ROSE HELEN – CAFÉ COM FAMÍLIA E PROSA
ROSE: A MULHER QUE APRENDEU A FLORESCER ONDE DEUS A PLANTOU
Há histórias que parecem ter sido escritas como uma metáfora da própria vida. A de Rose é uma delas.
Sua trajetória começa em um cenário de simplicidade, dificuldades e muitas limitações, mas também de afeto, trabalho, curiosidade e sonhos. Uma história construída a partir de sementes — literalmente e simbolicamente — que atravessou a infância no campo, a ausência de oportunidades, o empreendedorismo, a maternidade, o divórcio, os desafios de ser mulher em um ambiente predominantemente masculino e, finalmente, encontrou no café, na agricultura e no acolhimento uma forma de devolver ao mundo tudo aquilo que aprendeu.
Rose nasceu em 4 de dezembro, em Bandeira de Baixo, nas proximidades da Igreja do Rosário, em Bom Despacho. É filha de Julenal Nordestino da Silva, falecido em 2007, aos 60 anos, e de Ana Maria Ribeiro da Silva, hoje com 76 anos, uma mulher de grande vitalidade, apaixonada por forró, pelas festas familiares, por receber pessoas e pela vida.
A história de seus pais também foi marcada pela orfandade e por grandes adversidades. Sua mãe perdeu a própria mãe aos cinco anos e foi criada por familiares, passando pelo avô, por uma tia e, posteriormente, pela irmã mais velha. Era a caçula de seis irmãos. Seu pai, filho do segundo casamento da avó, perdeu o pai quando tinha entre seis e sete anos e acabou sendo criado por outra família, de fazendeiros.
Rose cresceu, portanto, em um ambiente no qual os próprios pais carregavam dores e ausências. Ela percebe que, ainda muito jovem, acabou assumindo um papel de mediadora dos conflitos familiares.
Foi criada no campo, ao lado de pais trabalhadores. O pai era meeiro e retireiro. Tirava leite das vacas, trabalhava na lavoura com cavalo e arado e plantava em parceria com os proprietários das terras. A mãe cuidava das hortas, que Rose guarda na memória como as mais bonitas e saborosas que já conheceu.
O arroz e o feijão vinham da terra cultivada pelo pai. As verduras, da horta da mãe. A alimentação era simples, orgânica e baseada no que a própria natureza oferecia em cada época do ano. Dessa infância nasceu também um paladar atento, capaz de reconhecer sabores e valorizar a qualidade dos alimentos.
Mas, naquele tempo, estudar não era uma possibilidade fácil.
Aos oito anos, Rose ainda não havia frequentado uma escola.
Uma lembrança, entretanto, permanece especialmente viva: seu aniversário de oito anos. A mãe preparou um pequeno bolo assado no fogão a lenha, coberto com clara de ovo e decorado com a raspinha de um lápis de cor azul. Por mais simples que fosse, havia celebração.
Naquele dia, a mãe disse que Rose já estava mocinha.
A menina, determinada, respondeu que já sabia o que queria ser.
Na verdade, o sonho era ainda maior. Influenciada pelas imagens da televisão, pelo Globo de Ouro e pelos programas de Silvio Santos, Rose admirava aquelas mulheres de terninho e imaginava-se como uma executiva.
A resposta materna foi de incredulidade. Afinal, aos olhos daquela realidade, o sonho parecia distante demais.Mas talvez tenha sido justamente naquele momento que uma semente foi plantada.
Rose transformou a descrença em desafio.
Para estudar, foi morar com a avó. Mais tarde, voltou para casa. Concluiu o quarto ano em uma instituição que funcionava nas proximidades e sonhava em estudar na Escola Irmã Maria, que considerava uma das mais bonitas que conhecia.
Seu pai, porém, dizia que mulher não precisava estudar.
E Rose não estudou da maneira convencional.
Mas não desistiu.
Encontrou no Telecurso 2000, da Fundação Roberto Marinho, o caminho para continuar aprendendo. Acordava cedo para assistir às aulas pela televisão, depois conseguiu fitas K7 e um videocassete para acompanhar os conteúdos. Estudava pelos livros e viajava até Divinópolis para realizar as provas.
Foi assim que conquistou sua formação no segundo grau.
A menina que não teve acesso regular à escola encontrou, na determinação, uma universidade da vida.
Aos 19 anos, já começava a perceber em si mesma uma característica que a acompanharia por toda a trajetória: o desejo de empreender.
A curiosidade, que já aparecia na infância, ganhou uma nova direção quando conheceu a atividade de produção de mudas cítricas. Ela se encantou pelo processo de enxertia e passou horas conversando com alguém que trabalhava na área, buscando entender como uma planta poderia ser transformada e multiplicada.
O conhecimento despertou uma paixão.
Pouco depois, começou um relacionamento com Vantuil, seu primeiro marido. Oito meses depois, estavam casados.
Foi ela quem propôs:
“Vamos construir um viveiro.”
A resposta foi que aquilo daria muito trabalho.
Rose, acostumada a uma vida de trabalho, respondeu com uma pergunta que parece sintetizar sua personalidade:
“Mas o que não dá trabalho?”
Em 1990, nasceu o viveiro.
Começava ali uma trajetória de 36 anos dedicada ao universo das plantas, da citricultura e do empreendedorismo rural.
Vantuil possuía conhecimento prático da atividade e Rose tinha algo que se tornaria uma de suas maiores forças: curiosidade e disposição para aprender.
Os dois buscaram conhecimento no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, referência mundial na área, participaram de atividades, estudaram técnicas e foram construindo, juntos, uma empresa.
Desse relacionamento nasceram dois filhos, Vinícius e Vanessa, que posteriormente lhe deram dois netos.
Durante aproximadamente 20 anos, Rose e Vantuil caminharam juntos, construindo negócios, família e patrimônio.
Mas chegou um momento em que passaram a desejar coisas diferentes.
Para ele, era hora de parar.
Para Rose, ainda não.
Ela queria avançar, profissionalizar processos, organizar sistemas, criar contratos, controlar a produção por lotes e preparar a empresa para um novo cenário.
Vieram também novas exigências do Ministério da Agricultura.
Rose buscou capacitação, procurou o Sebrae, ouviu especialistas e se antecipou às mudanças.
As divergências empresariais acabaram refletindo também na relação pessoal.
Depois do divórcio, Rose precisou reconstruir a própria trajetória.
E foi justamente nesse período que enfrentou um dos maiores desafios de sua vida empresarial.
O mercado em que atuava era predominantemente masculino. Uma mulher divorciada, naquele contexto, era vista por muitos como alguém que não conseguiria permanecer no negócio.
Ela ouviu comentários maldosos.
Ouviu que seu sucesso dependia do marido.
Ouviu que lhe dariam pouco tempo antes de sair do mercado.
Mas não parou.
Ao contrário.
Transformou o preconceito em combustível.
Registrou sua marca, regularizou seu viveiro junto ao Ministério da Agricultura e preparou a empresa para atender outros estados.
Minas Gerais deixou de ser o limite.
Vieram clientes do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, além de outras regiões.
Rose começou também a atuar na comercialização de borbulhas e sementes para porta-enxertos e passou a participar da formação de grandes pomares, principalmente voltados à produção de frutas para consumo in natura.
Em uma das fases mais desafiadoras de sua trajetória, decidiu ir além do mercado que já conhecia.
Foi para o Norte de Minas.
Visitou o Projeto Jaíba e conheceu a Aslim, associação ligada à produção de limão e à exportação.
Chegou a mesas com 12, 14 produtores, quase todos homens, para apresentar sua empresa.
Foi questionada sobre sua formação.
Quando respondia que estava estudando Psicologia, ouviu a pergunta:
“Mas você não é viveirista?”
Ela sabia que muitas perguntas eram feitas para testá-la.
Mesmo assim, apresentava seu trabalho.
E, muitas vezes, saía dessas reuniões com contratos fechados.
Nem todas as portas se abriram imediatamente, mas Rose conquistou espaço pelo resultado.
E admite que nem sempre foi fácil.
Muitas noites, deitou-se e chorou.
Mas nunca permitiu que as lágrimas fossem maiores que sua determinação.
Com o passar dos anos, percebeu uma mudança importante no cenário.
Em julho de 2026, foi convidada para participar de uma roda de conversa sobre mulheres no agro, em Bom Despacho. Diante de homens e mulheres interessados em ouvir suas experiências, percebeu o quanto o mundo havia mudado.
A menina que, aos 12 anos, já dirigia trator e ajudava o pai na lavoura agora era convidada para falar profissionalmente sobre o agro.
Uma mulher que um dia teve sua capacidade questionada passou a ser reconhecida pelo próprio produto.
E há, para Rose, uma honra especial nisso.
Ela não é filha de uma família tradicional ou de alguém influente na cidade.
Precisou construir o próprio nome.
E talvez seja exatamente por isso que sua conquista tenha um significado ainda maior.
Seu pai, que um dia acreditou que mulher não precisava estudar, também mudou.
Antes de morrer, em 2007, já demonstrava orgulho pela filha estudiosa, que cursava Psicologia e desenvolvia seus talentos de administração.
Para Rose, essa transformação paterna também representa uma vitória.
A TERRA, A PITAYA E UMA NOVA SEMENTE

Depois do divórcio, Rose precisava de uma área para plantar suas matrizes e produzir as sementes necessárias ao viveiro.
No final de 2010, encontrou um pequeno sítio próximo a Bom Despacho.
O valor era de R$ 120 mil.
Ela tinha R$ 30 mil.
Não sabia exatamente como pagaria o restante.
Mas comprou.
Usou sua poupança para dar a entrada e assumiu quatro cheques.
O sítio tinha água, mas não tinha energia elétrica.
O programa Luz para Todos já não estava disponível naquela região.
Rose novamente fez o que tantas vezes fez na vida: buscou uma solução.
Tentou unir os vizinhos para dividir os custos da instalação da energia.
Ninguém quis.
Então, fez sozinha.
Com ação, coragem e fé.
Ela mesma define:
“Sou uma pessoa de muita ação, mas também de fé. Tenho certeza de que vou dar um passo e o chão vai estar aqui embaixo do meu pé.”
E estava.
Rose conseguiu pagar o sítio antes do prazo planejado.
E, quando o terreno estava preparado, surgiu uma nova oportunidade.
Em 2016, seu filho Vinícius apresentou a ela a pitaya.
Havia uma grande área ociosa na propriedade.
Rose comprou a ideia.
Buscou conhecimento na Faculdade de Lavras, onde havia um dos primeiros experimentos com pitaya na região de Minas Gerais. Conseguiu informações, material para as primeiras mudas e começou uma nova experiência agrícola.
Mais uma vez, estudou.
Pesquisou.
Experimentou.
Trabalhou ao lado de profissionais e estudantes de Agronomia.
E transformou a pitaya em mais um sucesso.
Chegou a ser chamada de “Rainha da Pitaya”.
Hoje, a rede de supermercados ABC compra cerca de 60% de sua produção, pagando valor agregado pelo diferencial de qualidade e sabor de seus frutos.
Para Rose, essa trajetória tem um significado simbólico: tudo começa com uma semente.
Primeiro, a semente para produzir o porta-enxerto.
Depois, a muda.
Depois, o campo.
Ela passou anos no viveiro.
Quando estava pronta, levou o conhecimento para a terra.
Plantou.
Aprendeu.
Cresceu.
Floresceu.
Frutificou.
E, finalmente, colocou seus frutos sobre uma mesa.
A mesa do Café com Prosa.
CAFÉ COM PROSA: QUANDO A MEMÓRIA VIRA ACOLHIMENTO
Antes de existir o Café com Prosa, existia a memória.
A memória da avó.
A memória do café torrado no fogão a lenha.
A memória do pilão.
A memória de moer o café.
A memória de sentar-se com a avó em um banco, sem mesa, e compartilhar uma xícara.
Rose tinha apenas oito anos quando aprendeu com a avó a reconhecer o café.
A avó dizia para escolher os grãos vermelhinhos, colocá-los na boca e perceber como eram doces.
Ela ajudava a colher, secar, guardar, socar, torrar e moer o café.
Aprendeu, muito antes de saber, que café não era apenas bebida.
Era memória.
Era afeto.
Era encontro.
Na infância, também observava os meeiros que, depois da colheita, se reuniam para tomar café, conversar e compartilhar comida.
Ali estavam as prosas.
E dessa memória nasceu o nome.
A mesa, para Rose, sempre foi um lugar de festividade e partilha.
Quando criou o espaço, queria exatamente isso: um lugar onde as pessoas pudessem se encontrar.
O nome inicialmente seria Café com Prosa.
Ao descobrir que já havia uma marca registrada com esse nome, acrescentou uma palavra que traduzia ainda melhor seu propósito:
Família.
Nascia o Café com Família Prosa.
O registro da marca está em fase final.
O espaço, porém, já existe como experiência.
É simples, acolhedor e cuidadosamente preparado.
Grande parte dos ingredientes vem do próprio sítio de Rose: laranja, limão e pitaya.
As frutas que não poderiam ser comercializadas por estarem maduras demais ganharam uma nova finalidade.
São higienizadas, cortadas, porcionadas, seladas e congeladas para utilização nos sucos.
Nada é feito de maneira aleatória.
Tudo tem propósito.
Tudo tem cuidado.
E esse cuidado também está presente na cozinha.
Apaixonada pela gastronomia, Rose buscou formação para estar preparada para o novo empreendimento.
Estudou gastronomia, fez curso de massas frescas e assados e passou um ano e três meses em um curso técnico de confeitaria.
O Café, que inicialmente funcionava à tarde, ampliou seus horários e passou a receber o público das 8h às 20h, oferecendo café e almoço.
A alimentação segue uma filosofia de frescor e cuidado.
Há saladas, grelhados, carnes frescas e ingredientes cuidadosamente armazenados.
Rose chegou a passar três meses dentro da cozinha, treinando colaboradores e acompanhando de perto os processos.
O Café com Prosa também se tornou espaço para celebrações de casamentos civis intimistas, aniversários, reuniões empresariais e encontros de mulheres.
Os eventos femininos se tornaram especialmente marcantes.
Rose sempre procura criar uma temática para cada encontro e acredita que uma celebração pode ir além da música e da comida: pode provocar reflexão.
Cerca de 80% de seu público é formado por mulheres.
E, assim, o espaço que nasceu de memórias afetivas também passou a ser lugar de encontro, inspiração e fortalecimento feminino.
UMA MULHER DE FÉ

Quando perguntada sobre o que é a vida, Rose não hesita.
Para ela, a vida é uma dádiva.
Um milagre divino.
Uma cocriação entre o humano e o sagrado.
Ela encontra Deus nas pequenas coisas, nas plantas, na natureza e dentro de si.
A maternidade e a chegada dos filhos e netos reforçaram ainda mais essa percepção.
Ela se lembra de olhar para os pequenos pés, os dedos e as mãos dos recém-nascidos e pensar na grandiosidade daquele milagre.
Para Rose, a vida acontece todos os dias.
Do nascer ao pôr do sol.
Em ciclos de vida, morte e renascimento.
Sua fé não está restrita a um espaço físico.
Está presente na maneira como enxerga o mundo.
Na coragem de dar um passo sem saber exatamente como será o próximo.
Na certeza de que o chão aparecerá sob seus pés.
Na compreensão de que ação e fé podem caminhar juntas.
AS PALAVRAS QUE DEFINEM ROSE
Família é família.
Aprendizado é fé.
Fé é acreditar mesmo sem ver.
Coragem é quando alguém diz que você não é capaz e, ainda assim, você acredita em si mesma, faz acontecer e segue.
Natureza é sua grande mestre.
Café são memórias afetivas que aquecem o coração.
Empreender é o que a faz viver.
Bom Despacho é a cidade que escolheu, aquela que espera ver brilhar cada vez mais.
Entre os livros que a marcaram estão O Pequeno Príncipe e Mulheres que Correm com os Lobos.
Entre suas grandes inspirações estão Jesus, Maria e Maria Madalena.
Gratidão é abrir os olhos e agradecer pelo dia recebido como presente, mesmo sem saber o que virá pela frente.
E sucesso, para ela, não está necessariamente relacionado ao que se possui.
Está ligado ao que se sente diante da própria obra.
O LEGADO DE QUEM LEVA VIDA

Quando perguntada sobre como deseja ser lembrada, Rose não fala em números, propriedades, empresas ou conquistas materiais.
Fala de vida.
Ela olha para o espaço onde hoje está o Café com Prosa e lembra que ali existia um terreno baldio, com uma fossa e sem rede de esgoto.
Poucas pessoas conseguiam enxergar possibilidades naquele chão.
Rose enxergou.
Transformou.
Plantou.
Cuidou.
E hoje há vida.
Por isso, seu desejo é simples:
ser lembrada como uma pessoa que leva vida.
Talvez essa seja a síntese mais bonita de sua trajetória.
Porque Rose passou a vida fazendo exatamente isso.
Pegou terrenos áridos e plantou.
Pegou sementes e produziu mudas.
Pegou mudas e criou pomares.
Pegou uma área ociosa e plantou pitayas.
Pegou frutas que poderiam ser descartadas e transformou-as em alimento.
Pegou memórias da infância e transformou-as em um lugar de encontro.
Pegou dificuldades e transformou-as em força.
Pegou a descrença e transformou-a em coragem.
E pegou uma vida marcada por muitas pelejas e fez dela uma história de florescimento.
UMA MENSAGEM PARA OS JOVENS
Para os jovens que chegam ao mercado de trabalho, Rose deixa uma mensagem que parece nascer de tudo o que viveu: é preciso respeitar o tempo.
A tecnologia trouxe contribuições grandiosas para o trabalho e para os estudos, mas não pode substituir os processos naturais da vida.
Não se planta hoje para colher amanhã.
É preciso estudar de verdade, conhecer profundamente aquilo que se pretende fazer, vivenciar o trabalho, respeitar o próprio tempo e não desprezar o presente por desejar chegar rapidamente ao futuro.
Ela acredita que qualquer trabalho é digno e importante.
Nem sempre aquilo que fazemos agora é exatamente aquilo que desejamos fazer para sempre.
Mas é possível aprender com o presente.
É possível se capacitar.
É possível se ouvir.
É possível ter fé.
É possível acolher-se.
Rose também aprendeu algo importante sobre as próprias raízes.
Durante muito tempo, acreditou-se que aquilo que não era bonito em nós deveria ser eliminado.
Hoje pensa diferente.
É preciso acolher todas as nossas raízes.
Porque somente assim conseguimos estar inteiros.
FLORESCER ONDE DEUS NOS PLANTOU
Ao final da conversa, Rose emociona-se.
Diz que é muito bom encontrar alguém verdadeiramente interessado em sua história.
Mesmo diante de uma agenda corrida, afirma que procura receber as pessoas de alma e coração abertos.
E deixa uma imagem que parece resumir não apenas sua filosofia, mas toda a sua trajetória:
“Eu acho que a gente tem que ser mais como os ipês: florescer onde Deus nos plantou.”
E talvez seja exatamente essa a história de Rose.
A história de uma menina que nasceu em uma realidade onde lhe diziam que não precisava estudar.
De uma mulher que aprendeu cedo a trabalhar, a lutar e a acreditar.
De uma empreendedora que precisou provar muitas vezes que era capaz.
De uma mãe, avó, produtora rural, viveirista, empresária e apaixonada pela vida.
De alguém que aprendeu a transformar sementes em frutos, terrenos em jardins e memórias em acolhimento.
Rose não escolheu o chão onde nasceu.
Mas escolheu o que faria com ele.
E, onde muitos poderiam enxergar apenas aridez, ela encontrou possibilidades.
Plantou.
Cuidou.
Persistiu.
Floresceu.
E hoje, onde antes havia um terreno vazio, existe vida.
Talvez esse seja o seu maior legado:
ser uma mulher que leva vida por onde passa.
