HONRA AO MÉRITOPersonalidades

SINFRONIO FERREIRA DE SOUZA

Uma vida escrita entre livros, famílias, trabalho e legado Há histórias que merecem ser contadas com calma.

Histórias que não se resumem a datas, cargos ou conquistas, porque carregam consigo a memória de uma família, a transformação de uma cidade e os valores que  atravessam gerações.

A história de Sinfronio Ferreira de Souza é uma delas.

Nascido em 20 de agosto de 1948, em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais, Sinfronio é filho de Walter Ferreira de Souza e Terezinha Brasil de Souza. Segundo de seis irmãos — Geraldo, Sinfronio, Gilberto, Maurício, Walter Júnior e Simone, cresceu em uma família numerosa, cercado por pais, irmãos, primos, avós e professores que tiveram papel decisivo na formação de sua personalidade.

O pai, industrial, e a mãe, fazendeira e dedicada à casa e à criação dos filhos, construíram para a família um ambiente de presença, cuidado e proteção.

Pelo lado paterno, Sinfronio trazia ainda uma ligação especial com a atividade que mais tarde marcaria definitivamente sua trajetória. Seu avô, Francisco Ferreira de Souza, conhecido como Pai Chiquinho, também havia sido dono de cartório. A avó paterna era Maria José de Oliveira. Pelo lado materno, seus avós eram Otaviano Brasil e Rosa de

Oliveira Brasil.

A história de seu próprio nome também guarda uma lembrança singular.

Sinfronio nasceu prematuro e extremamente pequeno, ele tem orgulho de contar que era tão diminuto que caberia em uma caixa de sapatos. Em uma época em que a prematuridade representava um grande risco, houve quem acreditasse que aquela criança talvez não sobrevivesse.

Mas sobreviveu.

E recebeu o nome de Sinfronio em homenagem a um antigo padre da cidade, o padre Sinfronio.

Talvez sem que ninguém pudesse imaginar naquele momento, aquele menino que chegou ao mundo tão pequeno ainda haveria de construir uma história tão grande.

UMA INFÂNCIA DE CUIDADOS, AFETO E SUPERAÇÃO

A infância de Sinfronio foi marcada por uma condição física que exigia tratamentos e cuidados constantes.

Ele conviveu com as consequências de uma paralisia e precisou utilizar aparelho

ortopédico. Para chegar à escola, muitas vezes era levado nos braços pela avó e quando mais velho com a ajuda do irmão Gilberto,  , que o acompanhavam com dedicação.

Mas, se as limitações físicas impunham desafios, o ambiente familiar oferecia algo ainda mais poderoso: apoio.

Sinfronio recorda-se de ter recebido muito carinho dos irmãos, dos primos, dos pais e das professoras. Era uma criança protegida, incentivada e, como ele próprio reconhece com bom humor, muitas vezes “adulado” pela família.

Estudou inicialmente na Escola Valdomiro de Magalhães Pinto, onde permaneceu durante três anos no primeiro ano escolar. As ausências provocadas pelos tratamentos médicos dificultavam seu processo de aprendizagem, mas ele encontrou na professora Vânia Coutinho uma presença fundamental.

Ela percebeu que havia ali um menino que, apesar das dificuldades, estava aprendendo e avançando.

E acreditou nele.

Depois, Sinfronio seguiu seus estudos no Grupo Escolar Amancio Bernardes , em frente à igreja, onde concluiu o curso primário.

Mais tarde, cursou o ensino técnico em contabilidade , em Santo Antônio do Monte, e posteriormente ingressou no curso de Direito.

Sua trajetória acadêmica o levaria também a Divinópolis, onde estudou e se formou bacharel em Direito.

Entre tantos professores, um nome permaneceu especialmente vivo em sua memória: Dr. Nivaldo Fraga da Fonseca, professor de inglês que teve influência decisiva em sua vida acadêmica.

Foi ele quem o incentivou a enfrentar uma dificuldade que poderia ter comprometido sua aprovação.

Sinfronio conseguiu.

E aquela experiência deixou uma lição que acompanharia sua vida: muitas vezes, uma pessoa acredita em nós antes mesmo de nós próprios acreditarmos.

O ENCONTRO COM O AMOR

Durante os anos de juventude, enquanto estudava Direito, Sinfronio conheceu aquela que se tornaria sua esposa, Fraides Luisa de Camargos Souza.

O encontro aconteceu no Santuário de Santo Antônio, em uma situação aparentemente simples, durante uma palestra sua para jovens.

Ele se encantou.

Durante o namoro, que se estendeu por alguns anos, nasceu uma parceria que seria fundamental para sua vida.

Sinfronio e Fraides construíram uma família e tiveram três filhos: Gustavo, Eduardo e Daniel.

Fraides, já falecida, é lembrada por Sinfronio como uma mulher que esteve ao seu lado e o ajudou muito ao longo da vida.

O casamento foi também o início de uma nova geração que levaria adiante muitos dos valores construídos naquela família.

A PORTA QUE SE ABRIU PARA O CARTÓRIO

A entrada de Sinfronio no Registro de Imóveis aconteceu de maneira quase inesperada.

Por diversas razões, o cartório da cidade foi confiado pelo então juiz José Rafael que decidiu confiar a Sinfronio a responsabilidade pela serventia. Foi uma decisão que mudaria sua vida.

Em 16 de dezembro de 1981, Sinfronio assumiu o Cartório de Registro de Imóveis de Santo Antônio do Monte.

Era jovem, advogado, mas ainda não dominava profundamente a complexidade do registro imobiliário.

Começou, portanto, aprendendo.

E, como tantas vezes acontece com as grandes vocações, aquilo que inicialmente poderia parecer apenas uma oportunidade profissional tornou-se uma verdadeira paixão.

Sinfronio tomou gosto pelo Registro de Imóveis. E permaneceu.

UMA ÉPOCA DE TRANSFORMAÇÕES

Sinfronio assumiu o cartório justamente em um período de profundas transformações na atividade registral brasileira.

A legislação havia mudado e o sistema de registro de imóveis passava por um processo de modernização.

Antes, os registros eram realizados de maneira muito diferente. Com a evolução da

legislação, cada imóvel passou a possuir sua própria matrícula, permitindo organizar em sequência toda a sua história: aquisição, transmissão, financiamento, alterações e demais atos relacionados à propriedade.

Sinfronio viveu essa transformação por dentro.

Mais do que acompanhar uma mudança legislativa, acompanhou uma mudança cultural.

A sociedade começava a compreender cada vez mais a importância de registrar seus imóveis e organizar juridicamente seu patrimônio.

E o cartório passou a ser, para ele, muito mais do que um local de trabalho. Passou a ser um espaço onde se registra parte da própria história de uma cidade.

A CIDADE DENTRO DE UM LIVRO

Essa compreensão está materializada em uma obra de arte que ocupa lugar de destaque na recepção do cartório.

A ideia é simples e, ao mesmo tempo, profundamente simbólica: uma cidade saindo de dentro de um livro.

Ali estão representados importantes elementos de Santo Antônio do Monte, como a

Igreja Matriz, a estação ferroviária e outros prédios que fazem parte da memória local. A imagem traduz aquilo que Sinfrônio compreendeu ao longo de décadas de trabalho: o cartório guarda a história da cidade.

Dentro de seus livros estão propriedades, fazendas, casas, empresas, famílias e gerações.

Quando alguém registra um imóvel, não está apenas cumprindo uma formalidade. Está deixando documentada uma parte de sua história.

Por isso, a metáfora da cidade que nasce de dentro de um livro é tão apropriada para representar sua trajetória.

UMA VIDA CONSTRUÍDA SOBRE A ÉTICA

Ao falar sobre a confiança que recebeu para assumir o cartório, Sinfronio faz questão de mencionar a importância do juiz José Rafael.

Ele acredita que aquela escolha esteve relacionada, sobretudo, à confiança em sua capacidade de exercer a função com honestidade.

E essa palavra — honestidade — aparece como uma das grandes marcas de sua trajetória.

Para Sinfronio, um cartório exige responsabilidade porque lida diretamente com o patrimônio e a segurança jurídica das pessoas.

São casas. São fazendas. São empresas. São heranças. São histórias familiares. São anos de trabalho transformados em patrimônio.

Por isso, a ética não poderia ser apenas um discurso. Precisaria ser uma prática diária. O LEGADO QUE CHEGA À SEGUNDA GERAÇÃO

Em 2016, seu filho Gustavo retornou a Santo Antônio do Monte para trabalhar ao lado do pai.

Formado em Direito, com especialização em Direito Material e Registral e MBA voltado à atividade cartorária, Gustavo já havia trabalhado em cartório em Belo Horizonte.

Seu retorno representou uma nova etapa para a família.

Mas também uma nova compreensão sobre o que significa administrar uma serventia moderna.

Gustavo percebeu que, embora o conhecimento jurídico fosse indispensável, grande parte do trabalho cotidiano estava relacionada à gestão de pessoas, processos, atendimento, tecnologia, segurança da informação e qualidade dos serviços.

A partir daí, aprofundou seus estudos e passou a investir cada vez mais na gestão do cartório.

O resultado desse trabalho veio acompanhado de reconhecimento.

Hoje, o Cartório de Registro de Imóveis de Santo Antônio do Monte figura entre os mais bem avaliados do Brasil, alcançando a 7ª colocação nacional, em um universo de aproximadamente 13.700 cartórios.

A conquista é resultado de um trabalho contínuo de aperfeiçoamento, certificações, auditorias e avaliação de processos.

O cartório tornou-se também o primeiro de Minas Gerais, segundo relatado na entrevista, a conquistar a certificação internacional ISO 9001 no segmento de Registro de Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas.

Recebeu ainda importantes reconhecimentos no Prêmio de Qualidade Total Anoreg (PQTA), incluindo as classificações Rubi Master e Rubi Evolução.

Por trás dos títulos existe uma rotina rigorosa.

São processos padronizados, acompanhamento da satisfação dos clientes, segurança de dados, preocupação socioambiental, gestão de pessoas e avaliação permanente da qualidade.

Hoje, são 21 funcionários trabalhando no cartório. Quando Sinfronio começou, eram apenas três.

A diferença entre esses dois números ajuda a dimensionar o tamanho da trajetória. UMA FAMÍLIA QUE CONTINUA ESCREVENDO A HISTÓRIA

Os três filhos seguiram caminhos próprios, mas todos carregam, de alguma maneira, a influência do pai.

Gustavo, o primogênito, seguiu o Direito e retornou a Santo Antônio do Monte para trabalhar ao lado de Sinfronio.

Eduardo formou-se em Medicina no Rio de Janeiro, especializou-se em cirurgia pela

USP de Sao Paulo, atua como cirurgião geral em Divinópolis e continua sua formação com o objetivo de se especializar em cirurgia plástica.

Daniel, formado, mestre e doutorando em Direito, foi aprovado em diversos concursos públicos e atualmente é responsável por um cartório na cidade de Panamá, em Goiás.

Três filhos. Três trajetórias. Três caminhos diferentes. E uma mesma origem.

GUSTAVO E UMA HISTÓRIA DE AMOR QUE TAMBÉM VIROU PARCERIA

A história de Gustavo também merece um capítulo especial.

Ele e Brenda Cabral, neta do conhecido Pereira Cabral, construíram uma relação que começou ainda no ensino médio.

Namoraram por aproximadamente 16 anos antes do casamento.

Estudaram juntos, fizeram vestibular juntos, foram aprovados em Direito na PUC, estudaram em Belo Horizonte e, posteriormente, chegaram a trabalhar juntos.

Em 2016, quando Gustavo retornou a Santo Antônio do Monte para trabalhar com o pai, Brenda também passou a fazer parte dessa trajetória.

Casaram-se em 2020.

E, recentemente, a família recebeu um novo integrante: Joaquim, o primeiro filho do casal.

Com apenas dez meses, Joaquim é o “denguinho” da família. E, naturalmente, representa o começo de uma nova geração. ALÉM DO CARTÓRIO

Quem conhece Sinfronio apenas pelo trabalho talvez não imagine algumas de suas paixões pessoais.

Ele gosta de relógios, especialmente relógios de parede e de pulso.

Gosta de viajar. E gosta muito de pescar.

Uma fotografia guardada como lembrança mostra uma de suas grandes pescarias, realizada no Rio Jauru, em 1998, quando capturou um peixe de grandes proporções.

A pescaria também aproxima pai e filhos. Sinfronio é pescador de fundo.

Gustavo prefere a pesca de superfície e é apaixonado pelo tucunaré.

São estilos diferentes para uma mesma paixão: estar na natureza, viajar, esperar, observar e desfrutar do momento.

Na gastronomia, Sinfronio se define mais como apreciador do que como cozinheiro.

Seu prato preferido é daqueles que traduzem a simplicidade mineira: um bom churrasco.

Gustavo, por sua vez, gosta de cozinhar e assumiu em casa a missão de preparar o jantar.

MEMÓRIAS DE FAMÍLIA

Entre as lembranças mais queridas estão as viagens em família.

Sinfronio recorda com carinho uma grande viagem de carro para uma região de pesca, acompanhada por familiares e amigos, com estrutura improvisada de acampamento, barracas e até gerador de energia.

Gustavo guarda como uma de suas primeiras grandes lembranças familiares uma

viagem para Guarapari, quando ele e os irmãos ainda eram crianças. Foram cerca de quinze dias juntos.

A família reunida. A praia. A casa cheia.

Os momentos que, muitos anos depois, continuam sendo lembrados com carinho. Porque, no fim, são essas experiências que permanecem.

O HOMEM POR TRÁS DO PROFISSIONAL

Talvez a melhor maneira de compreender Sinfronio seja perceber que sua trajetória profissional não está separada de seus valores pessoais.

Ele construiu sua carreira acreditando que é possível prosperar sem abrir mão da ética. Para ele, um bom negócio precisa ser bom para os dois lados.

Não se trata de levar vantagem. Trata-se de fazer o que é correto.

Esse princípio foi percebido e absorvido pelo filho Gustavo, que identifica na postura do pai uma das maiores heranças que recebeu.

Mais do que um ensinamento verbal, foi uma atitude observada durante toda a vida. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores riquezas de seu legado.

UMA MENSAGEM PARA OS JOVENS

Ao ser convidado a deixar uma mensagem para os jovens que estão chegando ao

mercado de trabalho, Sinfronio não fala primeiro de dinheiro, de sucesso ou de status. Fala de otimismo.

Para ele, é preciso acreditar que existem oportunidades e estabelecer objetivos. Ter um propósito.

Buscar aquilo que se deseja. Não se deixar paralisar pelo pessimismo.

Porque quem acredita que pode construir alguma coisa encontra mais disposição para caminhar em direção a ela.

Sua mensagem é simples e poderosa:

É preciso ser otimista, ter objetivos e acreditar nas possibilidades da vida. O LEGADO

Ao longo de mais de quatro décadas à frente do Registro de Imóveis de Santo Antônio do Monte, Sinfronio Ferreira de Souza ajudou a registrar não apenas propriedades.

Ajudou a registrar histórias. Viu famílias crescerem.

Patrimônios serem construídos.

Imóveis passarem de uma geração para outra.

Acompanhou mudanças profundas na legislação, na sociedade e na própria maneira de administrar uma instituição.

Começou com três funcionários.

Hoje, seu trabalho alcança uma estrutura de 21 profissionais e um cartório reconhecido entre os melhores do país.

Mas talvez sua maior conquista não possa ser medida por rankings, certificados ou números.

Ela está naquilo que permaneceu. Na confiança conquistada.

Na família construída.

Nos filhos formados.

No conhecimento transmitido. Na ética que virou exemplo.

E, agora, na continuidade representada por Gustavo.

A cidade que Sinfronio ajudou a registrar ao longo de tantos anos também passou a fazer parte de sua própria história.

Santo Antônio do Monte está nos livros do cartório.

E, de certa maneira, Sinfronio Ferreira de Souza também está nos livros da história de Santo Antônio do Monte.

Porque algumas pessoas simplesmente exercem uma profissão. Outras transformam uma profissão em uma missão.

E há aquelas que, ao longo de uma vida inteira, deixam atrás de si algo ainda maior: um legado.

É esse legado de trabalho, honestidade, conhecimento, família e compromisso com o que é correto que o Mérito Official Chic 2026 celebra e perpetua.

Sinfronio Ferreira de Souza — uma vida dedicada ao trabalho, à família e à construção de uma história que merece permanecer.

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Mônica Garcia

Mônica Garcia

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É também uma passarela artístico-cultural onde o poder da criação tem liberdade para apresentar todas as suas nuances.

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