ATENAS ACADEMIA
Academia Atenas: um sonho que permanece vivo
Há sonhos que ultrapassam o tempo, permanecem na memória e continuam florescendo pelas mãos de quem compreende o seu verdadeiro valor. A história da Academia Atenas é assim: feita de trabalho, amizade, saudade e da força de um legado que permanece vivo.
A história começa com Aislan Borges da Cunha, filho de Maria José Borges da Cunha, carinhosamente conhecida como Dona Zezé, e de Antônio Pinto da Cunha. Nascido em 1980, em Goiás, Aislan cresceu cercado pela família, pelos amigos e pelas brincadeiras que marcaram sua infância. Estudioso, alegre e cheio de vida, gostava de futebol, das aventuras com os colegas e da liberdade de uma época em que as crianças transformavam os espaços mais simples em cenários de grandes descobertas.
Desde cedo, demonstrava uma personalidade generosa e uma capacidade especial de cultivar amizades. Era daqueles que deixavam boas lembranças por onde passavam, não apenas pelo que faziam, mas, sobretudo, pela maneira como se relacionavam com as pessoas.
Foi movido por seus sonhos que Aislan construiu sua trajetória no universo da atividade física. A paixão pelo esporte encontrou espaço no empreendedorismo e ganhou forma na Academia Atenas, um empreendimento que representava muito mais do que um negócio: era a concretização de um sonho, erguido com esforço, determinação e o apoio da família.
Para tornar esse desejo realidade, Aislan chegou a trabalhar em Londres, de onde enviava recursos para que a mãe adquirisse o terreno e desse andamento à construção. Com a colaboração da irmã Adriana e o trabalho do engenheiro responsável, o sonho começou a ganhar paredes, equipamentos e identidade própria. Aislan também trouxe novidades para o universo das academias da cidade, entre elas os primeiros equipamentos de spinning, modalidade que ajudou a ampliar as possibilidades de treinamento.
Inaugurada em 2004, a Atenas construiu, ao longo dos anos, uma história de dedicação à saúde, ao esporte e à convivência. Mas a vida, por vezes, interrompe os planos de maneira dolorosa. Aislan faleceu precocemente, deixando uma saudade imensa na família, nos amigos e em todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Dona Zezé guarda as lembranças do filho com a delicadeza de quem aprendeu a conviver com uma ausência que nunca deixa de ser sentida. Ao recordar seus últimos dias, a emoção se faz presente. Há uma camisa que Aislan vestiu pouco antes de partir e que ela conserva com carinho. Em seu relato, o tecido ainda guarda o cheiro do filho, como se aquele pequeno vestígio pudesse aproximar o coração de uma presença que o tempo não apaga.
Ela se lembra do rapaz sorridente, generoso e disposto a ajudar. Recorda também sua aproximação com a fé e o batismo que recebeu pouco antes de falecer. Para Dona Zezé, o exemplo que Aislan deixou está no amor ao próximo, na honestidade, na justiça e na importância de caminhar com Deus.
A saudade, entretanto, não resume a história dessa mãe. Dona Zezé também cultiva a vida de maneira muito particular: sua coleção de árvores-do-deserto ultrapassa 150 plantas, espalhadas pelo quintal. Em meio às lembranças e aos desafios de seguir adiante, ela dedica tempo e cuidado a essas espécies, que crescem sob sua atenção. É uma imagem bonita de sua própria caminhada: a capacidade de continuar cuidando, cultivando e encontrando beleza naquilo que permanece.
É nesse cenário de memória e continuidade que entra Luiz.
Amigo de Aislan há muitos anos, Luiz Carlos da Silva, conheceu de perto a história da academia. Frequentou o espaço, acompanhou parte de sua trajetória e construiu com o antigo amigo uma relação marcada pela convivência e pelo respeito. Sua ligação com a atividade física, entretanto, começou antes mesmo de sua vida profissional se definir.

Nascido em Lagoa da Prata, em 14 de novembro de 1982, Luiz cresceu entre a escola, os amigos e as partidas de futebol nas ruas de uma cidade que ainda preservava a liberdade das brincadeiras ao ar livre. Estudou no Monsenhor Alfredo e concluiu o ensino médio depois de passar pelo Colégio Guadalupe. Ainda adolescente, aos 16 ou 17 anos, teve suas primeiras experiências profissionais em uma pequena empresa de recarga de extintores de incêndio.
Mais tarde, trabalhou por pouco mais de três anos em uma marcenaria. Ali aprendeu a lidar com a madeira e descobriu uma habilidade que conserva até hoje: a de construir móveis com as próprias mãos. O trabalho, que começou como profissão, tornou-se também um prazer pessoal. Em casa, camas, prateleiras e outras peças revelam esse lado habilidoso, criativo e dedicado.
Ao ingressar na faculdade de Educação Física, Luiz imaginava trabalhar com crianças e educação infantil. A experiência, porém, conduziu seus passos para outro caminho. Por meio de uma oportunidade de estágio em academia, aproximou-se ainda mais desse universo e descobriu que ali poderia unir sua afinidade com o esporte ao prazer de conviver com pessoas.

Foi assim que sua história profissional se entrelaçou à de Aislan e à da Academia Atenas.
Hoje, Luiz é quem administra o espaço, dando continuidade ao sonho que o amigo construiu. Faz questão de reconhecer que não se trata simplesmente de assumir um empreendimento, mas de preservar algo que tem significado para muitas pessoas. Como ele próprio expressa, continua administrando o sonho de Aislan.
Essa compreensão também se manifesta na maneira como enxerga seu trabalho. Para Luiz, os equipamentos são importantes, mas não constituem o principal diferencial de uma academia. Máquinas semelhantes podem ser encontradas em muitos lugares; o que realmente faz a diferença é o atendimento, a atenção, o acolhimento e o cuidado com cada aluno.
É uma filosofia que ajuda a explicar a permanência de tantos frequentadores ao longo dos anos, mesmo diante do surgimento de novas academias e de diferentes propostas de treinamento.
Sob sua administração, a Atenas mantém a musculação e as atividades cardiovasculares e abre espaço para outras modalidades, como o karatê, além de iniciativas voltadas à ampliação das práticas esportivas. A preocupação com a comunidade também acompanha essa trajetória, por meio de parcerias, incentivos e ações sociais que buscam aproximar a atividade física de diferentes públicos.
Mas talvez seja fora da academia que se revele outra dimensão importante de Luiz.
Pai de cinco filhos, ele fala com carinho sobre a vida em família, as brincadeiras com as crianças e os momentos em que a casa se transforma em oficina de papelão, cola quente e imaginação. Gosta de construir pistas para carrinhos, inventar brinquedos e participar das pequenas aventuras dos filhos. Reconhece, com a sinceridade de quem compreende as exigências da rotina, que a correria do trabalho por vezes rouba o tempo que gostaria de dedicar a eles.
Ainda assim, sua fala revela o desejo de recuperar esses momentos e valorizar aquilo que considera essencial.
Para Luiz, a vida está no presente: no trabalho bem realizado, na oportunidade de ajudar alguém e na disposição de ser útil. Ele acredita que atender ao pedido de um amigo, oferecer ajuda e perceber a satisfação de quem foi amparado são experiências profundamente gratificantes.
Talvez seja justamente essa visão que o aproxima tanto da história que hoje tem a responsabilidade de preservar.

Ao falar de Aislan, Dona Zezé demonstra confiança e gratidão. Reconhece em Luiz um amigo querido do filho e uma pessoa de bom coração, que cuida da academia com dedicação. Para ela, vê-lo à frente daquele espaço é também perceber que o patrimônio construído por Aislan permanece em boas mãos, embora entrar ali ainda desperte uma saudade difícil de conter.
Entre a memória de um filho que partiu e a presença de um amigo que continua sua obra, a Academia Atenas se torna muito mais do que um lugar dedicado ao exercício físico. É um espaço onde histórias se cruzam, amizades resistem ao tempo e diferentes gerações encontram motivos para seguir em frente.
Aislan permanece nas lembranças de quem o amou, na história de quem conviveu com ele e em cada detalhe daquele sonho que ajudou a construir. Dona Zezé preserva sua memória com o amor de mãe, enquanto Luiz honra essa história com o trabalho cotidiano, o respeito e a responsabilidade de manter viva a essência da Atenas.
E assim, entre equipamentos, encontros, conversas e gestos de acolhimento, o legado continua.
Porque alguns sonhos não terminam quando seus idealizadores partem. Eles permanecem vivos nas pessoas que os amam, nas mãos que os preservam e em tudo aquilo que, um dia, foi construído com propósito e coração.