HONRA AO MÉRITOMelhores Profissionais

Sandra Brasil

Uma história de cuidado, propósito, fé e dedicação

Há pessoas que encontram uma profissão.

Outras descobrem, ao longo da vida, que a profissão é apenas o caminho por meio do qual um propósito maior se manifesta. A história de Sandra Mara pertence a esse segundo grupo. Jovem, dedicada e movida pelo desejo genuíno de cuidar, ela encontrou na estética muito mais do que uma carreira: encontrou uma forma de tocar vidas, elevar a autoestima e transformar o cotidiano de outras pessoas por meio do acolhimento, da técnica e do afeto.

Nascida em 9 de outubro de 2001

Sandra passou toda a infância em Japaraíba, em uma família que considera seu maior alicerce. Seus pais, Tânia e José Manuel, escolheram a pequena cidade do interior para criar os filhos, buscando uma vida mais tranquila e próxima dos valores que consideravam essenciais.

Sandra é a terceira filha de uma família de quatro irmãos: Jassiara e Maiara, suas irmãs mais velhas, e Wendel, seu irmão caçula e grande xodó. A família é, para ela, sinônimo de amor, proteção e pertencimento. Brincando, costuma dizer que é o “chiclete” da família, tamanha a sua ligação com todos. É também aquela a quem os familiares recorrem quando precisam de ajuda, conselho ou simplesmente de alguém que esteja por perto.

“Eu me sinto a líder”, revela, com carinho, ao falar dessa relação. E talvez seja justamente essa capacidade de cuidar e de assumir responsabilidades que tenha acompanhado Sandra desde muito cedo.

Sua infância foi vivida com intensidade e liberdade. Ela brincou na terra, mexeu com barro, ralou os joelhos e aproveitou aquilo que considera uma verdadeira infância. Seus pais sempre prezaram pelo respeito, pelo cuidado e pela atenção ao outro, valores que acabaram se tornando parte fundamental de sua personalidade e, mais tarde, de sua profissão.

Entre as lembranças mais afetivas desse período estão as aulas de artesanato que frequentava com a mãe. Sandra não ia apenas pelo artesanato, mas pelo momento de conexão entre as duas. Recorda-se especialmente das ocasiões em que montavam pequenos bonecos de isopor, como Papai Noel, e sua mãe lhe ensinava a trabalhar com mais delicadeza e paciência.

Era uma lição que ultrapassava o artesanato. Sem que Sandra percebesse, sua mãe estava também lhe ensinando uma maneira de olhar para o mundo.

A arte esteve presente de outras formas em sua infância e adolescência. Sandra fez balé, cantou, dançou e chegou a estudar música. Tocou flauta transversal, posteriormente flauta doce, e até se aventurou no saxofone. A falta de tempo a afastou de algumas dessas atividades, mas a música permaneceu como uma paixão. Ainda hoje, quando deseja desacelerar, encontra na flauta uma forma de aliviar a mente.

Também herdou da família uma curiosidade especial pelas próprias raízes. Seu avô materno, Miguel, tinha origem indígena e carregava costumes muito diferentes daqueles com os quais Sandra estava acostumada. Preparava remédios com elementos naturais, utilizava conhecimentos tradicionais e mantinha práticas que despertavam a curiosidade da neta.

Ele faleceu quando Sandra tinha apenas sete anos, mas deixou lembranças marcantes. A história familiar desse lado indígena permanece cercada de mistérios, especialmente porque seu avô preferiu manter parte de sua origem e de sua família distante. Sandra, naturalmente curiosa, gostaria de conhecer mais sobre essa história, mas aprendeu também a respeitar o silêncio deixado por ele.

Do lado paterno, guarda igualmente a lembrança dos avós José e Luzia, tendo conhecido apenas a avó, que permanece viva. As memórias familiares, portanto, formam uma espécie de mosaico afetivo que ajuda a explicar a mulher que Sandra se tornou.

Sua família também foi marcada por uma história de perdas e esperança. Sua mãe passou por sete gestações até o nascimento de Wendel, o filho tão desejado. Um dos irmãos, José Miguel, chegou a fazer parte da família por algum tempo, mas faleceu ainda jovem. Sandra fala dele com carinho, reconhecendo sua breve passagem como parte importante da história da família.

Entre dois sonhos

Na adolescência, Sandra acreditava que seguiria um caminho completamente diferente. Durante anos, alimentou o sonho de se tornar delegada de polícia. Desde o nono ano do Ensino Fundamental até o final do Ensino Médio, essa era sua certeza.

Ao mesmo tempo, porém, havia outro interesse crescendo silenciosamente: a estética.

Sandra já fazia cursos na área e gostava de cuidar das pessoas, maquiar e conhecer os recursos relacionados à beleza e ao bem-estar. Ainda assim, não imaginava que aquela área pudesse se transformar em sua profissão.

Foi seu pai quem provocou a primeira grande mudança de direção.

Ao ouvir Sandra falar sobre o desejo de ser delegada, José Manuel reconheceu nela uma característica que talvez ela ainda não percebesse: sua sensibilidade. Disse que ela teria capacidade para exercer a profissão, mas questionou se conseguiria lidar com a necessidade de manter firmeza diante de situações extremamente difíceis.

A conversa fez Sandra pensar.

Mais tarde, ao se preparar para o Enem, Sandra decidiu tentar os dois caminhos. Foi aprovada em ambas as opções pelo ProUni, com bolsa integral. A escolha, então, tornou-se ainda mais difícil.

O destino, porém, trouxe uma conversa decisiva.

Em uma festa de aniversário, Sandra conheceu o doutor Ivan, delegado de polícia, e perguntou como era a profissão. Ele disse que amava o que fazia, mas também contou sobre as dificuldades e sobre a necessidade constante de proteger a própria família.

Sandra percebeu, naquele momento, que não queria colocar seus familiares em uma situação de risco por causa de sua profissão.

Escolheu a estética.

Hoje, olha para aquela decisão com gratidão e acredita que dificilmente teria encontrado tanta realização se tivesse seguido o caminho do Direito.

O primeiro passo

Sandra cursou Estética e Cosmetologia na UNA, em Montes Claros, e começou sua trajetória profissional de maneira bastante simples: uma pequena sala.

Uma amiga que trabalhava em uma ótica e também prestava serviços de beleza incentivou Sandra a começar. Ela ainda estava na faculdade e não tinha pacientes, mas decidiu abrir sua primeira sala mesmo assim.

A amiga divulgou o trabalho e, pouco depois, veio a notícia que misturou alegria e nervosismo:

“Seu primeiro paciente está marcado.”

Era exatamente o que Sandra queria, mas, diante da realidade, veio a pergunta: “E agora?”

Ela respirou fundo e foi fazer aquilo para o qual havia estudado.

A experiência foi positiva. A primeira cliente gostou da técnica, e aquele atendimento abriu caminho para outros. Uma indicação levou a outra, e Sandra começou a construir sua própria rede de pacientes.

Pouco tempo depois, uma nova oportunidade mudaria novamente sua trajetória.

Durante a faculdade, participou de uma apresentação de equipamentos e tecnologias para estética. Uma participante foi contemplada com um prêmio, mas abriu mão dele. O sorteio foi realizado novamente, e Sandra foi escolhida.

Uma semana depois, recebeu um contato profissional.

Sua primeira cidade atendida foi Perdigão.

Ao chegar, descobriu que tinha uma agenda de aproximadamente 60 pacientes para atendimento com laser. O contraste entre a prática da faculdade, realizada com poucos modelos, e uma agenda profissional daquela dimensão foi um dos maiores desafios de sua carreira.

Sandra, entretanto, decidiu não demonstrar insegurança. Confiou no conhecimento adquirido e seguiu em frente.

Anos depois, ao revelar à primeira cliente que ela havia sido seu primeiro atendimento profissional, ouviu, surpresa, que jamais havia imaginado aquilo. Para a cliente, Sandra demonstrara experiência e segurança desde o início.

Foi assim que começou uma trajetória que a levaria a percorrer Minas Gerais.

Uma profissional em movimento

Ao longo de sua carreira com altas tecnologias, Sandra trabalhou com oito diferentes equipamentos e técnicas voltadas para tratamentos estéticos, qualidade da pele e depilação a laser.

Até 2025, chegou a atender em 18 cidades.

A estrada se tornou parte de sua rotina.

Cada clínica, cada cidade e cada paciente representavam uma nova experiência. E, para Sandra, havia uma recompensa que ultrapassava qualquer resultado financeiro: ver alguém recuperar a confiança e realizar um desejo que carregava havia anos.

Ela se emociona ao lembrar dos pacientes que saíam de um procedimento felizes por finalmente conseguirem algo que antes lhes causava insegurança.

Em determinado momento, porém, percebeu que precisava fazer uma escolha.

Queria estar mais perto de casa. Queria dedicar mais tempo ao projeto que começava a ocupar cada vez mais espaço em seu coração: a massagem como instrumento de cuidado e saúde.

Antes de encerrar parte das agendas externas, fez questão de compreender a dimensão do trabalho realizado. Somente em um mês, somou 537 atendimentos com altas tecnologias.

Centenas de pessoas.

Centenas de histórias.

Centenas de vidas tocadas.

Hoje, Sandra ainda atende em algumas cidades — Moema, Divinópolis e Abaeté —, mas reduziu significativamente a rotina de viagens. A decisão não significa abandonar aquilo que ama, mas direcionar sua energia para uma nova fase profissional, mais próxima de casa e mais alinhada ao seu propósito.

Cuidar também é saúde

Se no início de sua carreira o grande desafio era conquistar reconhecimento e mostrar que, mesmo jovem, tinha conhecimento e competência, hoje Sandra identifica outro desafio: fazer com que as pessoas compreendam que a massagem não deve ser vista como luxo.

Para ela, cuidar do corpo também é cuidar da saúde.

É necessidade.

É prevenção, bem-estar, acolhimento e qualidade de vida.

Essa visão está presente em seu atual espaço de atendimento, que Sandra descreve como um reflexo de sua própria personalidade: acolhedor, delicado e cheio de detalhes.

Depois de passar dois anos trabalhando ao lado de uma profissional que considera fundamental em sua formação, Lídia, Sandra conquistou seu próprio espaço. Reconhece na antiga parceira uma pessoa que a ajudou a enxergar seu verdadeiro valor e que sempre a incentivou a acreditar em sua capacidade.

Hoje, seu consultório representa mais do que um local de trabalho. É seu cantinho, seu ambiente de acolhimento e a expressão de sua identidade profissional.

O propósito de cuidar

Sandra acredita que sempre teve um propósito, embora não soubesse, na infância, qual seria a forma de realizá-lo.

“Eu sempre soube que seria esse o meu propósito: cuidar de vidas. Só não sabia como.”

A resposta veio pela estética.

E veio também pelas mãos.

Para ela, cada atendimento é uma oportunidade de cuidar de alguém de maneira integral, respeitando não apenas o corpo, mas também as emoções e a autoestima.

Uma frase que guarda como inspiração resume muito de sua filosofia profissional:

“Domine todas as teorias, todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma, seja apenas outra alma humana.”

É nesse encontro entre conhecimento e humanidade que Sandra encontra sentido para o trabalho.

Amor, fé e uma história escrita com propósito

Se sua trajetória profissional é marcada por escolhas e desafios, sua história de amor é, para Sandra, uma das maiores demonstrações da presença de Deus em sua vida.

Ela conheceu Luan Victor ainda muito jovem, aos 12 anos. Ele estava andando de skate quando caiu, e Sandra, de longe, percebeu aquele rapaz que chamou sua atenção.

O primeiro encontro não chegou a resultar em conversa. Ela sequer sabia como encontrá-lo. Mas, por uma dessas coincidências que Sandra prefere chamar de destino, os dois acabaram sendo colocados em um grupo de amigos em comum.

Ela reconheceu a fotografia imediatamente.

A história começou.

Vieram o namoro, os anos compartilhados e, depois, a vida em comum. Foram oito anos de namoro até o pedido de casamento, que Sandra descreve com humor como um pedido “horroroso”.

Luan estava ao lado dela, pela manhã, com aparência de quem acabara de acordar, e pediu que ela pegasse uma vitamina. Sandra recusou. Foi então que percebeu a aliança.

O pedido não foi exatamente cinematográfico, mas tornou-se uma das lembranças mais divertidas e especiais da história dos dois.

Hoje, depois de tantos anos juntos, Sandra e Luan se preparam para o casamento.

E, para ela, nada disso aconteceu por acaso.

Sandra é profundamente ligada à fé católica. Na juventude, foi coroinha e capitã do Congado em Japaraíba. Sua relação com a religião sempre foi muito presente, enquanto Luan não seguia uma religião específica, embora acreditasse em Deus.

Essa diferença chegou a ser uma preocupação para Sandra.

Uma pessoa muito especial, que já faleceu, chegou a lhe deixar uma missão: independentemente da religião, que ela aproximasse Luan de Deus.

Sandra carregou aquelas palavras consigo.

Mais tarde, recebeu de uma paciente uma novena de Santa Rita. Rezou com fé, pedindo que Luan se aproximasse de Deus.

E a história começou a ganhar novos contornos.

Luan decidiu, por vontade própria, receber os sacramentos necessários para o casamento na Igreja Católica.

Para Sandra, foi uma resposta às suas orações.

Vieram outras coincidências que ela interpreta como sinais: uma conversa inesperada sobre casamento comunitário durante uma adoração ao Santíssimo, a escolha de uma capela dedicada a Santa Rita e, posteriormente, um escapulário da santa recebido justamente de sua sogra, que não segue a devoção católica aos santos.

Até a viagem que havia comprado anteriormente acabou se transformando na lua de mel: o casamento acontecerá um dia antes da viagem que ela havia planejado sem sequer imaginar que estaria se casando.

Para Sandra, tudo isso confirma uma certeza:

Deus está presente em sua história.

“Deus faz coisas na minha vida que nem eu entendo.”

É assim que ela traduz sua gratidão.

Um amor que complementa

Luan Victor não é apenas seu companheiro. Sandra o descreve como alguém que a complementa.

Ele é desenhista e possui um talento artístico que ela admira profundamente. Sandra brinca que ele representa justamente aquela parte que faltava nela.

E o skate, paixão de Luan, continua fazendo parte da história do casal, mesmo depois de uma lesão. Sandra ainda sonha em aprender a andar de skate com ele.

Juntos, constroem não apenas um casamento, mas o projeto de uma família.

Uma referência que nasceu dentro de casa

Sandra também carrega uma conquista que considera especialmente significativa: é a primeira mulher de sua família materna a se formar em uma faculdade.

Sua trajetória acabou inspirando a irmã mais velha, que posteriormente se formou como técnica em Farmácia.

Para Sandra, essa é uma das maiores formas de realização: perceber que sua caminhada pode abrir caminhos para outras pessoas.

Ela quer ser referência não porque se considera pronta, mas justamente porque reconhece que ainda tem muito a aprender.

“Se eu conseguir, eles também conseguem.”

É essa mensagem que deseja deixar para quem está ao seu redor.

Além da profissional

Nas horas livres, Sandra gosta de ler, assistir a séries e estudar. É curiosa, gosta de desafios e não se contenta com o que considera fácil ou óbvio.

Na cozinha, prefere se aventurar em receitas diferentes a preparar simplesmente o tradicional arroz com feijão. Gosta de olhar uma receita e pensar: “Eu dou conta de fazer isso.”

O desafio, afinal, tornou-se uma característica de sua vida.

Entre os livros que mais aprecia estão As Palavras Têm Poder e A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, obras que, segundo ela, lhe ensinaram sobre a força daquilo que verbalizamos e sobre a importância de compreender o peso que damos às diferentes situações da vida.

Sandra acredita no poder das palavras e procura ter cuidado com aquilo que pensa, fala e coloca no mundo.

Uma vida vivida no extraordinário

Ao definir sua relação com a família, Sandra escolhe uma palavra simples: amor.

Para a fé, dedicação.

Para o trabalho, projeto de vida.

Para a realização, simplesmente realização.

E, quando perguntada sobre o que é a vida, encontra uma resposta que resume sua maneira de enxergar a própria trajetória:

“Viver o extraordinário de Deus todos os dias.”

Aos 24 anos, Sandra já percorreu muitas estradas, atendeu centenas de pessoas, conheceu 18 cidades, trabalhou com diferentes tecnologias, construiu sua clientela, abriu seu próprio espaço, inspirou familiares e escolheu permanecer fiel àquilo que acredita ser seu propósito.

Ainda se considera jovem e em processo de construção. Sabe que há muito a aprender e muito a oferecer.

Mas já compreendeu algo essencial: não é preciso ter todas as respostas para começar.

É preciso ter coragem para dar o primeiro passo.

E, quando olha para trás, percebe que cada escolha — da pequena sala ao próprio espaço, das primeiras clientes às centenas de pessoas atendidas, da estrada de Minas Gerais ao desejo de estar mais perto de casa — conduziu-a até aqui.

Sandra Mara é uma profissional que encontrou no cuidado a sua vocação e, na fé, a força para seguir.

Uma mulher que saiu de sua própria “bolha”, abriu caminhos e descobriu que crescer também significa levar outras pessoas consigo.

E talvez seja justamente essa a maior beleza de sua história: ela não quer apenas chegar.

Ela quer que outros também descubram que são capazes de chegar.

Sua mensagem para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho traduz esse desejo:

“Nunca desacredite do seu potencial. Você é capaz de alcançar o inimaginável.”

E Sandra segue acreditando.

Cuidando.

Aprendendo.

Inspirando.

Vivendo, todos os dias, aquilo que chama de o extraordinário de Deus.

Comentários
Postagem anterior

Dra. Tamires

Próximo post

Não há mais história.

gabriel

gabriel

Consultor de Marketing digital. Design gráfico.