DÉBORA FARAGO
Quando servir se transforma em propósito
Débora Andrade Farago Moraes nasceu em 4 de junho de 1983, em Lagoa da Prata, Minas Gerais. Filha de Marcia Helena Andrade Silva e de José Balbino Filho, falecido em outubro de 2022, Débora cresceu em uma família formada por quatro irmãos: as irmãs Daniele e Josiele e o irmão Fabrício, filho de seu pai de outro relacionamento.
Sua história é marcada desde cedo pelo trabalho, pela capacidade de adaptação e, sobretudo, por uma disposição genuína para servir.
A infância e a adolescência foram vividas em Lagoa da Prata. Débora estudou o ensino fundamental e, posteriormente, frequentou a Escola Nossa Senhora de Guadalupe. Entre as lembranças mais afetivas daquele período estão as professoras que marcaram sua formação, especialmente a tia Edna, de quem guarda a memória pelo carinho, pela delicadeza e pela forma respeitosa com que tratava as crianças.
Também teve a oportunidade de conviver com os avós maternos. O avô faleceu quando Débora ainda era adolescente, por volta dos 12 ou 13 anos, mas permaneceu em suas lembranças. A avó, por sua vez, viveu até 2022 e foi, segundo Débora, uma mulher de coração generoso e extremamente amorosa com os netos.
A história da família, entretanto, também foi atravessada por ausências e perdas. O avô paterno faleceu aos 21 anos, antes mesmo de conhecer o próprio filho, José Balbino Filho. A avó paterna estava grávida de três meses quando ficou viúva.
Em fevereiro de 2022, Débora perdeu a avó. Em outubro daquele mesmo ano, perdeu o pai. Quinze dias depois, veio a perda do sogro. Foram meses especialmente difíceis, ainda marcados pelo impacto de um período de pandemia que havia provocado tantas incertezas e despedidas.
Foi nesse contexto de dor que sua fé ganhou ainda mais significado.
Para Débora, Deus é o sustento e a fonte de força nos momentos em que as circunstâncias parecem maiores do que a capacidade humana de enfrentá-las. A fé passou a ocupar um espaço cada vez mais profundo em sua maneira de compreender a vida, as perdas, os encontros e os caminhos que escolheu.
O primeiro dinheiro e o aprendizado do trabalho A relação de Débora com o trabalho começou muito cedo.
Aos 13 anos, teve sua primeira experiência profissional em uma pequena fábrica de chocolates. Começou trabalhando na produção de ovos de Páscoa e, depois da temporada, permaneceu na empresa, ajudando na fabricação dos pequenos chocolates que abasteciam o comércio.
Pouco depois, aos 14 anos, quase 15, iniciou uma nova etapa profissional na Super Pão, uma padaria tradicional de Lagoa da Prata.
Para chegar ao trabalho, saía de casa por volta das quatro horas da manhã, de bicicleta, partindo do bairro Marília para chegar às 4h30. Para uma adolescente, era uma rotina exigente, mas que Débora guarda com carinho.
Foi uma experiência que, além do trabalho, contribuiu para sua formação pessoal. Ainda muito jovem e naturalmente introvertida, ela começou a aprender a conversar com as pessoas, estabelecer relações, assumir responsabilidades e desenvolver uma autonomia que mais tarde se tornaria uma das características de sua personalidade.
O trabalho abriu portas para uma Débora mais comunicativa e mais segura.
Uma vida que ganhou novas estradas
Mais tarde, depois da separação de seu primeiro marido, pai de seus filhos, Débora passou a viver no Pará.
Ali, ajudava o então marido em suas atividades profissionais e, após a separação, decidiu permanecer no estado. Trabalhou com vendas e representação, viajando por diferentes cidades e regiões.
Foram aproximadamente 15 anos de vida no Pará.
Durante esse período, percorreu longas distâncias sozinha, chegando a dirigir por até seis horas em uma única viagem. Conheceu cidades, pessoas e histórias. Criou amizades que permanecem até hoje, mesmo depois de muitos anos sem retornar ao estado.
Para Débora, aquela fase foi uma escola de vida.
A rotina de viagens, os desafios profissionais e a necessidade de se adaptar constantemente a diferentes lugares contribuíram para formar uma mulher independente, dinâmica e extremamente ativa.
Mas a vida tinha outros caminhos reservados.
Ao conhecer Tiago Farago, seu atual marido, Débora começou a enxergar uma nova possibilidade para sua trajetória. Tiago é natural de Pirenópolis, Goiás, e possui familiares em Lagoa da Prata e na região.
Quando os dois se aproximaram, Débora decidiu deixar as viagens e retornar a uma rotina mais próxima de casa.
Foi então que percebeu que precisava de um novo desafio.
Acostumada a viver em movimento, sentiu dificuldade em permanecer parada. E foi justamente nesse momento que tomou uma decisão que mudaria sua trajetória: voltar a estudar.
Nunca é tarde para começar. Débora decidiu cursar Fisioterapia.
Começou a faculdade e, praticamente ao mesmo tempo, já pensava em empreender.
Em 2018, nasceu a primeira versão da Viva Bem Clínica, inicialmente com um pequeno estúdio de Pilates instalado em um cômodo da casa de sua mãe, na Rua José Bernardo de Maciel, na descida do Brejo.
Era um começo modesto, mas carregado de sonhos.
Com o passar do tempo, Débora percebeu que sua vocação estava menos na execução técnica dos atendimentos e mais na construção de estruturas capazes de oferecer atendimento, acolhimento e oportunidades para outras pessoas.
Ela descobriu que gostava de empreender.
Gostava de organizar, liderar, criar possibilidades e colocar pessoas diferentes trabalhando em torno de um mesmo propósito.
A pandemia trouxe uma pausa. Débora trancou temporariamente a faculdade e começou a questionar se aquele caminho seria realmente o seu.
Foi quando percebeu algo importante sobre si mesma: havia nascido para empreender.
Não necessariamente para estar na linha de frente de cada atendimento, mas para construir os caminhos pelos quais os atendimentos poderiam chegar às pessoas.
O encontro com a fibromialgia
Foi nesse período que começaram a chegar até Débora mulheres que conviviam com dores intensas e que, muitas vezes, não encontravam acolhimento ou compreensão.
A realidade das pessoas com fibromialgia despertou nela uma inquietação profunda.
Débora queria ajudar.
Não apenas oferecer um serviço, mas construir um espaço no qual aquelas mulheres pudessem ser ouvidas, compreendidas e cuidadas.
Inicialmente, outras pessoas se aproximaram para ajudá-la a estruturar esse trabalho. Nem todas permaneceram no caminho, e Débora precisou assumir a liderança.
Durante a pandemia, quando muitas portas se fecharam, uma pessoa em especial permaneceu ao seu lado e a incentivou a continuar.
Débora já havia feito a inscrição de algumas mulheres para participar das atividades. Elas estavam esperançosas, porque, até então, muitas ouviam que as dores que sentiam eram exageradas ou até mesmo fruto da imaginação.
A partir daquele trabalho, a fibromialgia começou a ganhar maior visibilidade em Lagoa da Prata.
Em 2022, nasceu a Afibro — Associação da Fibromialgia em Lagoa da Prata, iniciativa construída por Débora e sua equipe.
O caminho, entretanto, não foi simples.
Houve a busca por documentação, organização jurídica, construção da identidade da associação e procura por caminhos que permitissem oferecer atendimento gratuito.
Débora reconhece o apoio recebido do poder público e cita especialmente o prefeito Di Gianne, que, segundo ela, sempre abriu portas e auxiliou dentro dos limites legais da administração pública.
Atualmente, a associação passa por um processo de reformalização, enquanto Débora e sua equipe trabalham para conquistar novas possibilidades de atendimento, inclusive por meio de emendas e da busca pelo título de utilidade pública.
Nesse processo, conta também com o apoio do vereador João Pedro.
Enquanto a associação passa por essa reorganização, o trabalho segue sob a identidade Viva Bem com Fibro, representada visualmente por uma mulher com asas de borboleta.
A borboleta traduz, de certa forma, o próprio significado dessa caminhada: transformação, resistência e a possibilidade de uma nova forma de viver.
Um espaço que nasceu para acolher
A trajetória da Viva Bem também encontrou pessoas que acreditaram no propósito.
Uma delas foi João Gominha, que disponibilizou gratuitamente, durante quatro meses, uma casa na cidade de Jardim para que Débora e sua equipe pudessem desenvolver as atividades.
Foi naquele espaço que o trabalho com as mulheres ganhou força.
Mas havia uma dificuldade: muitas pacientes eram idosas e conviviam com dores intensas. O imóvel possuía escadas, o que dificultava o acesso.
Débora começou então a buscar outro local.
Foi quando surgiu Eliseu, da Estilos, ao lado de Gessi.
O imóvel oferecia exatamente aquilo que o trabalho precisava: localização central, salas climatizadas, banheiros e, principalmente, elevador.
O valor do aluguel, inicialmente, estava acima das possibilidades da instituição. Mesmo assim, Débora decidiu apresentar uma proposta.
Pouco tempo depois, Eliseu entrou em contato e decidiu retirar o imóvel da imobiliária para fazer um contrato diretamente com ela.
Para Débora, aquilo não foi apenas uma negociação.
Foi uma resposta.
Ela havia pedido a Deus que, se aquele lugar fosse realmente destinado ao propósito que carregava, as portas se abririam.
E se abriram.
Ela conta que, antes mesmo de conhecer o espaço, havia sonhado com um local que possuía uma escada lateral. Quando chegou ao imóvel, encontrou características que correspondiam ao sonho.
Para ela, foi mais uma confirmação de que havia um propósito naquele caminho.
Assim nasceu uma nova fase da Viva Bem Clínica da Dor.
O espaço passou a reunir diferentes profissionais e serviços, entre eles fisioterapia, Pilates, psicologia, biomedicina, terapias e profissionais parceiros.
Débora também construiu uma rede de aproximadamente 50 profissionais parceiros, entre diferentes áreas, que se relacionam com o trabalho voltado às pessoas com fibromialgia.
Viva Bem Company
A natação e as atividades aquáticas chegaram posteriormente.
Há cerca de três anos, Débora criou a estrutura da Viva Bem Company, inicialmente pensando na hidroginástica para mulheres com fibromialgia.
A proposta era oferecer uma atividade que pudesse contribuir para a qualidade de vida dessas mulheres, dentro das possibilidades financeiras da instituição.
Com o tempo, o espaço cresceu e passou também a atender crianças.
Hoje, a Viva Bem Company oferece natação infantil, natação personalizada, hidroginástica e hidroterapia.
A hidroterapia, explica Débora, diferencia-se da hidroginástica porque é um tratamento ligado à fisioterapia e deve ser conduzido por um fisioterapeuta.
A natação, por sua vez, ganhou uma frente especial no atendimento às chamadas crianças atípicas, incluindo crianças com autismo e TDAH.
Débora faz questão de acolher crianças que, muitas vezes, encontram dificuldades em outros espaços.
Algumas chegam agitadas, com dificuldade de permanecer na piscina ou de lidar com o ambiente. Ainda assim, a equipe insiste, adapta-se e procura compreender cada criança individualmente.
O objetivo é também apoiar as mães, que muitas vezes chegam cansadas e sem saber onde encontrar acolhimento.
Entre as profissionais que fazem parte dessa história está sua filha, Maria Eduarda, professora de natação na Viva Bem Company.
Uma equipe construída com vínculos
Débora faz questão de reconhecer as pessoas que caminham ao seu lado.
Jéssica, fisioterapeuta que está com ela há aproximadamente cinco anos, assumiu uma importante função na Viva Bem Clínica da Dor, ao lado de outras profissionais.
A equipe da clínica reúne quatro fisioterapeutas.
Também fazem parte da rede profissionais da psicologia, sob coordenação de Karine e Karen, além de nutricionistas, profissionais de estética e outros parceiros.
Na Viva Bem Company, profissionais como Rose, Clarine e Maria Eduarda estão com Débora desde a inauguração.
Ela valoriza especialmente a permanência das pessoas.
Para Débora, empreender não significa construir uma conquista individual. Ela deseja que todos que trabalham ao seu lado também tenham condições de crescer, prosperar e serem reconhecidos pelo próprio trabalho.
Sua visão de liderança passa por isso: não basta que a empresa avance. As pessoas que ajudam a construí-la também precisam avançar.
Acolher quem já chegou ao limite

Por trás de todo esse trabalho existe uma realidade que Débora considera urgente tornar mais conhecida.
Muitas mulheres chegam até ela depois de anos convivendo com dores intensas.
Algumas relatam que já não conseguem trabalhar, cuidar da casa ou realizar atividades simples do cotidiano. Há mulheres que passam longos períodos na cama.
E existem relatos ainda mais dolorosos.
Débora conta que já recebeu ligações de mulheres que, diante do sofrimento, chegaram a pensar em tirar a própria vida. São histórias de pessoas que dizem não suportar mais viver com dor constante.
Ela entende que a fibromialgia não afeta apenas o corpo.
Afeta a autoestima, a vida profissional, os relacionamentos, a organização familiar e a própria percepção que a pessoa tem de si.
Muitas mulheres, segundo os relatos que chegam até ela, enfrentam também a incompreensão dentro da própria casa.
Como a doença não apresenta necessariamente uma ferida ou uma alteração visível, há familiares que não conseguem compreender a intensidade da dor.
Maridos e filhos podem interpretar os sintomas como exagero, desânimo ou falta de vontade.
Para Débora, essa falta de empatia torna o sofrimento ainda maior.
Ela lembra que já ouviu relatos de mulheres cujo casamento terminou em razão das dificuldades provocadas pela doença e também de jovens que tiveram relacionamentos interrompidos porque o parceiro não compreendia a rotina de dor.
A fibromialgia, portanto, não é apenas uma questão física.
É uma condição que pode atravessar toda a estrutura familiar.
E é justamente por isso que Débora defende mais informação.
Conhecimento também é acolhimento
Para ela, a sociedade precisa falar mais sobre fibromialgia.
A mídia, as instituições, os profissionais e as comunidades podem ajudar a levar informação para quem ainda não conhece a doença.
Débora acredita que conhecimento é libertador.
Ela mesma reconhece que, antes de mergulhar nesse trabalho, conhecia pouco sobre a realidade da fibromialgia.
Hoje, percebe que muitas pessoas podem estar convivendo com dores sem sequer saber que existe uma condição que precisa ser investigada.
Ela cita a orientação recebida de profissionais da área, entre eles o Dr. Nelson, reumatologista que apoia e orienta o trabalho desenvolvido pela equipe.
Segundo informações compartilhadas por Débora, existe uma grande quantidade de pessoas que pode conviver com sintomas sem diagnóstico ou sem compreender a origem das dores.
É por isso que ela defende a importância da busca por avaliação médica e acompanhamento adequado.
A informação, para ela, pode ser o primeiro passo para que uma pessoa deixe de acreditar que está sozinha.
Outubro Rosa e novas ações
O trabalho também se amplia para além da fibromialgia.
Entre as ações previstas está um encontro especial de Outubro Rosa, destinado às mulheres atendidas pela rede.
A iniciativa contará com espaço cedido gratuitamente por Marta, da loja do Eubs, que, segundo Débora, abriu as portas com enorme generosidade.
O encontro deverá reunir mulheres, profissionais da psicologia e outros parceiros em um momento de conversa, acolhimento e convivência.
Para Débora, ações como essa ajudam a lembrar que cuidar também significa criar espaços para conversar, ouvir e estar junto.
A mulher por trás da empreendedora
Fora das empresas e dos projetos, Débora se define como uma mulher inquieta.
Não consegue ficar parada.
Está sempre pensando em alguma coisa, criando, organizando ou buscando uma maneira de ajudar alguém.
Sua motivação está profundamente ligada à fé.
Ela acredita que prosperidade não significa apenas possuir. Significa também ter condições de abençoar outras pessoas.
Por isso, costuma pedir a Deus que aquilo que conquistar possa servir para ajudar outras vidas.
A família ocupa o lugar central em sua vida depois de Deus.
Os filhos, Maria Eduarda e João Vitor, são suas prioridades.
Maria Eduarda tem 24 anos e João Vitor completará 20 anos em novembro. Ela os considera parte essencial de sua história e também de seus sonhos.
Ao lado deles está o marido, Tiago Farago, que, segundo Débora, teve participação fundamental na construção de sua trajetória empresarial.
Quando tudo começou, a Viva Bem era pequena.
Foi Tiago quem acreditou no sonho, ofereceu estrutura e ajudou financeiramente para que os projetos pudessem crescer.
Para Débora, ele também representa uma dessas pessoas que Deus colocou em seu caminho com um propósito.
Ela acredita que encontros entre pessoas — sejam familiares, afetivos, profissionais ou de amizade — acontecem porque cada um tem algo a cumprir na trajetória do outro.
Uma vida simples, mas bem vivida
Apesar da intensidade do trabalho, Débora encontra prazer nas coisas simples.
Gosta de viajar, conhecer lugares, assistir a shows, reunir a família e estar com os amigos.
Gosta de churrascos, encontros e boas conversas.
Não se considera uma mulher luxuosa.
Prefere viver bem, comer bem, estar cercada de pessoas queridas e aproveitar os momentos que a vida oferece.
Uma de suas paixões é viajar.
Entre as experiências mais marcantes está o período em que viveu no Pará, estado que considera parte importante de sua história e onde construiu amizades que permanecem até hoje.
Na gastronomia, sua preferência é clara: macarrão.
A política como extensão do trabalho social
Na última eleição municipal, Débora também decidiu colocar seu nome à disposição da população como candidata a vereadora.
Recebeu 463 votos e ficou como suplente de Mauro do Gasto.
Embora não tenha ocupado uma cadeira no Legislativo, interpreta a votação como uma demonstração de reconhecimento pelo trabalho que vinha desenvolvendo na comunidade.
Para ela, os votos representaram também uma resposta das pessoas ao trabalho construído ao longo dos anos.
Débora reconhece, porém, que nenhuma conquista é exclusivamente individual.
Há muitas pessoas por trás de cada projeto, cada atendimento e cada resultado.
O olhar para o futuro
Quando pensa na Débora de 2017 ou 2018, ela reconhece uma transformação profunda.
A mulher que tinha sonhos ainda pequenos passou a enxergar possibilidades muito maiores. Hoje, considera que venceu etapas importantes. Não porque tudo esteja concluído, mas porque aprendeu a não desistir diante das dificuldades.
Seu grande sonho é ver os filhos formados e profissionalmente estabilizados.
E existe outro sonho que ocupa um lugar especial: ver o trabalho da Fibrom formalizado, estruturado e capaz de oferecer atendimento gratuito e permanente às pessoas que precisam.
Débora deseja deixar um legado.
Mais do que uma empresa, pretende deixar uma estrutura que continue ajudando vidas mesmo quando ela não estiver mais à frente.
A vida como oportunidade
Para Débora, a vida é uma oportunidade que precisa ser vivida intensamente.
Ela acredita que é preciso cuidar de si, fazer o bem e aproveitar o tempo que se tem.
Sua compreensão sobre a morte também foi profundamente transformada pela experiência da perda do pai.
José Balbino Filho faleceu em outubro de 2022, aos 68 anos, vítima de um infarto fulminante.
Naquele dia, segundo Débora, ele estava aparentemente bem. Trabalhava na construção de uma casa e havia sido visto poucas horas antes. Mais tarde, diante da família, pediu um abraço à mãe e ao cunhado que o amparava. Então disse que iria morrer e, em seguida, afirmou ter visto Jesus chegando para buscá-lo.
A experiência marcou profundamente Débora.
Durante muito tempo, ela teve dificuldade em aceitar a própria finitude. Depois da morte do pai, passou a enxergar a partida de outra maneira. A fé trouxe conforto. Para ela, a morte não representa o fim absoluto, mas uma passagem para outra existência junto de Deus. Essa convicção não elimina a saudade, mas transforma a maneira como ela lida com a ausência. E dela nasceu uma certeza ainda maior: enquanto estiver aqui, é preciso viver. É preciso amar. É preciso aproveitar. É preciso fazer o bem. O propósito de servir
A história de Débora Farago é, em muitos aspectos, a história de uma mulher que aprendeu a transformar movimento em propósito.
A menina que começou a trabalhar aos 13 anos.
A adolescente que atravessava a cidade de bicicleta antes do amanhecer para chegar ao trabalho.
A jovem que passou anos viajando pelas estradas do Pará.
A mulher que decidiu voltar a estudar.
A empreendedora que criou uma pequena clínica.
A líder que descobriu sua vocação para organizar, construir e conectar pessoas.
E, principalmente, a mulher que decidiu olhar para pessoas que estavam sofrendo e dizer: “Eu quero ajudar.”
Hoje, sua atuação reúne empreendedorismo, saúde, acolhimento, atividade física, inclusão, relacionamento humano e ação social.
A Viva Bem Clínica da Dor e a Viva Bem Company são extensões de uma visão que Débora carrega para além dos negócios: a crença de que uma conquista só tem verdadeiro significado quando também pode transformar a vida de outra pessoa.
Ela sabe que ainda há muito a fazer.
Sabe que a associação precisa avançar, que muitas mulheres ainda precisam ser alcançadas e que o conhecimento sobre a fibromialgia precisa chegar mais longe.
Mas também acredita no tempo de Deus. E segue.
Com fé, trabalho, determinação e persistência. Um legado que ainda está sendo escrito
Ao olhar para tudo o que construiu, Débora não considera que sua história esteja pronta.
Pelo contrário.
Ela acredita que ainda existem capítulos importantes a serem vividos.
Seu desejo é ver os filhos realizados, a Fibrom fortalecida e novas possibilidades de atendimento surgirem para as pessoas que mais precisam.
Quer deixar um legado que continue existindo depois dela.
Um legado de cuidado.
De acolhimento.
De serviço.
De fé.
E de coragem para recomeçar quantas vezes forem necessárias.
Aos jovens que chegam ao mercado de trabalho, Débora deixa uma mensagem que resume muito de sua própria trajetória: fé, foco, luta e persistência.
Para ela, é preciso buscar a direção de Deus, confiar nos caminhos que se apresentam e não desistir diante da primeira barreira.
Porque nem sempre o caminho imaginado é o caminho que se realiza.
E, muitas vezes, aquilo que parecia um desvio acaba conduzindo a lugares que jamais poderiam ser imaginados.
Foi assim com Débora.
Ela saiu de Lagoa da Prata, viveu no Pará, percorreu estradas, voltou, estudou, empreendeu, criou projetos, acolheu mulheres, abriu portas para crianças, construiu equipes e descobriu que sua maior realização não está apenas naquilo que possui.
Está naquilo que consegue fazer chegar ao outro.
Porque, para ela, servir é uma forma de viver.
E viver, afinal, é a oportunidade de fazer o bem enquanto ainda há tempo.