Categorias

RAFAEL RESENDE

RAFAEL RESENDE

Uma história construída entre a família, o campo e o cooperativismo

Algumas histórias são construídas por grandes acontecimentos. Outras, pela soma silenciosa de escolhas feitas ao longo dos anos. A trajetória de Rafael Resende pertence às duas dimensões: carrega a força de uma família numerosa, a simplicidade de quem nasceu e cresceu no campo e a dimensão de quem, ao longo da vida, transformou experiência, dedicação e valores em compromisso com uma comunidade.

Nascido em 4 de março de 1956, em Lagoa da Prata, Rafael é filho de Francisco de Tavola Serra, conhecido na cidade como Kito Pierre, e Josefa Rezende de Tavola Serra. Cresceu ao lado de onze irmãos, em uma família profundamente unida e marcada pelo trabalho no campo.

A infância foi vivida na fazenda, em um tempo em que as relações eram mais próximas e a vida seguia outro ritmo. Os primeiros irmãos nasceram na própria propriedade rural, onde havia também muitos moradores e trabalhadores. Para Rafael, aquela convivência nunca foi marcada por distâncias sociais: os funcionários da fazenda eram, antes de tudo, amigos e companheiros de uma mesma história.

A família numerosa tornou-se, com o passar dos anos, um dos grandes patrimônios afetivos de Rafael. E uma tradição iniciada por seu pai permanece viva até hoje: os encontros das terças-feiras. Mesmo depois da morte de Francisco, há cerca de 30 anos, os irmãos mantiveram o costume de se reunir para rezar e, principalmente, para permanecerem próximos.

“É importante a oração, mas eu acho importante também esse encontro da gente”, resume Rafael, revelando uma de suas convicções mais profundas: família também se constrói pela presença.

AS RAÍZES NO CAMPO

Foi ainda muito jovem que Rafael conheceu o valor do trabalho e também a satisfação de conquistar o próprio dinheiro.

Por volta dos 12 a 14 anos, começou a cuidar de algumas vacas e a tirar leite. O que começou como uma experiência da infância tornou-se parte de sua formação e, posteriormente, de sua própria trajetória profissional.

Estudou em Lagoa da Prata e concluiu o curso técnico em Contabilidade, no Colégio Municipal, em uma época que guarda com carinho pelas amizades e experiências vividas.

Apesar da formação contábil, sua vida profissional permaneceu ligada ao campo. Durante muitos anos, dedicou-se à fazenda, trabalhando principalmente com gado leiteiro e, posteriormente, também com gado de corte.

A experiência permitiu que conhecesse de perto as transformações pelas quais passou o agronegócio. Se, no passado, a atividade leiteira apresentava maior atratividade, as mudanças na disponibilidade e no custo da mão de obra fizeram com que a pecuária de corte ganhasse espaço em sua realidade.

Hoje, Rafael ainda mantém a ligação com a propriedade rural, mas divide seu tempo com outra grande responsabilidade: a presidência do Sicoob União Centro-Oeste.

Seu filho, Gustavo, segue a tradição familiar e permanece ligado à fazenda.

UMA HISTÓRIA QUE TAMBÉM É COOPERATIVISTA

A relação de Rafael com o cooperativismo começou antes mesmo de sua chegada ao Sicoob União Centro-Oeste.

Seu pai e seu irmão mais velho foram sócios-fundadores da cooperativa, criada há cerca de 37 anos. Rafael ingressou um ano depois de sua fundação e, ao longo das décadas, construiu uma trajetória marcada pela participação e pelo compromisso com a instituição.

Antes de chegar à presidência, foi conselheiro por aproximadamente 20 anos e também acumulou experiência em conselhos ligados à Cooperativa Pecuária, tendo participado do Conselho Fiscal e do Conselho Administrativo.

Em 1º de julho de 2024, assumiu a presidência do Sicoob União Centro-Oeste.

A chegada à presidência representou um dos maiores desafios de sua vida.

Rafael conta que, apesar de sua longa experiência como conselheiro, não estava habituado à rotina executiva da instituição. No primeiro dia, diante de um computador colocado em sua sala, chegou a brincar que sabia apenas ligar e desligar o telefone.

A simplicidade com que conta o episódio revela muito mais do que uma história divertida. Mostra a disposição de quem nunca teve receio de aprender.

Com o apoio da equipe, foi se familiarizando com as novas ferramentas, reuniões e responsabilidades. Hoje, participa de encontros com estruturas do sistema cooperativista em Brasília e Belo Horizonte, além de reuniões presenciais e virtuais.

Também passou a participar de programas de formação voltados à liderança e à evolução do cooperativismo, como o Lidercop, curso que, segundo ele, representa mais uma oportunidade de acompanhar as transformações que estão por vir.

APRENDER PARA CONTINUAR EVOLUINDO

A tecnologia e as mudanças no comportamento dos consumidores trouxeram novos desafios para o sistema financeiro. Para Rafael, acompanhar esse movimento exige disposição permanente para aprender.

Essa busca o levou também a experiências internacionais.

Em 2025, participou, na Suécia, de um grande encontro internacional que reuniu representantes de cooperativas de crédito de 69 países. Entre participantes de Minas Gerais, Rafael esteve entre os selecionados para a experiência.

Durante uma semana, teve contato com diferentes culturas, modelos de cooperativismo e experiências de outros países.

Mais do que uma viagem, guarda a experiência como uma oportunidade de crescimento.

Para quem nasceu e cresceu na roça, ele reconhece que ocupar hoje espaços de formação, liderança e representação dentro do cooperativismo foi um grande desafio — e também uma conquista.

UMA COOPERATIVA PRÓXIMA DE QUEM PRODUZ

À frente do Sicoob União Centro-Oeste, Rafael mantém uma visão muito próxima daquela que aprendeu desde a infância: é preciso conhecer a realidade de quem está do outro lado.

A instituição atua em sete cidades, com agências físicas e também atendimento digital, acompanhando produtores rurais, empresários e famílias.

Para Rafael, um dos grandes diferenciais do cooperativismo está justamente na proximidade.

O associado encontra na cooperativa não apenas produtos financeiros, mas pessoas capazes de compreender sua realidade, suas dificuldades e seus objetivos.

Essa proximidade se manifesta também em iniciativas como a Prosa da Gente, encontros realizados com produtores e empresários para levar informação, conhecimento, tecnologia e orientação, mas também para ouvir as necessidades de quem vive diariamente os desafios da atividade econômica.

A cooperativa promove ainda palestras, treinamentos e ações de educação financeira nas escolas, alcançando tanto comunidades urbanas quanto a população ligada ao meio rural.

Porque, para Rafael, cooperar também significa compartilhar conhecimento.

UMA EQUIPE QUE FAZ PARTE DA HISTÓRIA

À frente da instituição, Rafael faz questão de reconhecer o trabalho de sua equipe.

O Sicoob União Centro-Oeste conta com 167 funcionários, distribuídos pelas sete unidades de atuação. Segundo ele, um dos grandes diferenciais está na estabilidade e na experiência dos profissionais.

A baixa rotatividade permite que os colaboradores conheçam diferentes áreas da instituição e construam uma visão mais ampla do negócio.

Treinamento e capacitação também fazem parte da rotina.

Para Rafael, uma equipe preparada é fundamental para que a cooperativa continue avançando.

47 ANOS DE UMA HISTÓRIA A DOIS

Se no trabalho Rafael construiu uma trajetória de décadas, na vida pessoal construiu uma história ainda mais longa.

Conheceu Yara ainda jovem, quando ele tinha aproximadamente 17 anos e ela, 14.

O namoro começou cedo e atravessou mais de cinco décadas.

São 47 anos de casamento e uma vida construída lado a lado.

Yara, que se aposentou como professora, é descrita por Rafael como uma companheira dedicada e formidável.

A relação dos dois é marcada por uma cumplicidade que atravessou gerações e se tornou uma das histórias afetivas mais bonitas de sua trajetória.

Juntos, tiveram dois filhos: Gustavo e Rafaela.

Gustavo seguiu a tradição da família e permanece ligado à fazenda. Rafaela dedicou 27 anos ao trabalho no Depósito Brasil, onde chegou à função de gerente. Depois do nascimento do filho mais novo, decidiu interromper a carreira para se dedicar à família.

Hoje, Rafael é avô de quatro netos: Gabriel, Miguel, Vicente e Rafael.

É justamente na convivência com eles que encontra uma nova forma de aproveitar a família.

Ele próprio reconhece que, quando os filhos eram pequenos, a correria da vida não permitia desfrutar cada momento como gostaria. Com os netos, há mais tempo para estar presente, brincar e construir memórias.

A VIDA PARA ALÉM DO TRABALHO

Embora a rotina profissional seja intensa, Rafael valoriza os momentos simples.

Gosta de reunir a família, estar na fazenda aos finais de semana, pescar no pequeno rio da propriedade, jogar baralho e aproveitar a companhia dos filhos, netos e da esposa.

Também sabe cozinhar.

Sem grandes pretensões gastronômicas, prepara o básico: arroz, feijão, verduras e carne. Para ele, o segredo está no tempero e, sobretudo, no ponto certo de cada alimento.

Na fazenda, a cozinha também se transforma em espaço de convivência.

Enquanto Rafael cuida da carne, a família participa dos preparativos e todos se reúnem em torno da mesa.

São momentos que, para ele, têm um valor que nenhum patrimônio material consegue substituir.

“É o que faz a vida. A gente constrói memórias.”

FÉ, FAMÍLIA E PROPÓSITO

Católico, Rafael já foi ministro da Eucaristia e participou de encontros de casais e outras atividades da Igreja.

Sua fé é parte importante de sua vida, mas também carrega uma visão de respeito às diferentes crenças.

Para ele, independentemente da religião, a fé em Deus é um ponto de união.

Família, por sua vez, ocupa lugar central.

Quando fala de Yara, dos filhos e dos netos, a voz de um presidente de cooperativa dá espaço ao homem que reconhece na vida familiar seu maior patrimônio.

SONHOS QUE MOVEM A VIDA

Quando questionado sobre o que considera essencial para uma vida boa, Rafael fala sobre sonhos.

Para ele, não importa apenas alcançar grandes objetivos. São também os pequenos sonhos realizados ao longo do caminho que dão sentido à caminhada.

Sonhar com os filhos bem, com a família unida e com a cooperativa crescendo.

Sonhar e, ao mesmo tempo, trabalhar para transformar esses desejos em realidade.

“Se não tiver sonho, perde a graça.”

Talvez essa seja uma das frases que melhor traduzem sua maneira de enxergar a vida.

COOPERAR TAMBÉM É CUIDAR

O compromisso de Rafael com o cooperativismo ultrapassa a dimensão financeira.

A responsabilidade social é, para ele, parte da própria essência de uma cooperativa.

O Sicoob União Centro-Oeste participa e apoia iniciativas de diferentes instituições e projetos sociais, entre eles a PAI, a Vila Vicentina, o SOS e o Núcleo do Câncer.

Em uma das ações realizadas na Vila Vicentina, uma noite de massas arrecadou mais de R$ 30 mil para a instituição.

A cooperativa também esteve entre os parceiros de ações voltadas à Associação dos Autistas, à Ecoterapia e ao Abrigo de Santo Antônio do Monte, fortalecendo iniciativas que beneficiam diretamente a comunidade.

Para Rafael, não se trata apenas de contribuir.

É cumprir uma das vocações do cooperativismo: devolver à sociedade parte do que é construído coletivamente.

O LEGADO

Ao olhar para a própria história, Rafael não fala em grandes conquistas pessoais.

Fala em continuidade.

Continuidade da família, que permanece unida.

Continuidade da tradição rural, agora também pelas mãos do filho.

Continuidade de uma relação de mais de cinco décadas com Yara.

E continuidade de uma história iniciada por s

Comentários
Postagem anterior

DAIANE RIBEIRO

Próximo post

LÍLIAN GUIMARÃES

gabriel

gabriel

Consultor de Marketing digital. Design gráfico.