ESPAÇO GEUSA FARIA
Uma história construída com fé, coragem, caráter e trabalho
Há histórias que começam grandes. Outras começam pequenas, quase silenciosas, em lugares onde ninguém poderia imaginar que dali surgiria um grande legado.A história de Geusa Faria começou em uma pequena rocinha na zona rural de Santo Antônio do Monte, em 9 de setembro de 1972. Caçula de uma família de oito irmãos — hoje sete, após a perda de um deles ainda na infância —, filha de Lázaro Rodrigues, o Lázico Beca, e Dona Desiree, Geusa cresceu em uma família simples, profundamente ligada à fé, ao trabalho e aos valores que atravessariam toda a sua vida. Sua infância foi vivida entre a terra, os irmãos, os vizinhos e a criatividade de uma época em que quase tudo precisava ser inventado. As bonecas eram feitas de pano ou de sabugo de milho. As casinhas surgiam em meio às bananeiras. As crianças fabricavam suas próprias panelinhas de barro, inventavam brinquedos com materiais encontrados na natureza e transformavam pequenos momentos em grandes aventuras.
“Eu era feliz e não sabia.”
A frase traduz com perfeição a lembrança que Geusa guarda daqueles anos. À noite, a família, muito católica, costumava sair com lanterna, vela ou lamparina para visitar os vizinhos e rezar em grupo. Era uma vida simples, mas rica em convivência, afeto e comunidade.E desde cedo, Geusa aprendeu que a vida também exigia trabalho.Aos oito anos, recebeu o seu primeiro dinheirinho. Começou cuidando dos dois filhos de seu irmão, enquanto a esposa dele trabalhava em uma cantina escolar. Gostou da experiência e descobriu cedo o valor da responsabilidade e da independência.Trabalhou na roça ao lado do pai, ajudou no plantio, trabalhou em lavouras de café de vizinhos e, ainda adolescente, chegou a trabalhar em pequenas fábricas de fogos existentes na zona rural.
Ao mesmo tempo, estudava em Santo Antônio do Monte.Para chegar à escola, enfrentava longos deslocamentos. Às vezes, de micro-ônibus; em outras ocasiões, de caminhão, Kombi ou no veículo da prefeitura. Era uma época em que estudar exigia esforço, disposição e determinação.E Geusa tinha de sobra.
DA ROÇA PARA A CIDADE
Aos 17 anos, Geusa decidiu que precisava buscar novas oportunidades. Seus pais não tinham condições de deixar a zona rural e assumir as despesas de uma vida na cidade. Foi então que ela tomou uma decisão corajosa: pediu para morar com uma tia viúva, que vivia sozinha, e partiu para Santo Antônio do Monte em busca de trabalho. Ficou três anos morando com ela.
Começou a trabalhar em uma loja, mas a experiência não deu certo. Logo surgiu uma nova oportunidade, aquela que mudaria definitivamente o rumo de sua história.Geusa passou a trabalhar com Sr. Antônio e Dona Berenice, proprietários de uma tradicional loja que já havia construído sua história em Santo Antônio do Monte e possuía uma filial em Lagoa da Prata.Ali, ela não foi apenas funcionária. Aprendeu. Observou. Acompanhou as compras.
Viajava com os proprietários para São Paulo.
Carregava malas, ajudava a escolher mercadorias, precificava produtos e conhecia, cada vez mais profundamente, os bastidores do comércio.Até que chegou o momento em que os proprietários, já cansados e desejando deixar o comércio, decidiram vender a loja.E fizeram uma proposta para Geusa. A primeira reação dela foi de incredulidade. Ela não tinha dinheiro. Não tinha patrimônio. Não tinha grandes recursos.
Mas tinha algo que, naquele momento, valia muito: confiança.Os proprietários acreditavam em seu trabalho, em seu caráter e em sua capacidade. Ofereceram condições especiais de pagamento.
Geusa voltou para a roça e conversou com os pais. E recebeu deles o apoio que precisava.
Seu pai chegou a pedir dinheiro emprestado a um vizinho para ajudá-la a pagar a entrada do negócio. O restante foi parcelado em três anos.
Geusa, porém, conseguiu pagar tudo em apenas um ano.
Depois, quitou o empréstimo com o pai e também com o vizinho.
Ela ainda guarda na memória uma cena que traduz a simplicidade daquela época: os cálculos dos juros foram feitos pelo próprio pai, ali mesmo, no meio da estrada, próximo a uma tabuada.Era o início de uma nova história.
O NASCIMENTO DE UMA EMPREENDEDORA
O empreendimento que Geusa assumiu era o Bazar 2000. E foi ali que ela começou a construir, passo a passo, aquilo que hoje é reconhecido como um dos mais importantes legados do comércio de moda da região. Primeiro veio o desafio de fazer a empresa prosperar. Depois, a vontade de crescer. E, quando os resultados começaram a aparecer, Geusa olhou para a própria família.
Ela não queria apenas crescer sozinha. Queria criar oportunidades para os seus. Foi assim que alguns de seus irmãos e familiares passaram a fazer parte da trajetória empresarial.
Ao lado do irmão Gilmar, conhecido carinhosamente na família como Neném, e de outros familiares que participaram em diferentes momentos, a empresa cresceu e chegou a possuir unidades em Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte, Arcos e Luz, chegando a manter duas lojas em algumas dessas cidades.
Foram anos de muito trabalho, viagens, decisões, riscos e aprendizados. Mas também foram anos de crescimento. Até que a vida trouxe novos desafios. A maternidade.
Quando engravidou de Davi, nascido em 7 de fevereiro de 2005, Geusa já enfrentava uma rotina intensa de viagens e administração dos negócios. Viajava constantemente para São Paulo, Belo Horizonte e Goiânia em busca de novidades, preços competitivos e produtos que encantassem seus clientes. A gravidez fez com que ela repensasse a estrutura dos negócios. As lojas foram sendo reorganizadas, algumas passaram adiante, outras foram fechadas ou tiveram seus pontos vendidos, até que Geusa e o irmão Gilmar seguiram caminhos empresariais diferentes. Foi nesse momento que começou uma nova fase.

GEUSA FARIA
O antigo Bazar 2000 deu lugar à Geusa Faria. A mudança não foi apenas de nome.
Foi uma transformação de identidade.
Geusa passou a imprimir ainda mais a sua personalidade na empresa: uma loja moderna, sofisticada, democrática e voltada para diferentes estilos, idades e biotipos.
A marca passou a oferecer moda infantil, juvenil, feminina, masculina, plus size, moda praia, moda festa e acessórios.
Um espaço pensado para vestir famílias inteiras.
Mais do que vender roupas, Geusa construiu uma relação de confiança com seus clientes.
E foi justamente essa relação que ajudou a transformar a loja em referência.
Hoje, o empreendimento ganhou uma nova dimensão com a Geusa Faria Boutique, instalada em um espaço amplo e totalmente renovado na Avenida Brasil.
Um novo endereço para uma história que já atravessa décadas.
UMA NOVA CIDADE, UM NOVO DESAFIO
O espírito empreendedor de Geusa não parou em Lagoa da Prata.
Em Bambuí, nasceu a Belíssima, empreendimento construído em parceria com seu namorado, Reyson.
A história começou de maneira quase espontânea.
Geusa passou a frequentar Bambuí, fez amizades e começou a perceber que havia ali uma demanda por seus produtos.
Os clientes da cidade passaram a acompanhá-la pelas redes sociais e começaram a pedir que ela levasse peças.
Primeiro vieram as malas.
Depois, as sacolas.
Até que Geusa percebeu:
“Estou perdendo tempo. Vou abrir uma loja aqui.”
E abriu.
O negócio cresceu, Reyson deixou seu trabalho para entrar na sociedade e, juntos, deram continuidade ao empreendimento.
Mais uma vez, Geusa transformava uma oportunidade em negócio.
O LEGADO QUE CRESCEU DENTRO DA LOJA
Se existe uma continuidade natural nessa história, ela atende pelo nome de Davi.
Filho de Geusa, Davi praticamente nasceu dentro da loja.Ainda criança, circulava entre os clientes com seu velotrol e sua bicicleta. Cresceu observando a mãe atender, negociar, comprar, administrar e, principalmente, tratar as pessoas.
Aos poucos, começou a ajudar.
Estudava e, nos horários livres, trabalhava na loja.
Chegou a experimentar outro caminho, trabalhando por um período no escritório do pai, mas logo percebeu que seu lugar era mesmo no comércio.
Voltou para a loja.
E voltou diferente.
Aos 21 anos, Davi já participa de praticamente todas as áreas do negócio: vendas, compras, gestão, estoque, entradas e saídas de mercadorias, redes sociais, vídeos, atendimento e relacionamento com a equipe.
Viaja para São Paulo, faz compras, negocia preços, busca novidades e ajuda a conduzir a empresa para uma nova geração.
Geusa reconhece nele o seu braço direito.
Davi, por sua vez, reconhece na mãe sua maior inspiração.
“Se eu for pelo menos 5% do que ela foi, já está bom demais para mim.”
A frase revela mais do que admiração.
Revela continuidade.
VESTIR PESSOAS. CONSTRUIR FAMÍLIAS.
Para Davi, o diferencial da empresa está justamente naquilo que Geusa construiu ao longo dos anos.
“A gente não vende roupas. A gente faz família.”
A frase traduz uma filosofia empresarial que ultrapassa o produto.
Na Geusa Faria Boutique, o cliente é recebido pelo nome, ouvido, acolhido e tratado com respeito.
Há quem entre para comprar.
Há quem entre apenas para conversar.
Há quem precise de uma palavra amiga.
E, muitas vezes, uma conversa muda o dia de alguém.
É essa humanidade que fez da loja uma referência.
Porque, para Geusa e Davi, todos são iguais.
Não importa quem chega.
O atendimento é o mesmo.
O respeito é o mesmo.
A atenção é a mesma.

UMA EMPRESÁRIA QUE TAMBÉM FORMA PESSOAS
Ao longo de mais de duas décadas de comércio, Geusa também ajudou a formar profissionais.
Ela faz questão de dizer às suas funcionárias:
“Eu quero que vocês saiam daqui com experiência e que saiam daqui para melhor.”
Para Geusa, trabalhar não significa apenas cumprir uma função.
Significa aprender.
Crescer.
Conquistar novas oportunidades.
E talvez um dos maiores orgulhos de sua trajetória seja justamente ver antigas funcionárias se transformarem em empresárias fortes e independentes.
Ela se alegra ao perceber que fez parte da construção dessas histórias.
Mesmo quando algumas dessas pessoas chegaram a conquistar ainda mais do que ela.
Porque esse é também um legado: abrir caminhos para que outras pessoas possam caminhar.
POR TRÁS DO SUCESSO, OS SACRIFÍCIOS
O sucesso, entretanto, nunca foi fácil.
Durante aproximadamente seis anos, Geusa viajou semanalmente para São Paulo.
Perdeu muitos domingos.
Saía de Lagoa da Prata, chegava de madrugada e começava a trabalhar por volta da meia-noite ou meia-noite e meia.
Enfrentava frio, chuva, vento, cansaço, fome, dores no corpo, dificuldades para encontrar até mesmo um banheiro e os riscos de uma viagem noturna.
Houve assaltos.
Houve medo.
Houve momentos em que o corpo pedia descanso, mas o compromisso com a empresa exigia que ela continuasse.
Ela precisava chegar e trabalhar.
Sempre.Era preciso encontrar preço.
Qualidade.
Novidade.
Era preciso voltar para casa com aquilo que os clientes esperavam.
E ela voltava.
Durante quase 26 anos, foram incontáveis desafios.
Mas também incontáveis vitórias.
Hoje, Geusa olha para tudo isso com gratidão.
E com a consciência de que valeu a pena.
A MULHER POR TRÁS DA EMPRESÁRIA
Fora da loja, existe uma Geusa que gosta de coisas simples.
Gosta de viajar, especialmente para lugares com mar e águas quentes.
Maceió está entre as viagens que guarda com carinho na memória.
Gosta de estar com os amigos, de casa cheia, de um bom barzinho, de tomar sua cervejinha com tranquilidade e de cozinhar.
Não é adepta de pratos excessivamente elaborados.
Prefere a comida simples, aquela que acompanha uma boa conversa, alguns petiscos e momentos leves.
É uma mulher que aprendeu a trabalhar muito, mas que também entende que a vida precisa ser vivida.
Para ela, família é tudo.
Fé é a base de tudo.
E Lagoa da Prata é uma cidade que mora em seu coração.
“Tinha que chamar Lagoa do Ouro, porque eu amo essa cidade.”
O FUTURO
Hoje, Geusa não fala apenas sobre aquilo que construiu.
Ela fala sobre aquilo que ainda está por vir.
Davi já pensa em expansão.
Sonha com novas unidades, novos lugares e até franquias.
E Geusa sabe que existe uma nova geração preparada para continuar aquilo que começou muitos anos atrás, naquela pequena loja que um dia foi o Bazar 2000.
O legado mudou de mãos sem perder sua essência.
A experiência de Geusa encontrou a tecnologia de Davi.
A intuição da mãe encontrou a visão estratégica do filho.
E, juntos, eles seguem construindo.
UMA MENSAGEM PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO
Quando perguntada sobre o conselho que deixaria aos jovens que chegam agora ao mercado de trabalho, Geusa não hesita:
É preciso estudar.
É preciso trabalhar honestamente.
É preciso ter determinação.
É preciso respeitar as pessoas.
E, acima de tudo, é preciso ter fé.
Sua própria história é a prova.
A menina que saiu da roça aos 17 anos, sem dinheiro e sem grandes recursos, construiu uma empresa, gerou empregos, criou um filho, abriu lojas, enfrentou estradas, riscos, dificuldades e recomeços.

E fez isso sem abrir mão de seus valores.
Caráter.
Honestidade.
Responsabilidade.
Respeito.
Fé.
Talvez por isso seu legado seja maior do que uma loja.
É um legado de pessoas.
De oportunidades.
De relações.
De família.
De trabalho.
GEUSA, POR GEUSA
Para Geusa, a vida é um presente de Deus.
É alegria.
É movimento.
É gratidão.
É vontade de viver.
“Amo viver e quero morrer com 100 anos.”
E, quando olha para trás, sua história pode ser resumida em uma frase que ela mesma escolheu para transmitir aos jovens:
“A vida é dura, a vida não é mole. Mas, com fé e determinação, a gente vence como eu venci.”
E venceu.
Venceu a distância.
Venceu as dificuldades.
Venceu o medo.
Venceu a falta de recursos.
Venceu as estradas.
Venceu os desafios de ser mulher, mãe e empresária.
E transformou uma oportunidade recebida de seus antigos patrões em uma trajetória que hoje ultrapassa 25 anos e se confunde com a própria história do comércio de moda de Lagoa da Prata.
A Geusa Faria Boutique é, portanto, mais do que uma empresa.
É a materialização de uma vida construída com trabalho.
É o resultado de uma mulher que acreditou quando ainda não tinha nada além de coragem.
É a prova de que caráter também abre portas.
E é o começo de um novo capítulo de um legado que agora encontra em Davi a continuidade necessária para seguir brilhando.
Porque Geusa não construiu apenas uma marca.
Construiu uma história.
E algumas histórias não terminam.
Elas continuam sendo vividas pelas próximas gerações.