filme:

Um Dia.

Um cantor:

Belchior.

Uma música:

“Paralelas”.

Uma qualidade:

Minha energia.

Um defeito:

Às vezes, ser procrastinadora.

Uma conquista:

A reforma do Museu.

Um sonho:

Tornar Lagoa da Prata cada vez mais conhecida.

Uma viagem inesquecível:

Bolívia.

Um momento decisivo da vida:

Quando escolhi cursar Jornalismo.

Lagoa da Prata em uma palavra:

Fora da curva.

Cultura:

Alimento.

Comunicação:

Elo.

Fé:

Muita.

Família:

Tudo.

Legado:

Coragem.

Mensagem de Laiana Modesto aos jovens

A juventude tem um papel fundamental na construção do futuro. Por isso, nunca deixem de sonhar. Tenho a impressão de que, muitas vezes, as pessoas acabam se acomodando cedo demais, quando justamente essa fase da vida deveria ser marcada pela coragem de experimentar, aprender, errar, recomeçar e acreditar que é possível transformar a realidade.

Sejam determinados. Tenham ambição no melhor sentido da palavra: a ambição de crescer, de fazer a diferença, de construir uma sociedade mais justa e mais humana. Não esperem que as oportunidades batam à porta. Preparem-se para elas e tenham coragem de agarrá-las quando aparecerem.

A juventude muda o mundo. E toda grande transformação começa quando alguém decide levantar da cadeira e fazer acontecer.

 

 

Comentários
Postagem anterior

KELLY CASTELANO

Próximo post

Não há mais história.

gabriel

gabriel

Consultor de Marketing digital. Design gráfico.